Crazy Legs Crane
Grou, O Perna-Fina
- de 09/09/1978 a 1978.
- 1 temporada (16 episódios).
- DePatie-Freleng Enterprises.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Telecine
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


Outros


A Dublagem
No final dos anos 1970, em meio a uma onda de personagens excêntricos e humor pastelão, surgiu Crazy Legs Crane, a garça atrapalhada, mas cheia de personalidade, criada pela DePatie-Freleng Enterprises. Exibido originalmente em 1978, o desenho teve apenas uma temporada com 16 episódios, mas bastou esse curto voo para conquistar espaço ao lado de grandes nomes como a Pantera Cor de Rosa e o Inspetor.
Com seu corpo espichado, pernas longuíssimas e um jeito estabanado de lidar com as situações mais simples, Grou — como ficou conhecido no Brasil — virou um tipo de anti-herói cômico, meio perdido, meio inocente, mas sempre metido em confusões hilárias ao lado de seu filho Júnior e outros personagens igualmente peculiares.
Do Desenho Dentro do Desenho: A Chegada ao Brasil
A trajetória de Grou, o Perna-Fina, em terras brasileiras foi curiosa e fragmentada, tal qual sua forma de caminhar. Distribuído pela United Artists, o desenho não teve programa próprio de estreia, mas apareceu dentro da tradicional faixa da Pantera Cor de Rosa, como um pequeno “intervalo cômico” entre aventuras cor-de-rosa.
A primeira exibição aconteceu na TVS em 1982 — ainda no tempo em que o canal firmava sua identidade — e ousadamente no horário nobre, às 21h15. Em 1985, deu as caras no infantil do Palhaço Bozo, e no ano seguinte, passou a colorir as manhãs de domingo às 9h. Já em 1988, foi acolhido pelo programa Show Maravilha, aumentando sua exposição com o público jovem. Décadas depois, o desenho ainda teria uma sobrevida no canal Boomerang, com redublagem — mas isso, já é outro voo.
Uma Voz para Cada Pernada
A dublagem original brasileira do Perna-Fina foi feita pelo estúdio Telecine, um dos pilares da dublagem no Rio de Janeiro nas décadas de 70 e 80. A direção de dublagem ainda não é oficialmente identificada, mas o trabalho vocal entrega um equilíbrio encantador entre o absurdo e o cômico, com entonações que valorizam as expressões corporais do protagonista, mesmo em suas trapalhadas mais silenciosas.
Antônio Patiño deu voz ao protagonista Grou, trazendo uma dicção meio arrastada, meio avoada, perfeita para um personagem que vive se enrolando até com a própria sombra. Já Rodney Gomes, como o filho Júnior, oferecia uma juventude entusiasmada e cheia de respostas sarcásticas, numa dinâmica que lembrava muito o arquétipo de pai tonto e filho sagaz.
A Líbelula, espécie de rival ou parceiro irritante, foi dublada com energia por Ayrton Cardoso, enquanto Orlando Prado emprestou sua presença marcante a pequenos personagens e situações diversas.
O ritmo era direto, os diálogos, bem adaptados, e os silêncios — que sempre existiram em desenhos da DePatie-Freleng — eram bem respeitados, reforçando o humor físico da produção.
Mais tarde, nos anos 2000, o Boomerang optou por redublar os episódios, dessa vez na Herbert Richers. Apesar da qualidade técnica da nova versão, os fãs mais nostálgicos ainda reconhecem na primeira dublagem seu verdadeiro DNA: espontaneidade e leveza.
Pernas Longas, Memória Duradoura
Mesmo com apenas uma temporada, Grou, o Perna-Fina permanece vivo na memória dos que acompanharam seus tropeços na infância. Parte desse carinho se deve à estética charmosa do traço DePatie-Freleng, à trilha sonora cheia de trombones debochados, mas principalmente à dublagem brasileira, que conferiu personalidade a um personagem quase mudo — mas que, por aqui, falava e encantava.
Foi uma dublagem feita com cuidado, com vozes bem encaixadas e humor leve, quase inocente. Cada tropeço do Grou era seguido por uma fala certeira, com aquele tipo de comicidade que não precisa explicar a piada: ela simplesmente acontece. Essa dobradinha entre dublagem e animação é o que torna Crazy Legs Crane um daqueles desenhos que, mesmo sem muitos episódios, parece ter durado muito mais.











