Elenco de Dublagem - Séries

Kyojuu Tokusou Jaspion - 巨獣特捜ジャスピオン

O Fantástico Jaspion

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Líbero Miguel/ Gilberto Baroli

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Álamo

MÍDIAS:

Televisão - VHS - DVD - Youtube

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A Dublagem

Kyojuu Tokusou Jaspion (巨獣特捜ジャスピオン), conhecido no Brasil como O Fantástico Jaspion, nasceu no Japão em 1985 como parte da franquia Metal Hero.

Produzida pela Toei Company e exibida originalmente pela TV Asahi entre 15 de março de 1985 e 24 de março de 1986, a série somou 46 episódios que misturavam ficção científica, monstros colossais e uma boa dose de aventura intergaláctica. O nome “Juspion”, como se chamava no original, é uma fusão de “Justice” e “Champion”, ou seja, “Campeão da Justiça”.

No Brasil, a série fez um enorme sucesso quando chegou dublada pela Álamo em um trabalho de adaptação que marcou uma geração.


 

Profecias, monstros e batalhas de proporções cósmicas

A trama começa com a Bíblia Galáctica, uma tábua sagrada que profetizava o surgimento de um demônio espacial nascido da energia negativa do universo: Satan Goss. Quando esse ser despertasse, provocaria o caos e a fúria de monstros gigantes, mergulhando a Via Láctea em trevas.

Nesse cenário surge Jaspion, um menino órfão salvo pelo sábio Edin após a queda de uma nave espacial. Criado como filho e treinado para a batalha, o jovem recebe armas e equipamentos extraordinários: a armadura Metaltex, a espada Espadium Laser, a nave Daileon capaz de se transformar em robô gigante, além do apoio da androide Anri e de sua companheira alienígena Miya.

A missão de Jaspion é clara: enfrentar Satan Goss e seus seguidores, entre eles o carismático e impiedoso MacGaren, autointitulado filho do vilão. Ao longo dos episódios, o herói encara mercenários espaciais, feiticeiras, monstros colossais e até uma trama envolvendo o mítico Pássaro Dourado, peça-chave para a derrota definitiva das forças do mal.

O resultado é uma narrativa épica, recheada de explosões, efeitos práticos, trilhas vibrantes de Michiaki Watanabe e atuações marcantes, com Hikaru Kurosaki no papel principal e Junichi Haruta brilhando como MacGaren, dispensando dublês em muitas cenas.


 

Do VHS ao horário nobre

A estreia de Jaspion no Brasil foi um marco absoluto. Primeiro chegou em fitas VHS pela Everest Vídeo e, pouco tempo depois, conquistou as manhãs da Rede Manchete, em fevereiro de 1988, dentro do Clube da Criança. O sucesso foi imediato: em questão de semanas, o herói superava até mesmo o Xou da Xuxa da Globo em audiência, transformando-se em um fenômeno.

Logo movimentava uma verdadeira indústria de produtos — brinquedos, quadrinhos, álbuns de figurinhas, chicletes, discos e até o lendário Circo Show Jaspion & Changeman, que lotava arenas por todo o país.

A iniciativa partiu do empresário Toshihiro Egashira, que percebeu o potencial dos tokusatsus ao observar a procura por fitas japonesas em sua locadora. Ele adquiriu os direitos de Jaspion e Changeman e, com apoio de Beto Carrero, firmou o acordo que levou as séries à Manchete.

O fenômeno se expandiu para além da TV, com revistas em quadrinhos publicadas pela EBAL, Bloch e depois pela Abril, apresentações teatrais, uma linha de brinquedos completa e reprises em canais como a Record (1995) e a CNT/Gazeta (1997).

Anos mais tarde, a série retornou em DVD e, já na era digital, ganhou espaço no YouTube oficial da Toei, desta vez com sua clássica dublagem brasileira — prova de que, mesmo após décadas, o apelo de O Fantástico Jaspion continua tão forte quanto no auge dos anos 80.

Também foi exibida no canal  Sato+, que pode ser acessado através do aplicativo Samsung TV Plus, disponível para quem possui um TV da Samsung. Inicialmente essa exibição foi legendada e tempos depois contou com a conhecida dublagem.


 

Vozes que deram vida ao herói

Se Jaspion se tornou parte da memória afetiva dos brasileiros, muito disso se deve ao trabalho primoroso da Álamo, em São Paulo, sob direção de Líbero Miguel e Gilberto Baroli. A dublagem não se limitou a traduzir, mas a criar um universo sonoro que falava diretamente às crianças da época.

Carlos Takeshi emprestou sua voz ao protagonista, equilibrando firmeza e emoção, dando a Jaspion um tom heroico sem perder a humanidade. Borges de Barros, como Edin, transmitia a autoridade de um mentor profético, enquanto Suzana Lakatos trouxe ternura e leveza à pequena Miya.

Já os vilões ganharam entonações memoráveis: Ricardo Medrado fez de MacGaren uma ameaça magnética, e o próprio Líbero Miguel deu voz a Satan Goss, com uma carga dramática que marcou gerações.

O elenco feminino também brilhou: Denise Simonetto e depois Cecília Lemes deram vida à androide Anri em momentos distintos, mostrando como a personagem se transformava ao longo da série. Figuras recorrentes como Kilza, Kilmaza e Titânia ganharam força graças a vozes experientes como Maximira Figueiredo e Neuza Maria Faro. 

O cuidado em manter nomes originais de armas e veículos, a energia nas batalhas e o peso dramático das falas foram elementos que ajudaram a fixar Jaspion como algo único. A dublagem brasileira não apenas acompanhou o ritmo da série, mas deu a ela uma identidade local, ao ponto de muitos fãs preferirem a versão em português à japonesa.


 

O legado do guerreiro de metal

Mais do que um seriado, O Fantástico Jaspion virou um fenômeno cultural. Foi o primeiro tokusatsu a explodir em popularidade no Brasil, abrindo caminho para Changeman, Flashman, Jiraiya, Jiban e tantos outros heróis japoneses que dominaram a TV nos anos 80 e 90. Sua audiência histórica na Manchete o transformou em um marco, lembrado até hoje em documentários, convenções e publicações sobre cultura pop.

Em 2018, a Editora JBC lançou o mangá O Regresso de Jaspion, uma continuação oficial da história, comprovando a força duradoura da marca. E a cada relançamento – seja em DVD, streaming ou no YouTube – uma nova geração descobre o herói de armadura prateada que luta em nome da justiça.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

3 Replies to “

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