Elenco de Dublagem - Desenhos

Spiderman

Homem-Aranha

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Diego Lima (TV Group Digital)

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Álamo/ TV Group Digital

MÍDIAS:

Televisão, VHS e DVD

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

Outros

Outros

Na década de 1990, o aracnídeo mais famoso da cultura pop ganhou uma nova vida nas telas de televisão com a série norte-americana Spider‑Man: The Animated Series (1994–1998).

A produção trouxe o Homem‑Aranha — ou Spider-Man — para uma era animada que buscava equilibrar ação, humor, dilemas adolescentes e universo expandido de heróis e vilões da Marvel Comics. 

 

Trama em teia fina

A série foi produzida internamente pela divisão recém-criada Marvel Films Animation e animada pelo estúdio japonês Tokyo Movie Shinsha em parceria com estúdios coreanos. Ao longo de cinco temporadas e 65 episódios, ela explorou o universo do Homem-Aranha com profundidade relativamente rara para animações do gênero na época. 

O enredo acompanha o alter ego Peter Parker já com seus poderes — como fotógrafo do jornal The Daily Bugle — enfrentando seus dilemas pessoais, amizades, amores (como Mary Jane Watson) e uma gama extensa de vilões clássicos: Duende Verde, Venom, Doutor Octopus, Abutre, além de participações especiais de outros heróis da Marvel (como o Homem‑de‑Ferro, Blade, Demolidor e até os X‑Men). 

A ambição narrativa incluiu arcos de temporada — coisa relativamente ousada para cartoons da época — com mistério, viagem dimensional, simbiontes e até reflexões sobre identidade e responsabilidade. 

Apesar de ser voltada em parte para o público infantil/juvenil, a produção não se esquivou de temas mais densos — ainda que com certa censura, em que armas realistas foram em muitos casos alteradas para lasers ou situações modificadas para se adequar aos padrões da época.

 

A chegada ao Brasil e a trajetória de um aracnídeo que se adaptou

Quando a série desembarcou no Brasil em 1º de julho de 1995 via Fox Kids, ela encontrou um terreno fértil: latas de desenhos animados importados já faziam parte da cultura, mas poucas produções tinham o tom de herói urbano misturado com adolescência e universo de vilões como essa. 

Na Globo, ao longo dos anos 90, o desenho ganhou ainda maior visibilidade, alcançando crianças que assistiam à programação infantil da manhã. Esse contexto contribuiu para que o Homem-Aranha se tornasse um personagem bastante presente nas lembranças de quem cresceu na geração 90-2000.

Porém, a série também enfrentou desafios no Brasil: as mudanças de horários, cortes de episódios ou adaptações para se encaixar à grade de transmissão nem sempre respeitaram ordem narrativa original (que, vale lembrar, era elaborada com continuidade). A sequência de episódios, por vezes exibida fora de ordem, tornou seu entendimento completo mais difícil para o público casual. 

Com o avanço das plataformas de streaming e a consolidação do catálogo da Disney +, surgiu a oportunidade de revisitar essa fase com novo olhar — inclusive com versões redubladas e correções de inconsistências.

Assim, a trajetória brasileira do desenho é marcada por um misto de nostalgia, adaptação e imperfeições — mas também por impacto duradouro na infância de muitos fãs.


 

Ecos em português: a “voz” brasileira do herói

A dublagem brasileira original da série foi realizada pelo estúdio Álamo, iniciando-se em 1995 e seguindo até 1999, período em que a exibição na Fox Kids foi concluída. Posteriormente, em 2021, a versão para streaming contou com o estúdio TV Group para refazer — parcial ou totalmente — algumas falas e episódios inteiros, com o objetivo de remasterizar o áudio e corrigir inconsistências de tradução e elenco que estavam presentes na versão original.

Nesse processo, grande parte do elenco original voltou para refazer suas vozes, o que ajudou a manter o vínculo afetivo e a familiaridade com o público brasileiro. Vale destacar que, entre os personagens principais, somente o alter-ego do herói — Peter Parker/Homem‑Aranha — permaneceu com o mesmo dublador ao longo de toda a série, sem trocar em episódios ou loops isolados.

Entretanto, mesmo com o cuidado, a dublagem original apresentava diversas inconsistências e particularidades que marcaram a memória dos fãs. Os nomes de heróis já bem estabelecidos no Brasil nem sempre foram seguidos — por exemplo, personagens como Demolidor e Wolverine foram traduzidos como “Atrevido” e “Lobão”, respectivamente, na versão inicial. No lançamento para streaming, tais nomes foram alterados para os equivalentes mais usuais no Brasil.

Também, o simbionte alienígena que origina vilões como Venom e Carnificina era chamado de “simbiate”, evidenciando uma adaptação fonética do termo “symbiote”.

Havia ainda erros mais sutis ou inesperados: por exemplo, no episódio 26, várias falas — inclusive pensamentos do herói — ficaram sem dublagem; no episódio 30, taxistas foram traduzidos como policiais; no episódio 54, a sigla WWII (“Segunda Guerra Mundial”) não foi reconhecida como tal; e no episódio 56, um vilão faz menção ao “Super-Homem” quando, no original, referia-se ao vilão Cabeleira de Prata (Silvermane).

No conjunto, esse trabalho de dublagem brasileira — com seus altos e baixos — foi essencial para dar vida ao universo animado em português, adaptando expressões, voz, humor e referências culturais ao público local, ao mesmo tempo em que enfrentava a logística de tradução, adaptação de nomes, timbre vocal e alterações de estúdio.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.