Spiral Zone
Spiral Zone
- de 21/09/1987 a 18/12/1987.
- 1 temporada (65 episódios).
- Atlantic/Kushner‑Locke.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
José Santana
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal








Outros
A Dublagem
Nos últimos anos da década de 1980, quando os desenhos de ação e ficção científica dominaram as manhãs da TV brasileira, um grupo de soldados de elite desembarcou nas telas com um visual sombrio e enredos surpreendentemente maduros.
Spiral Zone, marcou os fãs pela estética futurista e pela atmosfera de guerra biológica. Criado nos Estados Unidos, o seriado foi baseado na linha de brinquedos japonesa Special Force Group Spiral Zone, da Bandai, produzida entre 1985 e 1988 — e adaptada para o público americano pela DC Comics e pela Atlantic-Kenner.
A animação estreou em 1987, produzida pela Atlantic-Kenner em parceria com o estúdio japonês Visual 80, totalizando 65 episódios. O Brasil a conheceu pouco depois, quando foi exibida na Rede Globo, dentro do Xou da Xuxa, no final dos anos 1980, conquistando o público infantil com sua mistura de ação militar e ficção científica.
Entre a Luz e a Zona: A História e o Enredo
Spiral Zone é ambientada em um futuro próximo — o longínquo ano de 2007 — onde o mundo está parcialmente dominado por uma névoa misteriosa criada por um grupo de terroristas conhecidos como Black Widows (“Viúvas Negras”). A névoa, chamada de “Zona”, transforma os humanos contaminados em seres zumbificados e sem vontade própria, escravos de uma força invisível.
Contra esse império de trevas, surge o grupo de elite Zone Riders, liderado pelo destemido Comandante Dirk Courage, um soldado que, junto a sua equipe internacional, luta para libertar o planeta dos domínios do cruel Overlord, o antigo cientista James Bent que se rebelou contra o governo e agora comanda as forças inimigas. Cada episódio misturava ação, estratégia militar e um tom sombrio incomum para os desenhos exibidos na época — algo que o tornava fascinante e até assustador para o público infantil.
A Chegada e Trajetória no Brasil
No Brasil, Spiral Zone chegou à Rede Globo junto com um pacote de animações para comemorar o aniversário do Xou da Xuxa no dia 30 de junho de 1988. Embora não tenha alcançado o mesmo nível de fama de outras animações da época, como Comandos em Ação, o desenho chamou atenção pela sua estética sombria e trilha sonora marcante. Por aqui também era anunciado pela Rainha dos Baixinhos como Zone Riders nome do grupo de heróis.
A série também se destacou por abordar temas pouco comuns em animações exibidas em horário infantil — como guerra biológica, manipulação mental e totalitarismo —, o que a tornava mais próxima de uma ficção científica adulta, mas sem perder o apelo heroico que encantava o público mirim.
A animação foi lançada em DVD pela Karine Vídeo e na ocasião recebeu uma redublagem da qual não conseguimos identificar nenhuma voz ou o estúdio onde foi feita.
Vozes da Resistência: A Dublagem Brasileira
A versão brasileira de Spiral Zone teve duas dublagens conhecidas — uma realizada no Rio de Janeiro, pelo estúdio Herbert Richers, e outra em São Paulo, cuja origem exata permanece incerta.
A dublagem carioca trazia vozes firmes e veteranas, que ajudavam a dar credibilidade aos heróis e vilões da série. Luiz Feier Motta emprestava sua voz marcante ao Comandante Dirk Courage, líder dos Zone Riders, enquanto Ettore Zuim dublava o corpulento Wolfgang “Tank” Smith. A presença de Miriam Ficher como Katerina “Kat” Anastasia conferia força e carisma à única mulher da equipe, e Orlando Prado trazia serenidade ao Tenente Hiro Taka, o estrategista japonês do grupo.
Do lado sombrio, o vilão Overlord (dublado originalmente por Neil Ross) ganhou uma voz imponente na versão brasileira, a de Francisco José. Outros destaques incluem Ayrton Cardoso como Razorback e Júlio Chaves dando vida ao ameaçador Reaper e Jane Kelly como a Duquesa.
A dublagem brasileira de Spiral Zone é lembrada pelo cuidado em adaptar expressões militares e científicas de modo compreensível para o público jovem, sem descaracterizar o tom tenso da produção. Mesmo sem os recursos de mixagem atuais, o trabalho de voz transmitia intensidade — as falas soavam graves, heroicas e cheias de urgência, reforçando o clima de resistência global contra o domínio das Zonas.
Uma Zona Esquecida
Apesar de sua curta duração e da ausência de reprises nas décadas seguintes, Spiral Zone permanece uma joia cult da animação dos anos 1980. Sua combinação de ficção científica, ação e drama influenciou outras produções posteriores, inclusive animes e séries ocidentais que exploraram temas semelhantes.
No Brasil, o desenho ainda vive na memória de quem o assistiu nas manhãs do Xou da Xuxa, entre um quadro musical e outro, quando o mundo sombrio de Spiral Zone parecia um tanto assustador — mas absolutamente fascinante.





























