Centurions
Os Centurions
- de 07/04/1985 a 12/12/1986.
- 2 temporada (65 episódios).
- Ruby-Spears Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Mário Monjardim
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


Aparições Recorrentes
Outros


“Vindos do futuro o Dr. Terror e seu companheiro Hacker unem suas forças para conquistar a Terra! Somente uma força pode deter essa trama: a união de três homens que tendo inventado os raios exo podem ser transportados para qualquer lugar.
Utilizando um incrível sistema de armas de ataque, comandado pela Estação Espacial Sky Vault, eles se transformas a força extrema Homem Máquina Max Ray brilhante comandante de operação no mar Jake Rockwell especialista nas operações em terra Ace McCloud ousado especialista nas operações aéreas.
Qualquer que seja o desafio eles estão prontos… Os Centurions!”
A Dublagem
Lançado nos EUA em meados dos anos 80, Centurions surfou a febre de ficção científica e brinquedos “high-tech” para entregar ação non-stop e um conceito irresistível: três especialistas — ar, terra e mar — que “veste-acoplam” (plug & play, antes do termo existir) módulos de combate em segundos.
No Brasil, a série desembarcou em 1987 e rapidamente ganhou fãs — muito graças a uma dublagem vibrante feita no estúdio Herbert Richers, que cravou as vozes brasileiras de Ace McCloud, Max Ray e Jake Rockwell no imaginário de uma geração.
De onde vem a “Força Extrema”: produção, conceito e enredo
Produzida pela Ruby-Spears e animada no Japão pelo Studio 7 da Sunrise, Centurions nasceu como uma parceria pensada para dialogar diretamente com a linha de brinquedos da Kenner. O universo visual contou com a mão de feras dos quadrinhos como Jack Kirby e Gil Kane no desenvolvimento inicial de conceitos e designs — com o refinamento de Norio Shioyama nos modelos de personagens. O resultado foram 65 episódios (um arco inicial em minissérie seguido de uma série diária), exibidos em syndication nos EUA entre 1986 e 1987.
A premissa é simples e eficiente: do alto da estação orbital Sky Vault, Crystal Kane aciona os heróis Ace McCloud (operações aéreas), Max Ray (operações marítimas) e Jake Rockwell (operações terrestres), que fazem o download — literalmente — dos módulos exo adequados a cada missão.
Do outro lado, o ciborgue Dr. Terror e seu assecla Hacker tentam dominar o planeta com tecnologia bélica e tropas mecanizadas. O bordão “Power Xtreme!” sela a transformação, e cada episódio gira em torno de sabotagens tecnológicas, resgates e confrontos que trocam de cenário e kit de armamento a todo momento.
“Transportar e acoplar!”: chegada e trajetória no Brasil
Por aqui, Os Centurions chegaram em 1987, dentro do Xou da Xuxa — parte de um pacote de animações internacionais que a Globo trouxe na esteira do boom de programas infantis diários, tais como: Rambo e a Força da Liberdade, Meu Querido Ponei e Ewoks.
O formato casou perfeitamente com o ritmo do programa: aberturas impactantes, episódios autônomos e muita “troca de armadura” para prender a atenção. A série voltaria a circular em reprises pontuais ao longo do fim dos anos 80 e início dos 90 na TV aberta, sempre reconhecível pela chamada em português e pelo título adotado por fãs à época, “Força Extrema”. (Dados de exibição nacionais com base no acervo de fãs e na ficha de dublagem compartilhada por você.)
Vozes que viraram armadura: a dublagem brasileira
A versão brasileira, dirigida por Mário Monjardim na Herbert Richers, é um daqueles casos em que a dublagem não só acompanha o original — ela o turbinou. Garcia Neto entregou um Max Ray sereno e estrategista, sem perder o pulso de líder tático quando a ação mergulhava; Júlio Cézar Barreiros imprimiu ao Jake Rockwell o timbre direto e “pé no chão” que o personagem pedia, com humor seco na medida; Amaury Costa fez de Ace McCloud um ás carismático, com aquele brilho de fanfarrão competente que dá graça às cenas aéreas.
No comando das missões, Adalmária Mesquita deu a Crystal Kane elegância e firmeza de controle — a famosa “voz de ponte” que guia o episódio.
Entre os vilões, Marcos Miranda (um Dr. Terror metálico e ameaçador) contracenou deliciosamente com o Hacker de Orlando Drummond, que encontrava um tom debochado sem descambar para a caricatura. A icônica narração de abertura de José Santana em português — com “Detroit do futuro” dando lugar ao nosso “vindos do futuro…” — ancorava tudo com gravidade e ritmo telejornalístico, preparando o terreno para o “Power Xtreme!” em alto e bom som.
O conjunto reforça por que essa dublagem é lembrada: sincronismo caprichado, adaptações enxutas e escolhas vocais que colam no arquétipo de cada herói e vilão, mantendo o espírito techno-militar da série e tornando os diálogos naturais para o público brasileiro.
Brinquedo, HQ e memória afetiva
Centurions foi pensado para o ecossistema transmídia de sua época — desenho + brinquedo + quadrinhos (a DC publicou material derivado) — e isso deixou marcas.
A estética de módulos acopláveis e especializações por ambiente influenciou linhas de brinquedo e outras animações “techno-hero” posteriores. Para quem viu na TV brasileira, a série plantou duas sementes: a do fascínio por hardware (quem nunca esboçou um “kit” novo no caderno?) e a da alta conta da dublagem nacional como parte da obra.
Reassistida hoje, a produção mostra seu DNA Ruby-Spears/Sunrise: designs potentes, framing de ação limpo e narrativa de missão — e, do nosso lado do Atlântico, permanece como um caso exemplar de como vozes e adaptação local podem converter um bom desenho em mito geracional.

























