The Completely Mental Misadventures of Ed Grimley
As Desventuras de Ed Grimley
- de 10/09/1988 a 03/12/1988.
- 1 temporada (13 episódios).
- Hanna-Barbera Productions

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Cinevídeo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Outros


A Dublagem
Em 1988, a Hanna-Barbera ousou trazer para a TV infantil um personagem até então ligado ao humor adulto: Ed Grimley, criação do comediante Martin Short que já fazia sucesso no Saturday Night Live e no SCTV.
O resultado foi a série animada The Completely Mental Misadventures of Ed Grimley (As Desventuras Completamente Malucas de Ed Grimley, em tradução livre), exibida pela NBC entre setembro e dezembro daquele ano.
Foram apenas 13 episódios em uma única temporada, mas suficientes para marcar história: foi a primeira animação de sábado de manhã baseada em um personagem do SNL e também em uma figura vinda do SCTV.
O toque brasileiro: a dublagem da Cinevídeo
Quando chegou ao Brasil, a série ganhou vida nova com a dublagem realizada pela Cinevídeo, estúdio carioca que marcou época em diversos clássicos dos anos 80 e 90. O trabalho dos dubladores brasileiros deu uma camada extra de personalidade ao desenho, tornando-o ainda mais carismático para o público nacional.
Ettore Zuim foi a escolha certeira para a voz de Ed Grimley. Sua interpretação equilibrava o exagero do personagem com uma entonação caricata, mas sem perder o timing cômico necessário para que as esquisitices de Grimley soassem engraçadas, e não apenas estranhas. Curiosamente, Zuim também dublou o Conde Floyd, reforçando a ligação entre os segmentos animados e os trechos em live-action.
A dobradinha de Patrick de Oliveira como o pequeno Wendell e Vera Miranda na voz da atrapalhada Sra. Malone deu à série uma energia jovial, transmitindo a leveza dos personagens secundários. Já Clécio Souto trouxe expressividade ao rato Sheldon, transformando o animalzinho em um verdadeiro alívio cômico.
Os Irmãos Gustav também ganharam vida com interpretações marcantes: Ionei Silva emprestou sua voz a Emil, enquanto José Santa Cruz dublou Roger Gustav, adicionando o peso e a seriedade que contrastavam com o humor nonsense dos episódios.
O resultado foi uma dublagem criativa, feita com cuidado, que respeitou o tom excêntrico da série e, ao mesmo tempo, adaptou o ritmo para a cadência brasileira. Para muitos que conheceram o desenho por aqui, foram essas vozes que realmente eternizaram o absurdo e o humor peculiar de Ed Grimley.
Entre o banal e o surreal: o enredo da série
A proposta do desenho era tão excêntrica quanto o próprio Ed Grimley. Cada episódio partia de uma situação cotidiana — um encontro com os vizinhos, uma ida ao trabalho, uma confusão em casa — e rapidamente descambava para aventuras surreais, cheias de absurdos cartunescos e humor nonsense.
O programa misturava diferentes formatos: além das histórias principais, havia esquetes dos cientistas malucos Irmãos Gustav, que ensinavam conceitos de ciência de forma cômica, e o quadro em live-action The Count Floyd Show, onde o personagem Conde Floyd (interpretado por Joe Flaherty) contava histórias de terror paródicas. Essa mescla de animação e ação ao vivo deu ao desenho um caráter único.
Os personagens que cercavam Grimley eram tão inusitados quanto ele: Leo Freebus, o rabugento proprietário do prédio, e sua esposa Deidre, ambos sempre envolvidos nas trapalhadas do inquilino; A vizinha Sra. Malone, uma atriz amadora desastrada, e seu irmãozinho Wendell, que adicionavam ainda mais confusão ao cotidiano.
Tinha ainda os inseparáveis animais de estimação de Ed: um peixe dourado chamado Moby e um rato genial chamado Sheldon, que muitas vezes roubava a cena; Um detalhe carismático fechava cada episódio: Ed escrevendo em seu diário, refletindo — à sua maneira exagerada — sobre os acontecimentos do dia.
Recepção e curiosidades
Apesar da criatividade, a série não conquistou espaço suficiente para uma segunda temporada. Críticos apontaram problemas de ritmo e de apelo para o público infantil, que nem sempre captava as origens satíricas do personagem. Ainda assim, a série ganhou certo culto nos anos 90, quando voltou ao ar em reprises no Cartoon Network e depois no Boomerang.
Vale destacar que a Hanna-Barbera chegou a patrocinar um concurso de “sósias do Ed Grimley”, vencido por um garoto de 10 anos em Iowa, e até a MTV chegou a demonstrar interesse em bancar uma segunda temporada — ideia abortada por questões de orçamento.














