Elenco de Dublagem - Desenhos

Around the World in 79 Days

A Volta ao Mundo em 79 Dias

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Luiz Manoel

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Dublasom Guanabara

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Entre intrigas internacionais, corridas malucas e vilões desajeitados, A Volta ao Mundo em 79 Dias marcou presença como uma das produções mais ousadas da Hanna-Barbera nos anos 60. Baseado livremente na obra de Júlio Verne, o desenho trocava os tons sisudos da literatura vitoriana por cores vibrantes, perseguições cartunescas e doses generosas de aventura. Mas, para os brasileiros, foi a dublagem irreverente da Dublasom Guanabara que transformou a série em mais do que um desenho animado — virou um passaporte direto para a imaginação tropical.


 

De Júlio Verne para os Sábados da Hanna-Barbera

Estreando em setembro de 1969, “Around the World in 79 Days” teve apenas 17 episódios produzidos, mas entregava uma proposta inovadora: uma narrativa contínua — algo incomum nos desenhos da época — com um objetivo definido: dar a volta ao mundo em menos tempo que o célebre personagem Phileas Fogg.

Só que aqui, a missão recai sobre os ombros de Phineas “Fini” Fogg Jr., filho do herói literário, que parte em sua jornada ao lado de dois jovens repórteres: a destemida fotógrafa Jenny Trent e o animado jornalista Hoppy (ou “Hobbi”, na dublagem brasileira). Juntos, enfrentam os planos do sinistro Grão-de-Bico, um mordomo amargurado e rival confesso, sempre acompanhado do atrapalhado Bomba e do macaco de estimação, Simão.

Em ritmo de aventura e com espírito de reportagem, o trio embarcava em situações mirabolantes pelos quatro cantos do planeta, enfrentando sabotagens, ciladas e peripécias em cada escala do balão.


 

A Chegada ao Brasil — Embarque pela TV Bandeirantes

No Brasil, a série foi exibida pela primeira vez no início dos anos 1970 como parte do pacote A Turma da Gatolândia, ao lado dos desenhos É o Lobo! e Zé Bolha e Juca Bala e Gatolândia. A proposta era entregar uma programação de uma hora recheada de segmentos curtos, dinâmicos e recheados de gírias, ritmos modernos e trilhas psicodélicas.

A TV Bandeirantes foi a responsável por apresentar essa viagem semanal ao público infantil, numa época em que os desenhos de Hanna-Barbera representavam o auge do entretenimento televisivo infantil no Brasil. A série também voltou esporadicamente em reprises nas décadas seguintes, sempre com a dublagem original da época.


 

Um Balão de Charme Made in Dublasom Guanabara

A versão brasileira foi produzida no estúdio Dublasom Guanabara, no Rio de Janeiro, e contou com um elenco afiado e vozes que se tornariam queridas por gerações. André Filho dava o tom confiante e destemido ao protagonista Fini, equilibrando jovialidade e heroísmo com sua voz clara e firme. Nelly Amaral oferecia doçura e determinação à Jenny, enquanto Édson Silva emprestava ao Hobbi uma energia contagiante e cômica.

No papel do vilão Grão-de-Bico, o sempre preciso Magalhães Graça adicionava camadas de ironia ao personagem, tornando-o mais divertido do que ameaçador — no melhor estilo dos antagonistas atrapalhados que a Hanna-Barbera sabia fazer tão bem. Antônio Patiño, por sua vez, trazia seu habitual talento cômico à voz de Bomba, o capanga estabanado. O macaquinho Simão, como era comum na época, manteve os efeitos vocais originais gravados por Don Messick.

Com direção de Luiz Manoel, a dublagem da série se destaca pela fluidez dos diálogos, adaptações espertas de gírias e bordões, e um entrosamento vocal que fazia parecer que a aventura estava saindo direto da Lapa ou da Urca, e não das páginas de um romance francês. Era aquele tipo de trabalho em que os dubladores pareciam se divertir tanto quanto os personagens — e isso transparecia no resultado.


 

Uma Viagem que Não Sai da Memória

Apesar da curta duração da série original, A Volta ao Mundo em 79 Dias permaneceu na memória afetiva do público brasileiro, especialmente graças à força de sua dublagem. A mistura de ação contínua, comédia física e personagens carismáticos garantiu seu lugar como um dos segmentos mais queridos de A Turma da Gatolândia.

Hoje, embora pouco reprisada e ainda sem lançamento oficial em home vídeo no Brasil, a série é lembrada por colecionadores e entusiastas como um exemplo claro do quanto a dublagem nacional foi essencial para eternizar desenhos que, de outra forma, talvez tivessem sido esquecidos.

E se a viagem durava apenas 79 dias para Fini e seus amigos, o carinho do público brasileiro por essa aventura ultrapassou décadas — uma volta ao mundo feita de vozes, memórias e saudade.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.