Elenco de Dublagem - Desenhos

Gargoyles

Gárgulas

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Maurício Seixas/ Alfredo Martins/ Nilton Valério

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Double Sound

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

Texto de Abertura em Português

“Há mil anos, a superstição e a espada governavam. Foi uma época de trevas, foi um mundo de medo, foi a Era dos Gárgulas.

Estátuas durante o dia, guerreiros durante a noite. Fomos traídos pelos humanos que prometemos proteger. Transformados em estátuas por um feitiço que durou mil anos.

Agora, aqui em Manhattan, o feitiço foi quebrado e voltamos à vida.

Somos os defensores da noite. Somos os Gárgulas!”

A Dublagem

Quando estreou nos Estados Unidos em 24 de outubro de 1994, a série animada Gargoyles surpreendeu o público. Produzida pelo Walt Disney Animation Studios, a obra foi ousada, sombria e complexa – tudo aquilo que se afastava da fórmula clássica dos desenhos da empresa.

No Brasil, recebeu o título Os Gárgulas, chegando à televisão aberta em 1997, dublada em português e exibida no SBT, dentro da programação infantil que marcou uma geração.

A recepção foi imediata: o público, acostumado com produções mais leves, encontrou em “Gárgulas” uma narrativa densa, personagens multifacetados e um enredo que misturava mitologia, fantasia medieval e dilemas morais contemporâneos. 


 

Da Escócia a Manhattan

Idealizada por Greg Weisman, Os Gárgulas nasceu de forma inusitada. A ideia inicial era criar uma comédia leve nos moldes de Ursinhos Gummi, mas rapidamente ganhou um tom mais sombrio e adulto. Weisman, apaixonado por literatura clássica e mitologia, incorporou referências da mitologia grega, nórdica, egípcia, além de elementos da obra de William Shakespeare, como “Macbeth” e “Sonho de uma Noite de Verão”.

O enredo acompanha um clã de gárgulas que, no ano de 994 d.C., protegia um castelo na Escócia até ser traído por humanos e amaldiçoado a viver como pedra por mil anos. O feitiço só seria quebrado quando o castelo fosse erguido acima das nuvens — algo que acontece em 1994, quando o magnata David Xanatos transporta a fortaleza para o topo de seu arranha-céu em Manhattan.

A partir daí, Golias e seus companheiros despertam para um mundo moderno, tentando compreender a nova era, proteger inocentes e lidar com ameaças humanas e sobrenaturais. Ao lado da detetive Elisa Maza, enfrentam vilões como a traiçoeira Demona, os mutantes criados em laboratório e até seres míticos como Oberon e Titania.

Com 78 episódios em três temporadas (1994–1997), Os Gárgulas se destacou por não subestimar seu público. Os roteiros discutiam temas como traição, preconceito, vingança, imortalidade e até violência urbana — o episódio “Força Mortal”, que aborda armas de fogo de forma direta, é um exemplo de ousadia pouco comum em animações da época.


 

Das manhãs do SBT às tardes da Globo

No Brasil, Gárgulas estreou em 1997 pelo SBT, dentro do programa infantil Bom Dia & Cia., aproveitando um contrato de exclusividade da emissora com a Disney. A série logo se destacou entre produções mais leves exibidas no mesmo horário, conquistando tanto crianças quanto adolescentes e adultos, que se encantaram com sua narrativa mais madura.

Mais tarde, também passou na Rede Globo, dentro do quadro Disneylândia exibido no Xuxa Park, ampliando ainda mais sua base de fãs. A exibição em diferentes horários, tanto de manhã quanto à tarde, ajudou a fixar os personagens no imaginário de toda uma geração de telespectadores brasileiros.

Nos anos 2000, o desenho ganhou espaço em canais pagos e, mais recentemente, voltou ao catálogo em plataformas de streaming, permitindo que novos públicos descobrissem — e que os antigos fãs revissem — a saga dos guerreiros de pedra.


 

As vozes da noite

Se a trama já era rica, foi a dublagem brasileira que consolidou Gárgulas como um clássico no país. Gravada no estúdio Double Sound, a versão nacional contou com grandes nomes da dublagem que marcaram os personagens para sempre.

Maurício Berger deu voz ao imponente Golias, trazendo a profundidade grave e imponente que o líder exigia. Sua interpretação foi além da simples tradução: transmitia honra, dor e compaixão, características essenciais ao personagem.

O vilão David Xanatos ganhou vida na interpretação de Márcio Simões, que trouxe ironia, sofisticação e uma dose de frieza que fazia o antagonista brilhar em cada cena. Já Demona, a gárgula tomada pelo ódio, foi dublada por Emília Rey, que conseguiu equilibrar a dor de um passado trágico com a fúria de uma vilã impiedosa.

O trio de jovens guerreiros — Brooklyn (Alexandre Moreno), Lexington (Cláudio Galvan) e Broadway (Jorge Vasconcellos) — recebeu vozes que refletiam bem suas personalidades distintas, do ousado ao curioso, passando pelo bonachão de coração enorme.

O veterano Hudson, vivido por Domício Costa, transmitia sabedoria e ares de mentor, enquanto Elisa Maza, com a interpretação calorosa de Iara Riça, aproximava os espectadores do universo dos gárgulas com sua humanidade e coragem.

Curiosamente, a abertura em português, narrada por Maurício Berger, tornou-se um dos momentos mais memoráveis da versão nacional, com o icônico texto:
“Há mil anos, a superstição e a espada governavam… Somos os defensores da noite. Somos os Gárgulas!”

Essa adaptação manteve o tom épico e sombrio da versão original, consolidando a identidade da série para o público brasileiro.


 

Pedras que não se quebram

Gárgulas pode ter sido exibida por apenas três anos, mas seu impacto ultrapassou décadas. A série gerou quadrinhos pela Marvel Comics (1995), continuou em publicações da Slave Labor Graphics nos anos 2000 e, mais recentemente, ganhou uma nova fase pela Dynamite Entertainment em 2022, com roteiros do próprio Greg Weisman.

No mercado de home video, chegou a ter lançamentos em VHS e DVDs, mas o relançamento completo sempre foi uma demanda dos fãs — que continuam ativos em convenções e fóruns até hoje.

Mais do que um desenho, Gárgulas representou a ousadia da Disney em apostar em temas mais densos e narrativas adultas. No Brasil, marcou uma geração que cresceu ouvindo as vozes imponentes de seus personagens e se emocionando com uma animação que não tinha medo de falar de dor, amor, traição e redenção.

Com seu tom sombrio, personagens cativantes e uma dublagem inesquecível, “Gárgulas” permanece como uma das maiores joias cult da animação mundial — um verdadeiro monumento de pedra erguido na memória dos fãs.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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