Elenco de Dublagem - Séries

Love on a Rooftop

O Sótão

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Rodney Gomes

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

AIC - São Paulo

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

Texto de Abertura em Português

“Essa é a moça…
Esse é o rapaz!
Foram aproximados por um sanduiche de patê. Ficaram apaixonados, casaram-se, mudaram-se para um apartamento sob o telhado e começaram a provar que a vida pode ser bela com 85 dólares e 37 centavos por semana.
Quando foram se conhecendo melhor descobriram diferenças de caráter.”

(Ézio Ramos)
– Julie, você tem que começar a ser prática.

(Ivete Jaime)
– Meu bem, coisas para alma não são supérfluas.

“Tudo foi bem até que os pais dela voltaram da Europa.”

()
– É melhor que você fique sabendo. Se eu estivesse aqui impediria esse casamento.

“Pra piorar as coisas ele descobre que ela é rica.”

(Ézio Ramos)
– Você é rica, vamos confesse! Você é rica.

(Ivete Jaime)
– Você fala como se isso fosse doença.

“O rapaz do tipo independente rapidamente definiu sua posição.”

(Ézio Ramos)
– Passaremos tempos difíceis mas estaremos bem. E sabe por quê? Porque nós nos amamos. sabe de outra coisa Sr. Hammond? Nós vamos subir sozinhos sem sua ajuda nem de ninguém.

A Dublagem

A série Love on a Rooftop, exibida originalmente nos Estados Unidos entre 1966 e 1967, teve uma chegada bastante curiosa ao Brasil – e sua dublagem nacional merece destaque pela forma como adaptou a leveza da comédia romântica dos anos 60. Por aqui foi chamada de O Sótão.

Criada para a rede ABC pela dupla Harry Ackerman e Bernard Slade, a trama acompanha o jovem casal Dave e Julie Willis em San Francisco tentando equilibrar sonhos, amor e contas a pagar. 

Quando essa história cruzou o Atlântico e desembarcou no Brasil, ela ganhou uma roupagem nova graças ao trabalho da dublagem da empresa AIC – São Paulo, que traduziu vozes, expressões e construções culturais para que o público brasileiro tivesse acesso a esse “amor no telhado”.


 

Sob o céu de São Francisco

Produzida pela Screen Gems, a série se desenrola em 30 episódios coloridos ambientados em San Francisco. O protagonista é Dave Willis (interpretado por Peter Deuel, creditado como Peter Duel), um arquiteto aprendiz que ganha modestos 85,37 dólares por semana.  Ele se casa com Julie (interpretada por Judy Carne), estudante de arte, proveniente de família rica, cuja adaptação à nova vida é tanto romântica quanto economicamente desafiadora. 

Eles se mudam para um pequeno apartamento convertido — sem janelas — mas com acesso direto ao telhado: uma metáfora da ascensão (ou tentativa dela) e ao mesmo tempo da precariedade da juventude em construção.

No prédio, contam ainda com vizinhos peculiares: Stan Parker (Rich Little) e Carol Parker (Barbara Bostock), moradores de ideias mirabolantes, e os pais de Julie, sempre prontos a “ajudar” (por vezes de forma incômoda). 

A produção combina charme e leveza: episódios como “117 Ways to Cook Hamburger” ou “Musical Apartments” revelam essa mistura de humor cotidiano com situações um tanto absurdas — uma marca típica da comédia de situação daquela era.

Apesar da premissa promissora, a série durou apenas uma temporada, sendo cancelada após seus 30 episódios originais. 

Visualmente e tematicamente, a série trazia aquela estética “sessão da tarde” dos anos 60: ritmo mais lento que comédias modernas, humor leve e situações reconhecíveis — o que acabou servindo como referência para produções posteriores. 


 

A pista brasileira: chegada e trajetória no Brasil

No Brasil, a série não teve o mesmo impacto espetacular que grandes títulos internacionais, mas passou por diferentes canais e épocas, encontrando seu público fiel. Por aqui ficou conhecida como O Sótão.

