Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

Star Trek: The Animated Series

Jornada nas Estrelas - A Série Animada

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Garcia Neto

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Álamo

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

Outros

Abertura em Português

“Espaço, a fronteira final.

Essas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos de explorar novos mundos para pesquisar novas vidas e novas civilizações. Audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve.

Jornada nas Estrelas!
Uma distribuição Bras Continental.

Versão brasileira: Álamo, São Paulo.”

A Dublagem

Quando Jornada nas Estrelas – A Série Animada estreou em 1973, algumas crianças ainda não conheciam o fenômeno televisivo que era sua versão live-action.

Produzida pela Filmation Associates, a animação manteve viva a essência de Star Trek, explorando novos mundos e dilemas éticos, ao mesmo tempo em que aproveitava o formato animado para apresentar criaturas e cenários impossíveis de serem mostrados com os recursos limitados da televisão da época.

No Brasil, a série desembarcou em 1975, oferecendo ao público brasileiro uma nova oportunidade de acompanhar as aventuras da tripulação da USS Enterprise. Com duas temporadas e um total de 22 episódios, a animação se tornou um elo importante entre a série clássica e o futuro da franquia, reforçando sua presença na cultura pop mundial e também no imaginário dos fãs brasileiros.


 

Explorando Novos Mundos: O Enredo e a Produção da Série

A versão animada de Jornada nas Estrelas trouxe de volta personagens e elementos familiares ao público, mas abriu espaço para ousadias criativas. Com as limitações técnicas da televisão em live-action deixadas de lado, a Filmation pôde criar alienígenas com fisiologias mais complexas e planetas com ecossistemas grandiosos. Entre as novidades, estavam os personagens Arex, um oficial de três braços e três pernas, e M’Ress, uma felina da raça Caitiana, ambos adicionando diversidade à ponte de comando.

O enredo dos episódios seguia a tradição de Star Trek: aventuras que iam muito além de combates e exploração espacial, colocando os personagens diante de dilemas morais, questões políticas e reflexões sobre a convivência entre culturas diferentes. Cada episódio buscava reforçar o espírito otimista da franquia, onde a ciência, a diplomacia e a coragem eram as ferramentas mais poderosas da tripulação da Enterprise.


 

A Viagem ao Brasil: Do Globo Cor Especial à Redescoberta

No Brasil, Jornada nas Estrelas – A Série Animada foi exibida pela primeira vez em 1975, na Rede Globo, dentro do programa dominical Globo Cor Especial. Para muitos fãs brasileiros, essa foi a primeira chance de acompanhar novas histórias da tripulação do Capitão Kirk após a exibição da série original.

Contudo, a animação não permaneceu tanto tempo em cartaz. No início dos anos 80, ela desapareceu da grade televisiva e só voltou a ser lembrada com seu lançamento em DVD, décadas mais tarde.

Em 2016, o título foi resgatado pela Netflix, que trouxe a série ao público moderno com uma redublagem feita pela Rioart, possibilitando que novas gerações de fãs conhecessem ou revisitassem essa fase especial da franquia.


 

As Vozes do Espaço: A Dublagem Brasileira

A primeira versão brasileira de Jornada nas Estrelas – A Série Animada foi realizada pelo estúdio Álamo, sob a direção de Garcia Neto, que também deu voz ao icônico Sr. Spock. O trabalho de dublagem foi fundamental para que a animação tivesse a mesma força que a série clássica já havia conquistado.

O Capitão Kirk ganhou a voz firme e carismática de Astrogildo Filho, que soube transmitir a autoridade e, ao mesmo tempo, a humanidade do personagem. Ao seu lado, o Dr. Leonard McCoy foi interpretado por João Ângelo, conferindo ao médico seu tom de ironia e compaixão característicos. A voz grave e expressiva de Ézio Ramos trouxe vida ao engenheiro Montgomery Scott, enquanto Eleu Salvador emprestou seu talento ao timoneiro Hikaru Sulu. A Tenente Uhura foi brilhantemente interpretada por Helena Samara, uma das vozes femininas mais reconhecíveis da dublagem brasileira, que conseguiu transmitir a elegância e a determinação da personagem.

Personagens recorrentes também tiveram atenção especial. O oficial Arex recebeu a voz de Jorge Pires, enquanto outros, como a Enfermeira Chapel e M’Ress, não tiveram seus dubladores identificados, mas ajudaram a compor a diversidade sonora da tripulação. Apesar de algumas lacunas na identificação de vozes, o trabalho da Álamo foi marcado pela seriedade e pela busca em manter o tom épico que Star Trek exigia.

Um ponto que chama atenção é como a dublagem lidou com episódios de maior densidade temática, como The Infinite Vulcan. Nesse capítulo, o Sr. Sulu é envenenado por uma planta alienígena e só sobrevive graças à intervenção de um Phylosiano, criatura inteligente com fisiologia vegetal. O episódio aborda conceitos complexos como clonagem, eugenia e pacifismo imposto à força, além de resgatar elementos das Guerras Eugênicas, já citadas na série original. A dublagem brasileira conseguiu traduzir esses diálogos carregados de filosofia e tensão de maneira clara e acessível, sem perder o tom sério da narrativa. 

Assim, a dublagem brasileira não apenas tornou a série compreensível, mas também preservou o caráter reflexivo de Jornada nas Estrelas. Ao lidar com temas como clonagem, identidade e convivência entre diferentes povos, as vozes nacionais ajudaram a manter a franquia fiel à sua proposta original: usar a ficção científica como um espelho para discutir dilemas humanos. Mesmo em um desenho animado, a Álamo soube dar a Jornada nas Estrelas o tom de seriedade que a consolidou como um clássico.

Já a redublagem feita pela Rioart para a Netflix em 2016 trouxe novas vozes e outra abordagem, dividindo a opinião de fãs. Muitos mantêm um carinho especial pela versão da Álamo, que marcou época e está profundamente ligada à primeira exibição da série no Brasil.


 

O Legado da Série Animada

Embora muitas vezes vista como um “elo de transição” dentro da franquia, Jornada nas Estrelas – A Série Animada tem um legado sólido. Foi nela que surgiram ideias e personagens que seriam retomados em séries posteriores, e muitos roteiros foram escritos por veteranos da série clássica, garantindo consistência ao universo da franquia.

No Brasil, o desenho deixou sua marca como parte da formação da base de fãs de Star Trek. Para aqueles que acompanharam na televisão nos anos 70, a série se tornou um pedaço precioso da memória afetiva. Já para as gerações mais novas, a redescoberta em DVD e streaming permitiu que a animação fosse valorizada como parte integral do cânone.

Assim, Jornada nas Estrelas – A Série Animada provou que a franquia tinha fôlego para se expandir em diferentes formatos, mantendo-se fiel ao espírito original de Gene Roddenberry. Uma ponte entre o passado e o futuro de Star Trek, que continua ecoando como parte essencial da longa missão de explorar novos mundos e novas civilizações.

VEJA TAMBÉM A DUBLAGEM DA:

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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