Dennō Keisatsu Saibākoppu - 電脳警察サイバーコップ
Cybercop, os Policiais do Futuro
- de 02/10/1988 a 05/07/1989
- 1 temporada (36 episódios).
- Toho Company.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Denise Simonetto
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
BKS
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


















Aparições Recorrentes














Outros


A Dublagem
Lançada originalmente no Japão entre 1988 e 1989 pela NTV, Cybercop (電脳警察サイバーコップ, Dennō Keisatsu Saibākoppu) é uma série do gênero tokusatsu produzida pelo estúdio Tōhō.
A trama futurista com robôs, armaduras e batalhas contra uma organização do mal ganhou algum destaque logo de cara: quando importada e exibida no Brasil, tornou-se Cybercop, os Policiais do Futuro.
Graças a sua presença prolongada e ao saudosismo Cybercop deixou marcas fortes para quem era criança ou jovem nos anos 90 — especialmente pela maneira como a dublagem brasileira ajudou a moldar a experiência da série no Brasil.
Ficção, tecnologia e heróis
A trama de Cybercop se passa em 1999, numa Tóquio tomada pelo crime. A Polícia Metropolitana, percebendo sua incapacidade de conter a situação com meios convencionais, cria a unidade especial ZAC (Zero Section Armed Constable). Três armaduras ultra-tecnológicas são fabricadas: Marte, Saturno e Mercúrio.
No primeiro episódio, surge Shinya Takeda, que aparece do nada com sua própria armadura, a de Júpiter, se juntando à equipe. Ele vem do século XXIII, em uma linha de tempo onde máquinas da organização vilã Destrap dominaram o mundo, e seu passado misterioso está intimamente ligado ao dos outros personagens.
Além das batalhas externas, o enredo aprofunda conflitos pessoais: arrependimento, memória perdida, justiça, dilemas éticos (como confiabilidade da tecnologia, ou até traição). Personagens como Akira/Marte têm psicologias mais sombrias e profundas do que meros “heróis bons e vilões maus”.
A riqueza está nos defeitos e temores dos heróis, nas falhas da tecnologia que sustenta armaduras futurísticas, nas relações interpessoais — inclusive romances — e na ambiguidade moral que aparece com a figura de Lúcifer, que nem sempre é aliado, nem sempre antagonista “puro”.
Visualmente, a série mistura cenários urbanos, tecnologia de ficção científica, efeitos práticos típicos de tokusatsu (armaduras, robôs, explosões), com uma trilha sonora característica. Embora os efeitos não tenham sido considerados os mais avançados nem os mais bonitos (comparados a séries mais famosas da Toei, por exemplo), Cybercop conquistou por sua narrativa fora do lugar-comum para o gênero.
Chegada e trajetória no Brasil
A série estreou no Brasil em 12 de outubro de 1990, pela Rede Manchete, no programa Clube da Criança, trazida pela Sato Company, de Nelson Sato. Ela permaneceu no ar por alguns anos, resistindo entre reprises e fissuras na programação. Curiosamente, o contrato de exibição com o SBT quase aconteceu, mas não se finalizou; acabou sendo com a Manchete.
A estreia em 1990 marcou os primeiros episódios exibidos pela Manchete. O público foi capturado pela novidade e pela combinação entre ação, ficção científica e heróis futuristas. A série teve reprises constantes, o que ajudou a consolidar sua audiência e memória.
Houve, porém, limitações: a Manchete não exibiu todos os episódios originalmente exibidos no Japão. Faltaram ao menos os quatro últimos episódios regulares (31–34) ou episódios especiais. Alguns deles só foram disponibilizados posteriormente, com dublagem pronta, por meio de colecionadores. Também existiram reprises por outras emissoras, e o material ganhou vida em fitas VHS, revistas em quadrinhos (pela Editora Abril) e merchandising — o que ajudou a manter o interesse.
Mais tarde, já em 2000, foi reprisada pela CNT. Também já foi exibida pela Ulbra TV de Porto Alegre. Em 2018, é exibido pela TV Diário de Fortaleza.
Dublagem brasileira: vozes que marcaram uma era
A versão brasileira de Cybercop foi realizada no estúdio BKS, com direção de dublagem de Denise Simonetto, e locução de Francisco Borges.
Dublada em São Paulo, a série teve o elenco de vozes fazendo personagens centrais com perfis bem diferentes, o que exigia versatilidade.
Orlando Viggiani dublou Shinya Takeda/ Júpiter. Viggiani era voz já bem conhecida no meio, o que ajudou a dar carisma para o protagonista; Flávio Dias emprestou voz a Akira Hojyo/ Marte, personagem de temperamento intenso, líder relutante, às vezes ríspido — algo que pede um tom autoritário mas com nuances emocionais.
Luiz Antônio Lobue foi a voz de Ryōichi Mōri/ Saturno, mais leve, debochado, bem-humorado. Lobue já tinha experiência com heróis; jás Eudes Carvalho deu voz a Osamu Saionji/ Mercúrio, personagem mais quieto, mais reservado, menos em destaque no começo — exigindo sutileza nos tons mais baixos, menos explosivos.
A direção de Denise Simonetto foi importante para coordenar essas vozes com o estilo tokusatsu, em que há momentos de drama, de ação física, de transformação, de discurso heroico. A dublagem consegue traduzir não só o diálogo literal, mas emocionalmente fazer com que o espectador brasileiro “sinta” o que os heróis estão passando: angústia, tensão, bravura, dúvida.
Em muitos casos, as falas foram adaptadas de maneira a soar natural em português, mesmo com expressões que vêm de uma cultura diferente.
Outro ponto: embora a qualidade técnica de áudio — por mixagem ou por equipamentos — não fosse sempre excelente (há relatos de “chuviscos”, microfones com reverberação metálica, som pouco limpo comparado a outras dublagens de estúdios maiores), o elenco compensava bastante com dedicação, entrega vocal e timbres marcantes. Os heróis ficaram com vozes que muitos fãs guardam até hoje na memória.
Também há a curiosidade de que alguns episódios, mesmo depois de dubladas, não foram exibidos originalmente pela Manchete, o que fez com que algumas vozes ficassem “guardadas” com o público colecionador, até serem liberadas ou encontradas depois.
Memória, estilo e influência
Cybercop deixou vários legados, visíveis até hoje para quem gosta de tokusatsu, de séries antigas ou da cultura pop brasileira.
Personagem bem marcados: personagens com defeitos, medos, motivações pessoais fortes — como Marte com seu passado traumático, Takeda com sua identidade perdida, Tomoko com seu mistério — diferenciam Cybercop de muitas outras séries do gênero que apostavam mais em ação pura. Esse diferencial dramático é citado por fãs como parte importante de seu charme.
O estilo narrativo era uma mistura de ficção científica, ação, efeitos práticos bem toques de mistério. Também a estética das armaduras, visuais futuristas (para o fim dos anos 80) atraíram o público. Não era só lutas: era futurismo, dilema humano, ambiguidade.
Cybercop gerou quadrinhos no Brasil (pela Editora Abril), merchandising, apresentação em circo-show das armaduras, shows ao vivo, fitas VHS, e uma memória afetuosa. Quem cresceu vendo na Manchete ou assistindo reprises lembra com carinho.
A força da dublagem nostálgica: mesmo com falhas técnicas, as vozes que marcaram personagens, os bordões, os tons heroicos, os momentos dramáticos persistem na lembrança — e isso é mérito tanto do elenco quanto da produção brasileira em valorizar esse trabalho.


















