Elenco de Dublagem - Desenhos

Pac-Man

Pac Man, o Comilão

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Telecine

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

A Dublagem

Pac-Man nasceu como um dos videogames mais icônicos da Namco no início dos anos 80. Em 1982, Hanna-Barbera Productions adaptou esse sucesso para uma série animada televisiva, transformando pela primeira vez um game em desenho animado regular com episódios de meia hora.

A animação seguiu vivo o espírito do jogo: labirintos, fantasmas, bolinhas, pílulas de poder — mas adicionou uma camada familiar, com Pac-Man vivendo em Pac-Land com esposa, filho, animais de estimação — tudo isso temperado por vilões fantasmas (os clássicos Inky, Blinky, Pinky, Clyde e Sue) comandados pelo sombrio Mezmeron. 

 


Produzir fantasmas e diversão: a essência da série

A série Pac-Man segue um modelo clássico de animação familiar e infantil, mas diferenciado pelo fato de ser uma das primeiras adaptações de videogame para TV — um precursor dos muitos desenhos que viriam depois de jogos populares. As casas, ruas, objetos e moradores de Pac-Land têm estética esférica, reforçando visualmente a identidade do jogo original. A narrativa gira em torno das constantes ameaças dos Monstros-Fantasmas (Inky, Blinky, Pinky, Clyde e Sue), que trabalham para Mezmeron, cujo plano central é encontrar e controlar a Floresta de Pílulas de Força — fonte de energia ou poder que sustenta Pac-Land e serve de motor narrativo para muitos conflitos. Há episódios em que Pac-Man ou membros da família usam pílulas-força para virar o jogo contra os fantasmas. 

A estrutura da série também traz momentos de humor, trapalhadas domésticas (Pac-Man como pai, marido, dono de bichos de estimação), vilões com falhas, e situações previsíveis de desastre seguido de resolução — fórmula muito presente nos anos 80. A segunda temporada introduz personagens como PJ, primo adolescente de Pac-Man, e Super-Pac, que trazem variações ao núcleo familiar, acrescentando episódios com temas mais de “aventura juvenil” ou super-herói desajeitado. 


 

Chegada, reviravoltas na TV brasileira e replay nostálgico

No Brasil, o desenho estreou em 1987 pela Rede Bandeirantes, no programa ZYB Bom. Nessa primeira exibição, usou a dublagem feita pela Telecine, na qual Pac-Man foi renomeado para Comilão.

Mais tarde, entre 1998 e 1999, a Rede Globo trouxe o desenho de volta, desta vez com nova dublagem, feita pela Sincrovídeo, mantendo o nome original “Pac-Man”. Finalmente, nos anos 2005-2006, o SBT exibiu o desenho no Sábado Animado, apresentando ambas as versões dubladas (Telecine e Sincrovídeo) em sua programação. 


 

Vozes e vozerões: a dublagem brasileira em foco

A dublagem brasileira de Pac-Man: O Comilão tem uma história curiosa porque ela existe em pelo menos duas versões principais — Telecine (original para o Brasil) e Sincrovídeo (posterior).

A versão Telecine, usada no fim dos anos 80, renomeou Pac-Man para Comilão, dando tom mais humorístico e adaptando o personagem para soar mais acessível ao público infantil da época. Nomear personagens dessa forma — Comilão, Comilona, etc. — fazia parte da cultura de localização da época, quando muitas adaptações de nomes eram feitas para soar “mais engraçadas” ou “mais familiares”. Ÿ 

As vozes envolvidas no elenco Telecine mostravam uma tradição de estúdios que trabalhavam com animações importadas, em que dubladores precisavam ajustar ritmo, emoção, e mesmo piadas para caber no formato da televisão brasileira (cortes, sincronização, clareza). Por exemplo, Ayrton Cardoso foi a voz de Pac-Man (“Comilão”), Neuza Tavares como a esposa (“Comilona”), Miriam Ficher como Pac-Baby, Milton Luís como o vilão Mezmeron.

Comparando com dublagens em outros países ou versões em inglês: em geral, as vozes originais de Hanna-Barbera (EUA) usavam bastante exagero vocal e expressões muito caricatas — para enfatizar humor físico, para crianças, etc. No Brasil, as duas versões de Pac-Man seguiram essa tradição em parte, especialmente nas vozes dos fantasmas, no vilão Mezmeron, e nas interações engraçadas entre Pac-Man / Comilão e sua família. Mas há momentos em que a dublagem brasileira suaviza ou adapta piadas ou expressões para o contexto local, de modo que referências culturais ou o ritmo do diálogo fiquem mais fluídos. A adaptação linguística (como escolhas de termos coloquiais, expressões idiomáticas) também varia entre as duas versões — a versão mais antiga tende a usar termos da época, com expressões mais “anos 80”, enquanto a versão da Sincrovídeo é mais “atemporal” nesse sentido.

 


Do joystick à memória: o legado de Comilão

O legado de Pac-Man: O Comilão tem múltiplas camadas. Em primeiro lugar, como pioneiro: foi uma das primeiras adaptações de videogame para desenho animado, abrindo caminho para muitas outras que viriam (e ainda vêm).

Segundo, como parte da memória afetiva de quem cresceu nos anos 80 e 90 no Brasil: muitos guardam lembrança de assistirem na Bandeirantes, na Globo, no SBT, de dublagens diferentes, de músicas nas aberturas, da voz do Comilão, das frases engraçadas do vilão ou dos fantasmas. Ter ambas as versões dubladas disponíveis em alguns reprises permite comparação e nostalgia dupla.

Por fim, em estilo e personalidade: Pac-Man não era só comilão de pastilhas, era comilão de aventura, trapalhada, família, vilões exagerados — e isso tornou a série divertida e memorável. A estética esférica, os fantasmas caricatos, o tom leve (mesmo nos perigos fantasmas) ajudaram muito. Para muitos, o Comilão é parte de uma infância que une o jogo, a TV aberta, vozes marcantes e tardes de sábado ou domingos tranquilos assistindo desenhos.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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