Elenco de Dublagem - Desenhos

Star Wars: Droids

Droids

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

No embalo do imenso sucesso da saga Star Wars, a Lucasfilm decidiu expandir seu universo para além dos cinemas. Uma das iniciativas mais marcantes foi a criação de duas animações voltadas ao público infantojuvenil: Ewoks e Droids. Esta última, intitulada originalmente Star Wars: Droids – The Adventures of R2-D2 and C-3PO, estreou em 1985, trazendo os icônicos androides da trilogia clássica para o centro das atenções.

Ambientada cronologicamente antes dos eventos do Episódio IV – Uma Nova Esperança, a série mostra C-3PO e R2-D2 em aventuras independentes, passando por diferentes planetas e mestres, envolvidos em tramas políticas e perseguições típicas do universo criado por George Lucas.

No Brasil, Droids chegou pela Rede Globo nos anos 1980, dublada nos estúdios da Herbert Richers, mantendo o padrão de qualidade e fidelidade que a dublagem carioca oferecia aos fãs da franquia naquela época.

 

Galáxias Distantes, Histórias Paralelas: A Produção e o Enredo

Produzida pela Lucasfilm em parceria com a Nelvana, Droids foi exibida originalmente entre setembro de 1985 e junho de 1986, com 13 episódios (mais um especial) que apresentavam os simpáticos droides C-3PO e R2-D2 em suas próprias jornadas. A proposta era explorar o universo expandido de Star Wars, criando narrativas independentes protagonizadas por personagens já queridos do público — desta vez, longe dos holofotes dos Skywalker e focando em situações mais cotidianas (mas nem por isso menos perigosas) em mundos desconhecidos da galáxia.

A série foi dividida em dois grandes arcos: o primeiro envolvendo o piloto Thall Joben e seu amigo Jord Dusat; o segundo com o explorador Mungo Baobab em suas missões comerciais pelo planeta Roon. Com animação fluida para os padrões da época e trilha sonora energética — inclusive com a abertura “Trouble Again”, composta por Stewart Copeland, do The Police —, Droids apresentava tons que misturavam ação, humor e aventura leve. Ainda que tenha tido vida curta, serviu como um exercício experimental da Lucasfilm para entender o potencial de sua marca entre os mais jovens e fora dos cinemas.

 

Uma Transmissão do Espaço: A Chegada e Trajetória no Brasil

No Brasil, Droids estreou oficialmente em 1986, como parte da programação infantil da TV Globo, dentro do Xou da Xuxa. Era exibido nas manhãs, ao lado de outras animações que capturavam a imaginação das crianças daquela geração — e seu visual futurista e ritmo de aventura se encaixavam perfeitamente no espírito do programa. A exibição na Globo marcou o contato inicial do público brasileiro com um derivado de Star Wars animado, o que já era, por si só, uma novidade ousada e fascinante para os fãs da franquia.

Após seu período na TV aberta, Droids ficou um tempo fora do ar, até reaparecer nos anos 1990 em canais pagos como o FOX Kids, que reapresentou a série para um novo público. Mais recentemente, a série foi incorporada ao catálogo do Disney+, possibilitando que novos fãs da saga conhecessem essa curiosa peça do universo expandido — e permitindo um reencontro nostálgico para quem assistiu à série nas manhãs da Globo. 

 

Vozes de uma Galáxia Distante: A Dublagem Brasileira

A dublagem brasileira de Droids, realizada pelos estúdios Herbert Richers, é um dos pontos altos da versão nacional da série. Embora não se saiba com certeza quem dirigiu os trabalhos, o elenco escalado foi de primeira linha, reunindo alguns dos maiores nomes da dublagem brasileira da década de 1980 — vozes que já eram associadas a personagens marcantes do cinema e da televisão.

