Elenco de Dublagem - Desenhos

Biskitts

Os Biskitts

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Gualter de França

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Telecine

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

“Escondido nas profundezas do pântano está o pequeno castelo dos Biskitts…

Os menores cachorros do Mundo! Os Biskitts!

Durante anos os reis confiaram o tesouro real a esses cachorrinhos, e agora num castelo próximo está o malvado e cruel Rei Max!

– Zonzo, temos que encontrar o tesouro real!

O que disse majestade?

– Zonzo!

– Eu já estou indo majestade!

A Dublagem

Na avalanche de desenhos animados que marcou os anos 80 na televisão brasileira, poucos foram tão peculiares — e tão cativantes — quanto Os Biskitts. Produzido pela Filmation Associates e exibido originalmente entre setembro de 1983 e setembro de 1984 (e não 1968, como alguns registros imprecisos indicam), o desenho trazia como protagonistas uma turma de cães minúsculos, leais guardiões de um tesouro real escondido num pântano.

Mas o que poderia soar como um conto trivial ganhou contornos inesquecíveis graças ao charme da animação, ao humor leve e, principalmente, à dublagem brasileira feita com esmero pelo estúdio Telecine, sob direção de Gualter de França.

 

Miniaturas heroicas com alma de cavaleiros

Os Biskitts eram descritos como “os menores cachorros do mundo”, e suas aventuras giravam em torno da missão de proteger o tesouro do falecido rei de Biskitt. Vivendo num pequeno castelo escondido no pântano, enfrentavam constantemente as investidas do vilão Rei Max — um monarca trapalhão e ganancioso — e seu atrapalhado servo Zonzo.

Com episódios curtos, divididos em dois segmentos por episódio, o desenho misturava fantasia medieval com comédia pastelão, numa estética típica da Filmation, que reciclava animações, mas compensava com personagens carismáticos e roteiros simples, porém eficientes. Os Biskitts — Esperto, Lady, Xoba, Doçura, Dimbim, Toy, Caipora, entre outros — mostravam coragem, trabalho em equipe e compaixão, valores que agradavam ao público infantil e às emissoras.

 

A estreia brasileira no embalo do Xou da Xuxa

No Brasil, Os Biskitts estrearam no dia 29 de junho de 1987, como parte da leva de desenhos que integrava o programa Xou da Xuxa na Rede Globo. Chegavam ao lado de nomes de peso como Snorks, Ewoks, Galtar, Centurions, Galaxy Rangers e Rambo, compondo um verdadeiro mosaico da animação internacional. Apesar de menos badalado que alguns colegas de grade, Os Biskitts logo conquistaram seu público. A fórmula de humor leve e personagens adoráveis encaixava perfeitamente nas manhãs televisivas brasileiras. Parte desse sucesso, claro, deve-se à dublagem — que soube traduzir, adaptar e dar vida às falas com uma naturalidade e musicalidade que poucos estúdios sabiam fazer naquela época.

 

A dublagem: vozes afinadas com o espírito da série

Sob a direção de Gualter de França, a equipe da Telecine montou um elenco de vozes que deu alma aos personagens. Ricardo Schnetzer emprestou sua energia jovial ao corajoso Esperto, enquanto Nair Amorim fez de Lady uma figura sensível e firme. O próprio Gualter interpretou Xoba, e Neuza Tavares, presença constante na dublagem da época, deu voz à doce Doçura. A escalação traz ainda nomes como Élcio Romar (Xima), Dário de Castro (Dimbim), Ayrton Cardoso (Toy) e Nizo Neto (Caipora).

Como antagonista, o impagável Rei Max foi dublado por ninguém menos que Isaac Bardavid, que deu ao personagem um tom autoritário, cômico e deliciosamente exagerado. Ao seu lado, Júlio Cézar Barreiros como o atrapalhado Zonzo completava a dupla de vilões que mais fazia rir do que temer.

A dublagem se destacava por sua entrega vocal precisa e pela fluência nos diálogos. O texto adaptado era claro, bem ritmado e, como sempre, enriquecido por expressões brasileiras que aumentavam a identificação com o público.

Outro charme da versão nacional era a narração da abertura, feita por Arlênio Lívio, que também lia os títulos dos episódios com uma entonação que misturava mistério e empolgação. O texto da abertura, com frases como “Escondido nas profundezas do pântano está o pequeno castelo dos Biskitts…”, era recitado com aquele ritmo solene e aventureiro que só as dublagens oitentistas sabiam entregar.

 

Eternamente Biskitts

Embora não tenha tido o mesmo espaço em reprises ou coleções posteriores como outros títulos da época, Os Biskitts permanece vivo na memória afetiva de quem viveu a infância nos anos 80. Seja pelo visual inusitado, pelo enredo encantador ou — principalmente — pela dublagem que deu vida e identidade à série no Brasil, o desenho se consolidou como mais uma joia escondida no vasto baú da animação clássica.

Nas redes, fãs ainda compartilham lembranças e fragmentos, discutem as vozes e celebram a habilidade com que os dubladores brasileiros transformaram um desenho simples em algo encantador.

Os Biskitts são a prova de que, mesmo em tamanho reduzido, uma boa história — com boas vozes — pode deixar uma marca gigante.

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
Agradecimentos: Nizo Neto (indicou a direção de dublagem e algumas vozes).
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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