Elenco de Dublagem - Séries

VR Troopers

VR Troopers

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

José Santana

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Quando a febre dos Power Rangers atingiu o mundo nos anos 90, a Saban Entertainment quis expandir seu universo de heróis live-action com uma nova proposta: VR Troopers (Virtual Reality Troopers). Estreou nos EUA em 1994, adaptando cenas de três séries japonesas da franquia Metal Hero (Metalder, Spielvan, e na segunda temporada Shaider).

 

Misturando Séries, Tecendo Aventura

A ideia central de VR Troopers era aproveitar a onda de tecnologia, realidade virtual e efeitos especiais incipientes nos anos 90, misturando isso com ação, monstros virtuais e heróis adolescentes.

Ryan Steele, Kaitlin Star e J.B. Reese são três jovens que recebem trajes especiais para se transformarem nos VR Troopers, liderados pelo Professor Hart, numa missão de impedir que o maligno Grimlord use a realidade virtual para invadir o mundo real com monstros e ameaças digitais.

A produção, como nas demais séries da Saban, recortou sequências de três produções japonesas distintas, costurando-as com tomadas gravadas nos EUA — o que exigiu adaptações de enredos, figurinos, inimigos e até de vilões para fazer a junção funcionar para o público americano (e, portanto, para o brasileiro).

Na primeira temporada, Metalder e Spielvan foram os materiais usados; na segunda, Shaider foi incorporada, criando misturas improváveis entre universos, vilões, e poderes. Apesar disso, a série teve duas temporadas completas, totalizando 92 episódios. 


 

Chegada e Trajetória no Brasil

No Brasil, ganhou público ao ser exibida pela Rede Globo a partir de 18 de setembro de 1995, depois reprisada em 1997-98 no programa Angel Mix. A dublagem brasileira, feita pela Herbert Richers, tornou os personagens e efeitos – por vezes híbridos entre realidade virtual e cenas japonesas – mais próximos do público nacional.

A série ganhou espaço no Brasil num momento em que a TV aberta buscava heróis, efeitos fantásticos e séries de ação para atrair o público juvenil.

Apesar de seu sucesso relativo, VR Troopers nunca teve o mesmo marketing de Power Rangers no Brasil, mas firmou uma base de fãs leal. Produtos licenciados apareceram — brinquedos, figurinhas, VHS — mesmo que não com a mesma abrangência. 


 

Vozes Brasileiras 

A dublagem da Herbert Richers, dirigida por José Santana, foi responsável por dar vida aos heróis em português. Ryan Steele, Kaitlin Star e J.B. Reese ganharam versões vocais que mantinham o espírito heroico e aventureiro da versão original,

O protagonista Ryan Steele, vivido por Marcus Jardym, teve sua firmeza e espírito de liderança bem transmitidos na versão nacional. Jardym emprestou uma voz jovem, mas decidida, que casava perfeitamente com o dilema do herói em busca do pai desaparecido. Ao lado dele, Marco Ribeiro interpretou J.B. Reese, trazendo um timbre seguro e racional, reforçando o contraste entre o lado mais cerebral do personagem e a impulsividade de Ryan.

Já Adriana Torres ficou responsável por Kaitlin Star, equilibrando força e sensibilidade. Sua interpretação deu credibilidade à personagem, que precisava transitar entre a bravura das batalhas virtuais e a postura de jornalista investigativa. Outro destaque foi o trabalho de José Santana, que além de dirigir a dublagem, também emprestou sua voz ao vilão Karl Ziktor/Grimlord. Sua atuação carregava a imponência necessária para dar peso ao inimigo que ameaçava os heróis.

No núcleo de apoio, Garcia Neto deu voz ao sábio Professor Horatio Hart, transmitindo calma e autoridade, enquanto Carlos Seidl encarnou o mestre Tao Chong, unindo serenidade oriental e firmeza paterna. Mauro Ramos trouxe carisma e leveza a Woody, dono do jornal onde Kaitlin trabalhava, servindo como contraponto cômico em meio às tramas mais pesadas.

Entre os vilões, os timbres também marcaram época: Ronaldo Magalhães deu vida ao sinistro Coronel Icebot, enquanto Jorge Lucas emprestou energia a Doom Master. Já Nádia Carvalho interpretou Despera, adicionando um tom ameaçador às vilãs femininas, e Newton Martins fez do General Ivar uma presença robusta em cena. Alfredo Martins como Decimator e Jorge Vasconcellos como Oraclon reforçaram a galeria de vozes potentes que povoavam o universo sombrio de Grimlord.

Nos papéis coadjuvantes, a dublagem também brilhou: Marcelo Torreão interpretou o atrapalhado Percy Rooney, garantindo momentos de alívio cômico; já Renato Rosenberg foi o responsável por dar dramaticidade a Tyler Steele, o pai de Ryan. E, claro, impossível não destacar o lendário Orlando Drummond como Jeb, o cachorro falante. Com sua experiência, Drummond trouxe humor e simpatia ao personagem, conquistando as crianças e suavizando as aventuras mais tensas.

A soma de todos esses talentos fez da dublagem brasileira de VR Troopers uma adaptação respeitosa, vibrante e inesquecível. Foi graças a essas vozes que os heróis virtuais se tornaram, para muitos fãs, ainda mais reais e memoráveis.

Apesar da qualidade quando foi lançada na Netflix, a série ganhou uma redublagem  realizada pela Gemini Media.

 


Porque Troopers Ainda Vive na Memória

VR Troopers deixou sua marca significativa. Para muitos telespectadores brasileiros, foi uma porta de entrada para universos de ficção científica mais visuais, para o tokusatsu misturado com realidade virtual, e para o gosto pelo “herói de sábado/tarde”.

Recentemente, o retorno da série pelos quadrinhos — como parte do universo expandido de Power Rangers Prime — mostra que há nostalgia e demanda. A própria cultura dos stickers, pôsteres, VHSs usados, e lembranças pessoais falam mais alto do que dados de audiência.

VR Troopers tornou-se parte de uma geração que cresceu com heróis híbridos, feitos de cenas japonesas e produção americana, e cuja principal vitória foi não se esquecer.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.