C-3PO, sempre tagarela e dramático, ganhou a voz de Marco Antônio Costa, com bastante efeito, que entregou uma interpretação fiel à proposta original, com uma entonação levemente afetada e bem-humorada, reproduzindo com competência o perfil neurótico e protocolar do androide. Já R2-D2 manteve seus sons eletrônicos originais, sem dublagem, como na versão americana, o que é parte do charme do personagem.

Entre os humanos, Orlando Prado emprestou seu timbre sério e maduro a Thall Joben, enquanto Lauro Fabiano interpretou com intensidade e carisma o aventureiro Mungo Baobab. André Filho, como sempre brilhante, viveu o jovem Jann Tosh com energia juvenil e naturalidade, mais uma vez provando por que era uma das vozes mais queridas da época. Miriam Ficher também marcou presença como Kea Moll, conferindo à personagem uma voz firme e determinada, equilibrando doçura com coragem.

Magalhães Graça foi escalado como o  Tio Gundy, e seu desempenho trouxe o tom rabugento e afetuoso necessário ao papel. Luiz Feier Motta dublou Jord Dusat usando um timbre mais suave e articulado, enquanto o sempre versátil Orlando Drummond deu vida ao mafioso Sise Fromm, com um tom sutilmente cômico que enriquecia o vilão. José Santa Cruz teve papel de destaque na série, interpretando diversos personagens como Vlix, Kleb Zellock, Governador Koong e o imenso Great Heep — sempre com variações vocais convincentes que destacavam sua impressionante capacidade de transformar-se vocalmente. José Santana também contribuiu com autoridade como o Almirante Screed, assim como Ionei Silva, que interpretou Mon Julpa.

A dublagem de Droids é uma aula de interpretação e entrosamento entre vozes e personagens. Mesmo sendo um derivado com vida curta, a adaptação nacional mostra o esmero com que produções do universo Star Wars já eram tratadas no Brasil desde os anos 1980 — antecipando a grandiosidade que a franquia ganharia nas décadas seguintes por aqui.

 

Além das Estrelas

Apesar de ser uma série de curta duração, com apenas 13 episódios e um especial, Droids ocupa um lugar especial no coração dos fãs mais antigos de Star Wars. Lançada numa época em que a franquia ainda não havia se expandido como conhecemos hoje, a animação foi uma das primeiras tentativas de transportar o universo galáctico para o público infantil, mostrando as aventuras paralelas de C-3PO e R2-D2 em planetas distantes, longe dos holofotes dos Skywalkers e Jedi.

No Brasil, o desenho marcou uma geração bombardeada com produções estrangeiras dubladas. O impacto dessa estreia televisiva se perpetuou ao longo dos anos com reprises esporádicas na TV por assinatura, em canais como FOX, e, mais recentemente, com sua disponibilização no Disney+, reacendendo o interesse pela animação entre colecionadores, nostálgicos e novos fãs da saga.

O principal trunfo de Droids é sua contribuição para o chamado “Universo Expandido” de Star Wars. A série apresentou personagens e planetas que, mesmo não tão celebrados quanto os da trilogia clássica, ajudaram a compor a vastidão do cânone da franquia — alguns elementos, inclusive, foram resgatados posteriormente em quadrinhos, jogos e até séries como The Clone Wars e Rebels.

A dublagem brasileira, por sua vez, resiste como um legado sonoro valioso. A escalação da Herbert Richers com dubladores consagrados fez da versão nacional uma das mais queridas da época, e até hoje é lembrada com carinho pelos fãs. A combinação da voz inconfundível de Marco Antônio Costa como C-3PO, a direção cuidadosa (ainda que não creditada) e a ambientação sonora mantida com fidelidade garantiram uma experiência local de qualidade, numa época em que nem todas as animações estrangeiras recebiam tratamento tão dedicado.

Droids pode ter sido uma peça menor dentro da mitologia de Star Wars, mas seu valor histórico e cultural vai muito além da tela. É um testemunho do esforço criativo de George Lucas em ampliar sua galáxia para novas audiências, e da competência da dublagem brasileira em acompanhar esse universo — com talento, profissionalismo e emoção.

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem tão completo desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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