It's the Wolf
É o Lobo!
- de 12/09/1970 a 02/11/1970.
- 1 temporada (15 episódios).
- Hanna-Barbera Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Luiz Manoel
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Dublasom Guanabara
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Outros


A Dublagem
Produzido pelo lendário estúdio Hanna‑Barbera, É o Lobo! (no original It’s the Wolf) estreou em 12 de setembro de 1970, englobando apenas uma temporada de 15 episódios até 2 de novembro de 1970.
A proposta era simples e genial: o Lobo‑Bobo (“Mildew Wolf”) trama intermináveis planos para saborear o ingênuo Carneirinho (“Lambsy Divey”), mas sempre acaba descoberto pelo fiel supervisor Cachorrão (“Bristle Hound”). A graça, no entanto, reside nos disfarces absurdos do lobo e na exasperante ingenuidade do carneirinho – cujo bordão “É o lobo!” ecoava antes do inevitável castigo canino.
Chegada à Telinha Brasileira
Por aqui, o desenho ganhou relevância ao integrar o bloco Gatolândia, com A Volta ao Mundo em 79 Dias e Zé Bolha e Juca Bala. Exibido nos anos 70 em emissoras abertas, tornou‑se modesto sucesso cult.
Décadas depois, com o relançamento no canal Boomerang, episódios foram regravados, renovando o apelo nostálgico entre adultos que cresceram com a versão original.
Vozes que Enlouquecem: A Mágica da Dublagem
A dublagem de É o Lobo! no Brasil teve um papel crucial para o sucesso do programa. Direcionada por Luiz Manoel, a dublagem foi feita no estúdio Dublasom Guanabara. Diferente de muitas dublagens da época, aqui o elenco colou gírias, inseriu diálogos regionais e até metáforas culturais – como quando o Lobo‑Bobo, disfarçado, menciona “frequentar um terreiro toda terça e quinta”, num jogo de ambiguidade humorística carregado de brasilidade.
Essas falas não estavam apenas traduzindo o que foi dito no original; elas estavam incorporando elementos da cultura brasileira, gerando uma identificação imediata com o público local. Esse tipo de liberdade e criatividade era raro para a época, o que só fazia o trabalho ser ainda mais admirado pelos fãs.
A voz de Waldir Fiori, como o Lobo-Bobo, ficou marcada pela sua interpretação astuta e bem-humorada, que transmitia toda a esperteza do personagem de maneira única. Já Ruth Schelske, ao dar vida ao Carneirinho, trouxe toda a doçura e ingenuidade que o personagem precisava, criando uma química perfeita com os outros personagens. A voz de Milton Luís, que dublou o Cachorrão, sempre soava como uma figura protetora e ao mesmo tempo engraçada, o que elevava o humor da série.
Nos anos seguintes, quando o canal Boomerang trouxe de volta a série para as telinhas, houve uma nova redublagem. O estúdio Cinevideo
Ecos Eternos: O Legado que Ecoa
Mesmo com 50+ anos de existência e apenas 15 episódios, É o Lobo! deixou marcas profundas. Sua dublagem original é lembrada com afeto por entusiastas, fãs do humor pastelão e estudiosos da dublagem brasileira.
A produção se torna objeto de estudo sobre como uma tradução pode se tornar criação – e, melhor, criação genuína. A liberdade de adaptar piadas e bordões, aliada à performance única dos dubladores – que passaram a criar e enriquecer o material original – torna É o Lobo! um case clássico: o desenho americano que virou genuinamente brasileiro. Um lembrete de que a dublagem pode ser arte, quando respeita o texto original, mas não tem medo de colocar sua cara — e sua voz — na tradução.





