Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

Crazy Legs Crane

Crane, O Perna-Fina

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

No final dos anos 1970, em meio a uma onda de personagens excêntricos e humor pastelão, surgiu Crazy Legs Crane, a garça atrapalhada, mas cheia de personalidade, criada pela DePatie-Freleng Enterprises. Exibido originalmente em 1978, o desenho teve apenas uma temporada com 16 episódios, mas bastou esse curto voo para conquistar espaço ao lado de grandes nomes como a Pantera Cor de Rosa e o Inspetor.

Com seu corpo espichado, pernas longuíssimas e um jeito estabanado de lidar com as situações mais simples, Grou — como ficou conhecido no Brasil — virou um tipo de anti-herói cômico, meio perdido, meio inocente, mas sempre metido em confusões hilárias ao lado de seu filho Júnior e outros personagens igualmente peculiares.


 

Do Desenho Dentro do Desenho: A Chegada ao Brasil

A trajetória de Grou, o Perna-Fina, em terras brasileiras foi curiosa e fragmentada, tal qual sua forma de caminhar. Distribuído pela United Artists, o desenho não teve programa próprio de estreia, mas apareceu dentro da tradicional faixa da Pantera Cor de Rosa, como um pequeno “intervalo cômico” entre aventuras cor-de-rosa.

A primeira exibição aconteceu na TVS em 1982 — ainda no tempo em que o canal firmava sua identidade — e ousadamente no horário nobre, às 21h15. Em 1985, deu as caras no infantil do Palhaço Bozo, e no ano seguinte, passou a colorir as manhãs de domingo às 9h. Já em 1988, foi acolhido pelo programa Show Maravilha, aumentando sua exposição com o público jovem. Décadas depois, o desenho ainda teria uma sobrevida no canal Boomerang, com redublagem — mas isso, já é outro voo.


 

Um Novo Voo: A Redublagem da Herbert Richers

A dublagem original brasileira do Perna-Fina foi feita pelo estúdio Telecine, um dos pilares da dublagem no Rio de Janeiro nas décadas de 70 e 80.

Quando Crane, o Perna-Fina retornou às telas brasileiras pelo canal Boomerang, nos anos 2000, ele não veio sozinho — trouxe consigo uma nova roupagem vocal. A redublagem realizada pela Herbert Richers injetou fôlego moderno nas aventuras do grou atrapalhado, mantendo o espírito da obra original, mas com um elenco renovado e um acabamento sonoro mais limpo e dinâmico.

No papel principal, Márcio Seixas — conhecido por sua voz icônica em personagens como Bruce Wayne/Batman — emprestou ao Crane uma entonação mais grave, porém espirituosa, equilibrando o nonsense visual do personagem com um carisma vocal inconfundível. Ele também ficou encarregado da leitura de título, entregando aquele tom cerimonioso com precisão de veterano.

Peterson Adriano, no papel de Júnior, trouxe leveza e jovialidade às falas do filho do protagonista, criando uma química divertida entre os dois. Paulo Vignolo deu vida à Líbelula com aquele toque de ironia que o inseto precisava — sempre na linha tênue entre o irritante e o hilário. E Carlos Seidl, mestre em criar vozes marcantes, completou o time como Companheiro, com seu estilo já consagrado de timbre robusto e interpretação vivaz.

Diferente da versão dos anos 80, essa redublagem prezava por uma mixagem mais moderna e adaptações de falas que conversavam melhor com o público contemporâneo, sem perder o humor ingênuo do original. 

 

Pernas Longas, Memória Duradoura

Embora muitos brasileiros ainda guardem na memória as vozes da primeira dublagem de Grou, o Perna-Fina exibida nos anos 80, foi a redublagem da Herbert Richers que apresentou o personagem a uma nova geração, ajudando a manter viva a sua relevância num cenário televisivo em transformação.

Exibida pelo Boomerang, num momento em que os canais infantis buscavam resgatar clássicos com cara nova, essa nova versão fez mais do que modernizar o áudio — ela reacendeu o interesse pelo personagem com um humor mais lapidado e acessível ao público atual.

Para quem descobriu Crane pela primeira vez nos anos 2000, foi essa a versão definitiva — e para os fãs antigos, uma redescoberta que surpreendeu pela competência. Assim, a redublagem não apenas complementou a história do desenho no Brasil, como garantiu a ele um segundo fôlego nas memórias afetivas de quem cresceu rindo de suas trapalhadas.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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