The Champions
Os Campeões
- de 25/09/1968 a 30/04/1969.
- 1 temporada (30 episódios).
- ITC Entertainment.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
AIC - São Paulo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Outros


A Dublagem
Na virada dos anos 60, quando o gênero de espionagem começava a dar sinais de desgaste, uma série britânica ousou reinventar a fórmula, misturando ação, mistério e ficção científica. Assim nasceu Os Campeões (The Champions), criada e produzida por Monty Berman e Dennis Spooner, que levou às telas uma nova visão sobre agentes secretos — agora dotados de poderes mentais e físicos além do humano.
Exibida originalmente entre 1968 e 1969, a produção da ITC Entertainment somou 30 episódios, com trilha tema composta por Tony Hatch, o mesmo gênio musical por trás de sucessos televisivos da época.
No Brasil, embora o público brasileiro ainda não tivesse acesso à TV em cores, o programa conquistou um público fiel com sua estética moderna, ritmo elegante e uma dublagem marcante realizada pela AIC – São Paulo, que deu às vozes dos personagens um charme local que ficou na memória dos fãs.
Espiões com poderes além da imaginação
Os Campeões nasceu de uma ideia simples, mas engenhosa: o que aconteceria se agentes secretos ganhassem dons sobre-humanos? A história segue três agentes britânicos — Craig Sterling (Stuart Damon), Sharron Macready (Alexandra Bastedo) e Richard Barrett (William Gaunt) — membros da organização secreta Nemesis. Em sua primeira missão, o trio sofre um acidente aéreo nas montanhas do Himalaia e é resgatado por uma misteriosa civilização ancestral. Essa sociedade lhes concede poderes especiais: telepatia, força, memória e reflexos muito acima do normal.
De volta à civilização moderna, os três passam a usar essas habilidades em missões contra o crime e ameaças internacionais, sob o comando do austero Comandante Tremayne (Anthony Nicholls). Com um toque de sci-fi e estética “mod” tipicamente britânica, a série equilibrava espionagem tradicional e fantasia científica, antecipando temas que só seriam revisitados décadas depois em produções como Agentes da S.H.I.E.L.D..
Apesar de sua recepção calorosa na Inglaterra, a série não repetiu o mesmo sucesso nos Estados Unidos — fator decisivo para seu cancelamento após a primeira temporada. Mesmo assim, Os Campeões se consolidou como um dos títulos mais sofisticados e criativos do catálogo da ITC,
Record, película e persistência
A estreia brasileira de Os Campeões aconteceu num momento em que a TV Record buscava se firmar como vitrine de produções estrangeiras de prestígio. A série entrou na programação estreando em 04 de fevereiro de 1969, nas noites de terça-feira, às 22h. Embora em fevereiro de 1969, sempre nas noites de terça-feira, com excelente qualidade de imagem — embora transmitida em preto-e-branco, já que o sistema colorido só seria adotado anos depois.
O público paulista recebeu bem o trio de heróis modernos, e o programa chegou a ter reprises eventuais em outras emissoras, como a TV Tupi, já em cópias coloridas, pouco antes do fechamento da emissora. Há relatos de exibições em Curitiba no final da década de 70, usando películas coloridas de 16 mm, o que comprova o prestígio duradouro da série.
Além disso, os episódios 1 e 18 foram remontados em formato de longa-metragem, lançado com o título “A Lenda dos Campeões”, que chegou a ser exibido em canais pagos, como o TNT, nos anos 90 — uma curiosidade que ajudou a manter o nome da produção vivo entre colecionadores e nostálgicos.
A Dublagem Brasileira pela AIC São Paulo
A dublagem brasileira de Os Campeões foi realizada pela lendária AIC – São Paulo, estúdio responsável por dar voz a inúmeros clássicos da TV britânica e norte-americana nos anos 60 e 70. A equipe de dubladores trouxe um tom elegante e maduro, alinhado à sofisticação do material original.
Hugo de Aquino Júnior emprestou sua voz firme e segura a Craig Sterling, capturando o equilíbrio entre o agente racional e o herói de ação. Olney Cazarré, com seu timbre preciso, deu a Richard Barrett o ar intelectual e analítico que o personagem pedia. Já Helena Samara, uma das grandes damas da dublagem paulista, fez de Sharron Macready uma figura de força e charme, sem perder a suavidade que a atriz Alexandra Bastedo transmitia nas telas. E o veterano Carlos Campanile, como Comandante Tremayne, completou o time com uma interpretação autoritária e imponente — a perfeita voz da chefia.
A AIC soube imprimir ritmo e naturalidade à dublagem, evitando exageros e mantendo o sotaque neutro, algo raro nas produções da época. O resultado foi uma dublagem que, para muitos telespectadores brasileiros, tornou-se parte inseparável da identidade da série. Era comum ouvir fãs comentarem que Os Campeões soava melhor em português.
Entre a ficção e o mito
Mais de meio século depois, Os Campeões ainda é lembrada como uma das séries mais originais de sua era. Seu formato de trio heroico antecipou tendências futuras, e sua combinação de espionagem com dons paranormais abriu caminho para inúmeras produções de ficção científica televisiva.
No Brasil, a lembrança da série permanece viva principalmente pela dublagem impecável da AIC, que marcou gerações e ajudou a consolidar o padrão de qualidade da dublagem paulista nos anos 60. Mesmo sem o impacto massivo de outros títulos da época, Os Campeões deixou sua marca como uma joia cult — elegante, misteriosa e à frente de seu tempo.








