The Virginian
O Homem da Virgínia
- de 19/09/1962 a: 24/03/1971.
- 9 temporadas (249 episódios).
- Revue Studios.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
AIC - São Paulo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Aparições Recorrentes




A Dublagem
A clássica série The Virginian (1962–1971) desembarcou no Brasil sob o título O Homem de Virgínia. Produzida nos Estados Unidos, a atração foi criada com formato inovador para a época — episódios de cerca de 75 minutos –, o que já por si desafiou as grades de programação brasileiras.
Quando chegou ao público brasileiro, a série trouxe consigo o universo do velho oeste americano, ambientado no rancho Shiloh, em Wyoming, e se destacava por sua duração, produção colorida e por perfilar personagens que se tornaram marcantes para os fãs de faroeste. No Brasil, a dublagem ganhou importância especial ajudando a “abrasileirar” o espírito da narrativa, sem perder a ambientação americana.
Rancho Shiloh: palco de justiça e camaradagem
A série teve sua estreia em 19 de setembro de 1962 na rede norte-americana NBC e totalizou 249 episódios ao longo de nove temporadas. Era baseada, de forma solta, no romance de Owen Wister, “The Virginian: Horseman of the Plains” (1902) — embora a adaptação para TV tenha tomado liberdades narrativas.
Produzida em Technicolor, a série se destacava por seu formato mais longo — cerca de 75 minutos por episódio — algo bastante ousado para a época da televisão. A ambientação se situa no Wyoming territorial — antes de se tornar estado — e tem como cenário principal o rancho Shiloh, onde o personagem do título, o “Virginiano” (interpretado por James Drury), atua como capataz e mediador de conflitos.
O enredo geralmente orbitava em torno desse núcleo: o rancho, seus trabalhadores, a cidade-vizinhança e os problemas típicos da fronteira — disputas por terra, justiça, honra, lealdade e mudança de época. Com o passar das temporadas, o elenco sofreu modificações: o juiz Henry Garth (interpretado nas primeiras temporadas por Lee J. Cobb) é exemplo de personagem que se vai e dá lugar a outros. Wikipedia+1
O resultado foi uma mistura de entretenimento genuíno de faroeste, com cliffhangers e atores convidados – muitos fãs apontam que o ritmo e a estética ajudaram a firmar a produção como uma das melhores séries western da época.
Da Imagem Americana à Tela Brasileira
No Brasil, O Homem de Virgínia chegou em uma época em que os faroestes ocupavam grande espaço na televisão, ganhando o coração de muitos telespectadores. O título adaptou literalmente o “Virginian” para o português, mantendo a essência do original.
Entretanto, a exibição no Brasil enfrentou uma barreira relevante: a duração de 75 minutos de cada episódio. O formato dava certo desafio às grades de programação brasileiras, que normalmente trabalhavam com blocos mais curtos. O fato gerou ajustes e até redefinições de horário por parte das emissoras.
Apesar das limitações, a série conquistou público. Os fãs brasileiros se acostumaram com aquele ritmo mais lento, os cenários do velho oeste, e os personagens como o foreman e Trampas se tornaram figuras reconhecíveis.
Infelizmente para os fãs brasileiros, embora todas as nove temporadas tenham sido lançadas nos EUA, o país ainda aguarda uma edição oficial nacional completa — até hoje alguns episódios circulam apenas em cópias dubladas antigas, exibidas originalmente por emissoras como a TV Tupi.
Vozes em Cena: A Dublagem Brasileira
A dublagem brasileira de O Homem de Virgínia merece atenção especial — afinal, transformar o faroeste americano para o público brasileiro exigiu vozes que encarnassem o temperamento dos personagens, mantendo-os naturais e convincentes no idioma português.
No papel de “Virginiano”, James Drury teve sua voz brasileira por conta de Wilson Ribeiro. Essa voz precisou traduzir o equilíbrio entre firmeza, liderança e respeito que o personagem expressava. Já Lee J. Cobb, como juiz Henry Garth, teve a voz de Borges de Barros, apto a transmitir a autoridade e o senso de justiça do personagem. Doug McClure, no papel de Trampas, coube ao ator de dublagem Flávio Galvão, cujo timbre mais acessível ajudava a construir o laço de simpatia que o personagem tinha com o público.
Já Gary Clarke (no papel de Brandy) ficou com Marcelo Gastaldi, e Roberta Shore (Betsy Garth) teve a voz de Aliomar de Matos. A abertura, com sua narração inicial que situava o espectador no rancho e no ambiente de faroeste, ficou a cargo de Carlos Alberto Vaccari.
Esses dubladores não só traduziram, mas adaptaram expressões, entonações e pausas para que o público brasileiro pudesse se identificar — sem perder o ar do Velho Oeste.
Cavalgadas que ecoam até hoje
A série deixou um legado significativo tanto no âmbito dos faroestes televisivos quanto na memória pop-cultural brasileira. Nos Estados Unidos, The Virginian consolidou-se como a terceira série western de maior longevidade da TV, atrás apenas de Gunsmoke e Bonanza.
O Homem de Virgínia representou mais do que aventuras no Velho Oeste: foi um elo entre culturas, entre público e atores, entre o faroeste tradicional e a televisão em cores, e entre a origem americana e a adaptação brasileira. Ainda hoje, citar o rancho Shiloh ou o Virginiano é evocar todo um mundo de valores — coragem, amizade, justiça — que continuam ecoando.









