Hikari Sentai Maskman - 光戦隊マスクマン
Defensores Da Da Luz – Maskman
- de 28/02/1987 a 20/02/1988.
- 1 temporada (51 episódios,).
- Toei Company.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Nair Silva
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo
MÍDIAS:
Televisão e VHS
Elenco Principal






Outros


A Dublagem
Esquadrão da Luz – Maskman (光戦隊マスクマン, Hikari Sentai Maskman) é a 11ª série da franquia Super Sentai, produzida pela Toei Company. No Japão, foi exibida originalmente entre 28 de fevereiro de 1987 e 20 de fevereiro de 1988, no horário das 18h, totalizando 51 episódios.
A trama marcou uma virada dentro da franquia, trazendo uma abordagem mais séria e conceitos inovadores. A produção trabalhou uma elaborada coreografia de lutas, cada integrante com seu estilo próprio de artes marciais, explorando técnicas como karatê, kung fu, tai chi chuan, kempô e ninjitsu. Essa diversidade deu personalidade a cada guerreiro e ajudou a diferenciar Maskman de suas antecessoras.
Apesar disso, apenas o ator Ryosuke Umezu (Takeo/Red Mask) não tinha experiência prévia com artes marciais, precisando de treinamento intensivo antes das filmagens. Já a atriz Mina Assami ganhou destaque ao interpretar duas personagens centrais: as gêmeas Yan e Igan, responsáveis por alguns dos pontos mais dramáticos da narrativa.
Maskman também foi pioneira em vários aspectos: apresentou o primeiro robô formado por cinco partes, introduziu o conceito de uma segunda bazuca de equipe e trouxe o primeiro sexto membro da história de Super Sentai, o Mask X-1, ainda que sua aparição tenha ocorrido apenas no episódio 39 (“A Aparição de Mask X-1”). Outro diferencial foi o uso dos Kuji-in, gestos de meditação oriental que simbolizavam o despertar do “Poder Aura”, energia psíquica latente em cada herói e chave para canalizar suas habilidades.
Enredo
A história começa quando o pesquisador Sanjuro Sugata, especialista em poderes mentais, descobre a existência do Império Subterrâneo Tube, uma civilização localizada abaixo do Japão. Inicialmente pacífico, o império se torna uma ameaça após o tirano Zeba assumir o comando, impondo um plano de dominação mundial que pretendia transformar a Terra em um lugar frio e sombrio.
Para combatê-lo, Sugata recruta cinco jovens artistas marciais, despertando neles o Poder Aura e transformando-os nos Defensores da Luz Maskman. O grupo passa a enfrentar monstros, guerreiros e generais do Império Tube, liderados por Zeba.
Entre os inimigos está Igan, comandante do império e irmã gêmea de Yan, que fora enviada como espiã contra os Maskman. Entretanto, ao conviver com os heróis, ela se apaixona por Takeo/Red Mask, dividindo-se entre o amor e a lealdade a Tube. Do outro lado, a Princesa Yan é aprisionada em um esquife de gelo como punição por sua traição.
Ao longo da série, os heróis utilizam armas como a Bomba Projétil, que mais tarde é substituída pelo Jato Canhão, além do robô Great Five, formado pela união de seus veículos. Eles também contam com o Land Galaxy, um caminhão de combate.
No clímax, o vilão Zeba ergue seu castelo à superfície e revela sua verdadeira forma: o demônio Issaldogla. Para derrotá-lo, os Maskman recebem a inesperada ajuda de uma arrependida Igan, que se reconcilia com a irmã Yan e se sacrifica para limpar a honra de sua família.
Exibição no Japão e no Brasil
No Brasil, a série foi importada pela Everest Vídeo e estreou em 22 de abril de 1991 na Rede Manchete, dentro do programa infantil Cometa Alegria, no horário das 11h. Permaneceu na grade até 1992 e retornou em 1999, novamente na Manchete, em uma reprise que trouxe pela primeira vez o tema de encerramento da série.
A última transmissão aconteceu na RedeTV!, antes da emissora estrear oficialmente sua programação, mas apenas até o episódio 36 foi exibido.
Além da TV, Maskman chegou ao home vídeo. Em 1991, a Videolar lançou dois volumes em VHS, contendo os episódios 3 e 4 no primeiro e 7 e 8 no segundo. A série também ganhou uma adaptação em quadrinhos pela Editora Abril, seguindo a mesma linha de publicações de outras produções tokusatsu populares na época.
