The Tom and Jerry Show
O Novo Festival Tom e Jerry
- de 06/09/1975 a 13/12/1975.
- 1 temporada (16 episódios, 48 segmentos).
- Hanna-Barbera Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Olney Cazarré
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
AIC - São Paulo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


Aparições Recorrentes
Outros


A Dublagem
Em 1975, a Hanna-Barbera Productions, em parceria com a Metro-Goldwyn-Mayer Television, decidiu dar um novo rumo a dois dos personagens mais populares da animação mundial. Assim nasceu The New Tom and Jerry Show, conhecido no Brasil como O Novo Festival Tom e Jerry.
Diferente dos curtas clássicos exibidos no cinema entre 1940 e 1967, a série foi produzida diretamente para a televisão e tinha uma proposta ousada: transformar a rivalidade histórica entre gato e rato em uma relação de amizade.
Essa mudança, por mais curiosa que fosse, acabou marcando a primeira grande reinvenção da dupla para o público televisivo.
Do ringue para o piquenique
Lançada em 6 de setembro de 1975 no canal ABC, a série fazia parte da tradição das manhãs de sábado nos Estados Unidos. Produzida pela Hanna-Barbera, tinha a missão de adaptar Tom e Jerry ao modelo televisivo da época, mais leve, menos violento e próximo de outras produções do estúdio,.
Ao invés de perseguições explosivas, tapas e trombadas, vimos episódios em que gato e rato se uniam em pequenas aventuras, explorando cenários e situações típicas do formato seriado animado dos anos 70.
O motivo da suavização era claro: pressões sociais e regulatórias contra violência em desenhos infantis, muito comuns naquele período. Assim, Tom e Jerry se tornaram quase “melhores amigos”, o que dividiu profundamente os fãs acostumados às trapalhadas agressivas dos curtas originais.
No total, foram produzidos apenas 16 episódios (48 segmentos), reflexo da recepção morna e da queda de audiência em relação à fama cinematográfica da dupla.
Tom e Jerry na TV brasileira
No Brasil, O Novo Festival Tom e Jerry chegou no início dos anos 80, exibido dentro do Programa do Bozo, que era um dos grandes carros-chefe do SBT. Para muitos fãs brasileiros, essa foi a primeira oportunidade de ver a dupla em um formato seriado, diferente dos clássicos curtas que já eram conhecidos.
A exibição, no entanto, foi pontual: após passar no Bozo, a série praticamente desapareceu da programação da TV aberta nacional. Diferente dos episódios clássicos, reprisados à exaustão por emissoras como a Globo e o próprio SBT, a versão de 1975 não conquistou espaço prolongado. Mesmo assim, marcou uma geração de espectadores que estranhou — e ao mesmo tempo se divertiu — ao ver Tom e Jerry de mãos dadas em aventuras menos destrutivas.
A dublagem que deu vida à nova fase
Se nos Estados Unidos a série soava diferente por natureza, no Brasil a transformação foi ainda mais marcante graças ao trabalho de dublagem. Realizada pela AIC (Arte Industrial Cinematográfica) em São Paulo, a adaptação nacional foi dirigida por Olney Cazarré, profissional experiente que sabia equilibrar o humor leve com o tom infantil necessário para aquele novo Tom e Jerry.
A dublagem brasileira deu identidade própria à série: Olney Cazarré emprestou sua voz ao próprio Tom, oferecendo um timbre que soava ingênuo e simpático, reforçando a nova personalidade do gato, mais parceiro que perseguidor. Já Jerry ganhou a voz da talentosa Leda Figueiró, que trouxe um tom vibrante e alegre, alinhado ao espírito travesso mas agora amistoso do ratinho.
O buldogue Spike, por sua vez, ficou a cargo de José Soares, que imprimiu firmeza e autoridade, mas com nuances cômicas que suavizavam sua figura — menos “ameaçador” que nos curtas clássicos.
O resultado foi uma dublagem que cumpriu bem seu papel dentro da proposta da época: tornava a animação acessível, divertida e adaptada ao gosto das crianças brasileiras. Se para os fãs mais puristas a mudança no enredo soava estranha, para o público infantil da televisão aberta a dublagem ajudava a criar empatia com aquela versão mais “boazinha” de Tom e Jerry.
Entre tapas, abraços e memórias
Embora O Novo Festival Tom e Jerry não tenha alcançado o sucesso dos curtas originais, sua importância está no contexto histórico. Foi a primeira tentativa real de adaptar os personagens ao universo televisivo seriado, abrindo espaço para outras reinvenções que viriam nas décadas seguintes.
No Brasil, a memória dessa versão permanece viva principalmente pela dublagem marcante e pelo fato de ter sido exibida no Programa do Bozo, parte do imaginário de uma geração. Para muitos, é lembrada como uma curiosidade dentro da vasta filmografia de Tom e Jerry — um “desvio de rota” onde gato e rato, inimigos eternos, arriscaram viver como amigos.
Hoje, essa série é revisitada como peça de coleção, mais pela nostalgia e pelo interesse histórico do que por popularidade. Mas o fato de ainda despertar debates mostra que até mesmo um fracasso relativo pode deixar marcas duradouras quando envolve personagens tão icônicos quanto Tom e Jerry.









