Akai Kōdan Zillion - 赤い光弾ジリオン
Zillion
- 14/09/1968 a 30/08/1969.
- 1 temporada (17 episódios, 2 segmentos).
- Filmation Associates.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Gilberto Baroli
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal












Outros
A Dublagem
Na segunda metade dos anos 80, o mercado de videogames vivia um momento de efervescência. A Sega, que buscava rivalizar com o domínio da Nintendo e seu popular Famicom, lançou o Master System. Mas, para conquistar a atenção do público japonês, a empresa decidiu ousar: apostou em um jogo que utilizava uma pistola de luz no lugar do joystick tradicional.
O projeto ganhou ainda mais força quando a Sega uniu forças com a Tatsunoko Productions e a emissora NTV para produzir um anime que funcionaria como vitrine e chamariz para o game. Assim nasceu Zillion, uma série que extrapolou a função de simples peça de marketing e acabou se tornando um clássico cult dos anos 80.
Entre batalhas e carisma: o enredo de Zillion
A trama se passa no planeta Maris, uma colônia humana ameaçada por uma raça alienígena conhecida como Nozas. Essa espécie, à beira da extinção, busca garantir sua sobrevivência plantando ovos no planeta, o que inevitavelmente entra em choque com a vida humana.
Para combater a ameaça, surgem as lendárias armas chamadas Zillion, de origem misteriosa, entregues a três jovens atiradores que formam o núcleo da força especial White Nuts.
O grupo é liderado pelo irreverente JJ, personagem central que mescla humor, ousadia e carisma; ao seu lado está Champ, um sujeito que esbanja confiança e coragem, mas que esconde hábitos inesperados, como o gosto por tricô; e completando o trio, a doce e destemida Apple, a voz feminina que equilibra a equipe com inteligência e sensibilidade.
Eles contam ainda com o apoio do comandante Gordon, de outros aliados como Dave e Amy, e do mascote Bongo, que garantiu popularidade própria entre os fãs.
Do outro lado, o inimigo ganha vida na figura da rainha Adamis e de seu braço direito, o temido Barão Hicks. Os Nozas, com seu visual de insetos mecanizados, tornaram-se antagonistas memoráveis, ajudando a reforçar a tensão de uma narrativa que mesclava ação futurista e toques de drama.
Chegada turbulenta ao Brasil
Zillion chegou ao Brasil em 1988, em meio à explosão dos videogames da Sega no país, trazidos pela Tec Toy. A série estreou na Rede Globo, inicialmente nas manhãs de domingo, mas enfrentou exibições desordenadas e constantes mudanças de horário. Eventualmente, foi transferida para o Xou da Xuxa, onde conquistou mais público, mas logo acabou sendo relegada a madrugadas e espaços de “tapa-buraco”.
Com o fim do contrato da Tec Toy com a Globo, a animação encontrou novo lar na TV Gazeta, no programa Gazetinha. Lá, finalmente foi exibida em ordem, mas sem alcançar o impacto que poderia ter, devido ao alcance limitado da emissora.
Pouca gente sabe, porém, que antes dessa trajetória a Everest Vídeo chegou a enviar a série para ser dublada pela Maga, estúdio ligado ao SBT. Esse trabalho, entretanto, nunca foi lançado oficialmente. Décadas depois, trechos dessa dublagem “perdida” começaram a vazar no YouTube, atiçando a curiosidade dos fãs e revelando um pedaço pouco conhecido da história do anime no Brasil.
As vozes de Zillion: duas dublagens, uma paixão
No Brasil, existem duas dublagens de Zillion: a nunca lançada da Maga e a consagrada da Álamo, que ficou eternizada na memória dos fãs. Enquanto a Maga ficou apenas em registros de teste, a versão da Álamo foi a exibida oficialmente, trazendo nomes de peso da dublagem nacional.
A versão oficial, realizada no estúdio Álamo sob direção de Gilberto Baroli, transformou a animação em uma experiência próxima e cativante para o público nacional.
O trio protagonista ganhou interpretações que souberam equilibrar carisma e intensidade. Carlos Laranjeira deu vida a JJ com sua voz firme e envolvente, conferindo ao personagem o tom aventureiro e divertido que o tornou tão querido. Ao lado dele, Eduardo Camarão assumiu Champ, trazendo a leveza necessária para o companheiro fanfarrão, enquanto Neuza Maria Faro imprimiu delicadeza e determinação à Apple, a integrante feminina que servia de equilíbrio emocional ao grupo.
Os coadjuvantes também receberam interpretações memoráveis. O comandante Gordon, por exemplo, foi marcado pela imponência vocal de Jorge Pires, enquanto Anne, personagem de apoio fundamental, ganhou doçura e sensibilidade com a interpretação de Cristina Rodrigues. Entre os vilões, o destaque vai para a poderosa Nair Silva, que se desdobrou em dois papéis: deu a força imponente à Rainha Adamis e também foi a responsável pela narração, conferindo peso e dramaticidade à abertura e aos resumos de episódio. Já o cruel Barão Hicks ficou a cargo de Mário Vilela, cuja voz grave trouxe ainda mais intensidade ao antagonista.
A dublagem da Álamo conseguiu imprimir emoção, personalidade e ritmo à série, o que se mostrava essencial para um anime que mesclava ação futurista e momentos de drama. Mais do que uma simples adaptação, as vozes brasileiras ajudaram a consolidar a identidade de Zillion entre os fãs, transformando a obra em parte da memória afetiva de uma geração.
A Marca de Zillion
Apesar de ter tido sua produção encerrada no Japão com apenas 31 episódios dos 52 planejados, Zillion deixou uma marca profunda. Ganhou um OVA, Burning Night, que misturava música e ação em uma aventura paralela, e também fez sucesso nos EUA, onde foi distribuído pela Harmony Gold sem as alterações drásticas que marcaram Robotech.
No Brasil, Zillion teve um papel fundamental: mostrou que animes podiam render produtos e se tornarem verdadeiros fenômenos culturais. Álbuns de figurinhas, revistas de passatempos, camisetas, lancheiras e outros artigos pipocaram no mercado nacional, marcando a infância de uma geração.
Mesmo após décadas, a série ainda é lembrada com carinho. Seus personagens carismáticos, a ousadia da Sega em atrelar tecnologia e animação, e a força de sua dublagem brasileira fizeram de Zillion um título inesquecível. Um anime que começou como um “chamariz publicitário”, mas acabou conquistando espaço próprio na memória afetiva de milhares de fãs.



















One Reply to “”