Embora não existam amplas fontes que detalhem com precisão as datas de estreia brasileiras, sabemos que muitas séries americanas daquele período eram exibidas no Brasil em sessões de fim de tarde ou como parte de blocos de humor importado.
A trajetória brasileira foi marcada por uma dublagem que visava tornar o produto acessível e simpático ao público de língua portuguesa, adaptando jargões, expressões culturais e mantendo o charme original. Apesar de não ter se transformado em um fenômeno de massa, “Amor no Telhado” ocupa um lugar de curiosidade entre colecionadores de séries clássicas no Brasil.
Com o passar dos anos, sendo raramente reprisada ou disponível em streaming, a série adquiriu certo status de raridade no país — o que reforça seu valor como peça de memória televisiva.


 

Vozes que se encaixaram

Quando se trata da adaptação brasileira da série via AIC – São Paulo, o trabalho de dublagem revela-se particularmente cuidadoso e digno de destaque. A escolha de vozes refletiu bem cada personagem e contribuiu para que o público brasileiro percebesse a leveza, o humor e o afeto presentes na trama original.

Por exemplo, a personagem de David Willis ganha a voz de Ézio Ramos no Brasil. Essa escolha reflete uma entonação firme porém simpática, capaz de transmitir tanto o arquiteto aprendiz que está sempre buscando dar conta do orçamento quanto o marido amoroso que tenta acompanhar o ritmo de sua esposa Julie.
Já a Sra Willis ficou sob a voz de Ivete Jaime, que deu à personagem uma sensibilidade leve, quase sonhadora, equilibrando a faceta de estudante de arte com aquela inocência charmosa típica das comédias românticas dos anos 60.

Stan Parker — papel de Rich Little — foi dublado por Ionei Silva. O resultado é uma tradução sonora de suas investidas excêntricas, ideias mirabolantes e presença de vizinho que se intromete na vida do casal com genuína criatividade. A voz reflete bem o traço de humor desse personagem: um tanto impetuoso, divertido, mas sempre bem-intencionado.
Carol Parker (Barbara Bostock) ganhou a voz de Lucy Guimarães. A dublagem acertou ao dar a Carol uma timbre doce, paciente e confiante nas loucuras do marido Stan, o que ajuda a criar o contraste entre o casal vizinho e o casal principal.

Por fim, a narração da abertura — realizada por Francisco Borges — confere à versão brasileira um toque de apresentação que era típico das séries importadas da época, ajudando a situar o espectador logo no contexto da comédia leve e cotidiana que estava prestes a acompanhar.

Em conjunto, o trabalho de dublagem da AIC – São Paulo fez mais do que simplesmente “dublar vozes”: adaptou expressões, ritmos de fala, tempos de piada e entonação para que o humor fluísse entre culturas. O resultado foi uma versão nacional que respeita o tom original da série — mesmo que o Brasil não tivesse exatamente a mesma conjuntura cultural da San Francisco dos anos 60. Esse cuidado permitiu que o público brasileiro conseguisse “abraçar” o programa não apenas como um importado exótico, mas como uma comédia familiar com a qual se podia simpatizar.


 

Telhado de lembranças

Embora O Sótão não tenha se mantido como uma série de longa duração ou com reprises constantes no Brasil, seu legado é curioso e relevante. Produções como esta ilustram o panorama da televisão internacional nos anos 60 — o humor doméstico, o choque entre origens diferentes (o casal com orçamento apertado vs. a família rica da esposa) e a busca pela arte de “fazer dar certo” juntos.

No Brasil, a versão dublada mantém-se como um exemplo de como a dublagem ajudava — e ainda ajuda — a tornar acessíveis narrativas estrangeiras, equilibrando fidelidade e adaptação cultural. Para aficionados por séries clássicas, O Sótão representa uma cápsula do tempo

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

3 Replies to “

  1. Heard about jlss thru a friend. Seems new. Anybody have any early impressions? Is this promising or just more of the same old thing? Give me the lowdown. jlss

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