The Life and Times of Grizzly Adams
O Homem da Montanha
- de 09/02/1977 a 12/05/1977.
- 2 temporadas (38 episódios).
- Schick Sunn Classic Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal




Elenco Principal
A Dublagem
Produzida entre 1974 e 1977, O Homem da Montanha (The Life and Times of Grizzly Adams) é uma das pérolas esquecidas da televisão norte-americana que encontrou solo fértil no coração do público brasileiro.
Inspirada livremente na vida do verdadeiro caçador e naturalista James “Grizzly” Adams, a série protagonizada por Dan Haggerty transformou o mito do homem das florestas num símbolo de paz, empatia e conexão com a natureza.
Ao longo de suas duas temporadas e do telefilme que serviu de piloto, a produção conquistou audiência nos Estados Unidos e foi abraçada com carinho por telespectadores de outras partes do mundo — principalmente no Brasil, onde virou referência do horário nobre e um exemplo raro de série familiar com mensagem ecológica bem antes da onda ambientalista dos anos 1990.
Natureza, Liberdade e Urso de Estimação
O Homem da Montanha não era apenas uma série, mas uma ode à vida simples e harmônica entre homem e natureza. A trama segue Grizzly Adams, um homem acusado injustamente de um crime e que foge para as montanhas para escapar da civilização e se refugiar na solidão das florestas. Lá, ele encontra amizade, redenção e uma profunda conexão com a vida selvagem, especialmente com a ursa Ben, sua fiel companheira.
Filmada em cenários naturais deslumbrantes nas montanhas de Utah e Califórnia, a série capturava uma atmosfera quase espiritual, com episódios que misturavam aventura leve, momentos contemplativos e lições de moral que escapavam do tom paternalista comum da época. A trilha sonora — com destaque para o tema Maybe de Thom Pace, que mais tarde virou um hit nas paradas europeias — ajudava a criar esse clima de serenidade e poesia visual.
Dos Picos Gelados para o Canal 13: A Chegada do Homem da Montanha ao Brasil
Em abril de 1979, os brasileiros foram apresentados a uma figura rústica, simpática e inusitada que viria a conquistar o público infantil e até alguns adultos: O Homem da Montanha desembarcava pela primeira vez no Brasil. A estreia ocorreu às 18h40 na Rede Bandeirantes de Televisão, exatamente na faixa de programação que antecedia o Jornal Bandeirantes, em plena transição entre a tarde lúdica e o horário nobre da informação.
A emissora apostava alto num pacote de séries internacionais que misturavam humor, leveza e um toque de absurdo encantador — e O Homem da Montanha cumpria esse papel com eficiência quase hipnótica. O horário estratégico permitia à série uma exposição ampla: pegava as crianças voltando da escola, os pais preparando o jantar e até adolescentes já vidrados na televisão.
Durante os anos de 1979 e 1980, o personagem virou figurinha carimbada nas tardes da Band. Por mais que tivesse apenas uma temporada curta, sua presença foi duradoura na memória de quem acompanhava a programação infantojuvenil da época.
Vozes da Montanha: A Dublagem Brasileira
A dublagem brasileira de O Homem da Montanha foi realizada pelo tradicional estúdio Herbert Richers, no Rio de Janeiro, responsável por adaptar para o nosso idioma boa parte dos maiores sucessos internacionais da época. O elenco foi cuidadosamente escalado para dar vida à doçura e firmeza dos personagens, usando um sotaque carregado de caipiras.
Armando Casella deu voz ao protagonista Grizzly Adams, transmitindo uma calma protetora e uma nobreza simples que refletia perfeitamente o personagem de Dan Haggerty. Já Paulo Pinheiro, com seu timbre afável e levemente divertido, interpretou o carismático Jack Maluco (Denver Pyle), criando um contraste ideal entre o sábio solitário e o parceiro excêntrico, principalmente pela voz envelhecida e carregada de sotaque.
A dublagem da Herbert Richers preservou o lirismo da série original, optando por interpretações contidas e naturais — uma escolha acertada para uma história que vive mais de silêncios e expressões do que de diálogos efusivos. O resultado foi uma versão que ressoou com ainda mais intensidade no imaginário brasileiro.
Um Clássico Tranquilo que Ainda Ecoa
Mesmo com sua exibição original encerrada há décadas, O Homem da Montanha continua a ser lembrado com carinho por aqueles que vivenciaram sua magia. Em um tempo onde a TV era o centro das tardes em família, Grizzly Adams surgia como uma figura quase mítica, que não precisava de armas ou violência para resolver conflitos — bastava empatia, sabedoria e respeito pela vida.
Seu legado está no coração daqueles que ainda acreditam em heróis humanos, silenciosos e profundamente conectados com o mundo à sua volta. E sua dublagem brasileira, como tantas feitas pela Herbert Richers, é um tesouro preservado na memória coletiva, lembrando que até uma história simples, contada com honestidade e boas vozes, pode atravessar gerações.