Recepção e Cancelamento de Futuras Séries
Maskman foi a última série Super Sentai dublada e lançada oficialmente no Brasil. Segundo Toshihiko Egashira, dono da Everest Vídeo, um dos motivos foi a saturação do gênero tokusatsu no país. Durante os anos 80 e início dos 90, houve uma verdadeira “corrida pela audiência” entre emissoras com séries do tipo, e, embora as produções de Super Sentai fossem populares, não alcançaram o mesmo sucesso das da franquia Metal Heroes, como Jaspion e Jiraiya.
Além disso, o verdadeiro lucro dessas produções não vinha das exibições televisivas, mas da venda de produtos licenciados (brinquedos, discos, quadrinhos, shows etc.). Como Maskman não repetiu o êxito comercial de seus antecessores, Egashira optou por cancelar os planos de trazer as séries seguintes, Liveman e Turboranger, cujos nomes chegaram a ser registrados no Brasil, mas nunca foram lançados.
Outro ponto curioso é que o filme da série, Hikari Sentai Maskman: The Movie, não foi dublado no Brasil. Os motivos foram a falta de contato adequado entre a Everest e a equipe internacional da Toei, além do valor mais alto que a distribuidora cobrava pelos longas-metragens, que possuíam maior orçamento e haviam sido exibidos nos cinemas japoneses.
Dublagem Brasileira
Se por um lado Maskman não repetiu no Brasil o estrondoso sucesso de Changeman e Flashman, por outro lado sua dublagem entrou para a memória de quem acompanhou a série. Realizada no tradicional Estúdio Álamo, em São Paulo, a versão brasileira soube transmitir o tom épico e dramático da produção japonesa, ao mesmo tempo em que se adaptava às necessidades do público infantil brasileiro do início dos anos 90.
Uma das escolhas mais marcantes foi a adaptação dos nomes. Takeru tornou-se Takeo, Haruka passou a ser chamada de Sayaka (mesmo nome de uma das heroínas de Changeman), e Momoko foi rebatizada como Keiko. Alterações assim eram comuns nos tokusatsus trazidos pela Everest, mas em Maskman ganharam peso especial: ajudaram a reforçar a identidade brasileira da obra e tornaram os personagens mais próximos das crianças que os acompanhavam.
Mais curioso ainda foi o caso do personagem Príncipe Igan, que no original era uma mulher disfarçada de homem. Para o público nacional, a adaptação preferiu assumir de vez a feminilidade e a personagem se tornou Princesa Igan – escolha que, apesar da liberdade criativa, acabou dando mais clareza à trama.
O elenco de vozes era um verdadeiro time de craques da dublagem paulista, muitos deles jovens na época, mas que se tornariam referências da profissão. Francisco Brêtas deu firmeza e carisma ao protagonista Takeo/Red Mask, enquanto Carlos Laranjeira e Wendel Bezerra (este ainda no início da carreira) trouxeram energia juvenil para Kenta/Black Mask e Akira/Blue Mask. As vozes femininas também marcaram: Alessandra Araújo (Sayaka/Yellow Mask) e Rosana Peres (Keiko/Pink Mask) equilibravam ternura e determinação, sem cair no estereótipo frágil que muitas vezes recaía sobre heroínas da época.
Entre os vilões, a dublagem brilhou igualmente. Gilberto Baroli, já conhecido como a voz de grandes antagonistas, emprestou sua imponência ao Comandante Sugata, enquanto José Parisi Jr. e Élcio Sodré reforçavam a aura sombria de Zeba e Oyubu. Patrícia Scalvi e Rosa Maria Baroli deram profundidade e dramaticidade a Igan e Yan, acentuando ainda mais o conflito das irmãs que se dividiam entre lealdade e amor.
Outro detalhe importante é o cuidado com a sonoridade dos diálogos. A equipe da Álamo manteve o ritmo intenso das falas japonesas, mas sem atropelar a compreensão, algo que contribuiu para que os embates e discursos soassem naturais ao público brasileiro. Mesmo com os cortes e adaptações da época, o resultado foi uma versão que não perdeu a intensidade do original.
Em retrospecto, a dublagem de Maskman representa um momento-chave: foi a última série Super Sentai oficialmente dublada no Brasil. A partir dali, a saturação do gênero no mercado e as decisões comerciais da Everest enterraram os planos de trazer Liveman e Turboranger. Isso dá à dublagem um caráter quase de “testamento” – um registro final de uma era em que os tokusatsus japoneses falavam português com naturalidade e conquistavam plateias inteiras.
Mais de três décadas depois, rever Maskman com essa dublagem é redescobrir não só a série, mas também um capítulo da história da dublagem brasileira: a época em que jovens atores, muitos ainda iniciando carreiras brilhantes, deram voz e vida a heróis que, mesmo não sendo os mais populares de sua linhagem, continuam vivos na memória afetiva de quem os acompanhou.







































