The Charlie Brown And Snoopy Show
Snoopy
- 17/09/1983 a 03/02/1986.
- 2 temporadas (18 episódios).
- Lee Mendelson Film Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Marcelo Gastaldi
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Maga
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal












Elenco Principal
Baseada nas icônicas tiras Peanuts, criadas por Charles M. Schulz, a série The Charlie Brown and Snoopy Show estreou nos Estados Unidos em 1983, com episódios curtos que traziam as aventuras cotidianas e filosóficas de Charlie Brown, seu cachorro Snoopy e os demais colegas de bairro.
A produção manteve o estilo minimalista das HQs originais, com trilhas suaves de jazz e diálogos simples, sensíveis e muitas vezes existencialistas.
Com apenas 18 episódios divididos em duas temporadas, o desenho consolidou ainda mais o sucesso da turma no universo da animação, que já vinha de dezenas de especiais exibidos desde os anos 1960. Cada episódio trazia esquetes independentes com pequenas situações inspiradas nas tiras dos jornais.
No Brasil, a série teve uma trajetória curiosa: recebeu várias versões de dublagem diferentes ao longo dos anos, todas com características marcantes e elencos distintos.
A trajetória do Charlie Brown no Brasil: Da TV aberta às plataformas digitais
A chegada de Charlie Brown e sua turma às telinhas brasileiras se deu em janeiro de 1984, quando a TVS — canal que mais tarde seria rebatizado como SBT — passou a exibir diversos curtas e especiais da série americana Peanuts, sob o título “Snoopy” no fim de tarda da emissora. Os desenhos logo ocuparam horários variados e conquistaram um público cativo, tanto pela delicadeza das histórias quanto pelo humor sensível e melancólico do protagonista, o inconfundível Minduim. Na ocasião, Snoopy tornou-se referência no canal que vivia então sua fase de expansão, reprises que se estenderam até meados de 1986. Aqui, a emissora de Sílvio Santos encomendou uma dublagem a MAGA.
Na virada da década, foi a vez da Rede Globo investir nos direitos de exibição dos curtas. Com isso, o público brasileiro passou a conhecer as histórias sob o nome de “A Turma do Charlie Brown”, que se consolidou como o título mais usado no país para se referir às animações. A série entrou na programação infantil da emissora entre 1986 e 1987, com uma nova dublagem da Herbert Richers e permaneceu em exibição por alguns anos, muitas vezes ocupando as manhãs ou os espaços de fim de semana. A Globo chegou a criar uma abertura e um encerramento próprios para o programa, o que reforça o esforço de dar identidade nacional à obra. Além dos episódios regulares, a emissora também exibiu diversos especiais temáticos, com destaque para “Feliz Natal, Charlie Brown”, tradicionalmente reprisado em datas festivas. Até mesmo os longas animados foram veiculados como atrações especiais, como “Corra por sua Vida, Charlie Brown”, apresentado em 1990 em horário nobre.
Já nos anos 1990, com o crescimento do mercado de home video, os curtas e longas da turma do Snoopy passaram a chegar ao público também através das fitas VHS. Diversos títulos foram lançados por distribuidoras como a Vídeo Arte do Brasil, e circularam nas locadoras, clubes de assinatura e bancas de jornal. A dublagem aqui foi da S&C Produções Artísticas.
“Versão MaGa, dublada nos estúdios da TVS”: A fase mais marcante da turma do Snoopy
Para adaptar o material ao público nacional, a TVS recorreu à MaGa Produções Artísticas, estúdio então sediado dentro das instalações da própria TVS, em São Paulo. Nascia ali uma das versões mais queridas da franquia, marcada pelo carisma do elenco, pelo tom coloquial e por uma linguagem que ajudou a aproximar ainda mais os personagens do público infantil.
Embora não exista um registro oficial da data exata da dublagem, a estreia desse material foi em janeiro de 1984 como o período em que os primeiros episódios começaram a ser exibidos com vozes brasileiras. O estilo irreverente da MaGa impregnou os curtas de expressões típicas da época, como o famoso “meu”, o uso frequente de gírias paulistanas, e a popularização do apelido “Minduim” para Charlie Brown
Vários personagens tiveram seus nomes adaptados, como Linus (chamado de Lino), Lucy (Lúcia), Sally (Isaura) e Marcie (Márcia), refletindo uma tentativa de nacionalizar ao máximo os episódios.
O elenco da MaGa contava com Marcelo Gastaldi na voz de Charlie Brown, emprestando ao personagem o mesmo carisma que marcava sua atuação em Chaves. Ao seu lado, estavam nomes como Thelma Lúcia (Lino), Sandra Mara Azevedo (Patty Pimentinha), Lúcia Helena (Lúcia), Leda Figueiró (Isaura), Carlos Seidl (Schroeder), Zodja Pereira (Márcia) e Nelson Machado (Chiqueirinho).
A familiaridade com as vozes, muitas delas também presentes em outras atrações da TVS, tornou essa versão especialmente querida para o público infantil da época. A locução de abertura, feita pelo próprio Marcelo Gastaldi, anunciava entusiasticamente: “Snoooopy: versão MaGa, dublada nos estúdios da TVS!” — uma marca registrada da casa.
Um dos curtas, “Ela é uma Ótima Esquiadora” (título original: She’s a Good Skate, Charlie Brown), teve as trilhas sonoras substituídas por músicas de fundo já usadas nas dublagens de Chaves e Chapolin, como “Baroque and Blue” e “Cornball”, o que indica que nem sempre o material original vinha completo. As canções, aliás, não foram dubladas nesta fase — uma exceção que contrasta com versões posteriores.
As marcas deixadas pela MaGa
Por seu estilo informal, seu elenco marcante e por ter introduzido o universo de Peanuts para uma geração inteira de brasileiros, a versão MaGa tornou-se a mais lembrada até hoje. Infelizmente, trata-se de uma dublagem atualmente considerada perdida, já que nunca foi relançada oficialmente e sobrevive apenas em cópias de colecionadores e em trechos compartilhados no YouTube.
A forte ligação emocional com essa fase se deve, em grande parte, ao talento de Marcelo Gastaldi e sua equipe, que conseguiram traduzir a sensibilidade das criações de Charles M. Schulz em vozes e interpretações que continuam a ecoar na memória afetiva de muitos fãs.












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