Kidō Keiji Jiban - 機動刑事ジバン
Policial de Aço Jiban
- de de 29/01/1989 a 28/01/1990.
- 1 temporada (52 episódios).
- Toei Company.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Nair Silva (Álamo)/ Hermes Baroli e Zodja Pereira (DuBrasil)
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo e DuBrasil
MÍDIAS:
Televisão, VHS e DVD
Elenco Principal







Aparições Recorrentes


Outros


Kidou Keiji Jiban
“Jiban! jiban!
Vai te defender do mal
Jiban! jiban!
Jura praticar bem
Pra sempre jiban!
Tempos cheios de maldição
Insegurança
Todos querem amor
No coração
Alguém pra nos salvar
Desse mundo louco
Que use com sabedoria
Sua força!
Jiban! jiban!
Vai te defender do mal
Jiban! jiban!
Jura praticar bem
Acabarão as dores
Todos os temores
E surgirá, um herói
Pra sempre jiban!”
A Dublagem
No início dos anos 1990, a televisão brasileira vivia uma verdadeira febre de heróis japoneses. Após o sucesso estrondoso de O Fantástico Jaspion e a sequência de Metal Heroes e Super Sentais que invadiram a programação da Rede Manchete, chegava ao público nacional mais um nome para a galeria da memória afetiva: Jiban – O Policial de Aço.
O que poucos imaginavam, na época, era a velocidade com que o seriado atravessou o oceano. Estreou no Brasil quando ainda faltavam episódios para serem exibidos no Japão, tornando-se a produção da Toei que mais rapidamente desembarcou por aqui.
Da sombra de Robocop ao nascimento de Jiban
A produção de Jiban surgiu quase como uma resposta imediata ao fenômeno cultural que foi Robocop (1987). A Toei, que inicialmente planejava dar continuidade a Jiraiya com um “policial ninja”, mudou de rota após o sucesso do policial cibernético americano. O resultado foi a criação às pressas de um novo herói metálico: um agente da lei transformado em ciborgue para enfrentar o crime.
Por trás dessa rapidez, no entanto, havia talento. O designer Keita Amemiya assinou os visuais de monstros, armas e veículos, entregando uma estética que os fãs jamais esqueceriam. O herói, vivido pelo ator Shohei Kusaka, ganhava vida em uma trama que mesclava ação policial, melodrama e ficção científica.
O enredo acompanhava o destino trágico de Naoto Tamura, policial mortalmente ferido na luta contra a organização criminosa Biolon. Salvo e transformado pelo cientista Dr. Igarashi, Tamura renasce como o ciborgue Jiban. Em sua cruzada pela justiça, enfrenta vilões grotescos e monstros biomecânicos, mas também carrega dilemas humanos: a perda, a busca pela irmã desaparecida e a dualidade entre ser homem ou máquina.
Embora feita em ritmo acelerado, a série impressionava com seus efeitos especiais ousados, veículos futuristas e batalhas sempre criativas. E, ao fim de cada episódio, uma homenagem peculiar: Jiban e a pequena Ayumi encenavam uma pantomima inspirada em Charlie Chaplin, detalhe que eternizou ainda mais a série na memória de quem a acompanhava.
O caminho do herói em terras brasileiras
No Brasil, Jiban foi exibido pela primeira vez no dia 22 de janeiro de 1990 na Rede Manchete, com distribuição da Top Tape. A estreia aconteceu em plena “era de ouro” do tokusatsu por aqui, com a emissora consolidando o gênero como parte da rotina das crianças.
O impacto foi imediato: a estética futurista, os monstros grotescos e o herói cibernético dialogavam diretamente com um público já fascinado por robôs e tecnologia. Porém, como tantas outras séries japonesas exibidas na época, Jiban não teve sua conclusão mostrada.
Apenas cinquenta capítulos chegaram ao ar, e a história ficou suspensa no imaginário de toda uma geração.
Essa lacuna só seria preenchida duas décadas depois. Em 2011, a Focus Filmes lançou a série em DVD, desta vez incluindo os episódios 51 e 52 com dublagem inédita. A emoção de finalmente assistir ao desfecho foi um presente tardio, mas precioso, para os fãs.
A trajetória não parou por aí: Jiban foi reprisado em canais como a Rede Brasil e, mais recentemente, chegou ao catálogo do Prime Video pela distribuidora Sato Company, provando que sua relevância nunca se perdeu.
Vozes que deram alma ao policial de aço
Um dos maiores trunfos de Jiban – O Policial de Aço no Brasil foi, sem dúvida, o trabalho da dublagem. A primeira fase, realizada no estúdio Álamo, garantiu ao herói e aos vilões uma identidade muito particular. Carlos Laranjeira emprestou sua voz a Naoto Tamura e fez de Jiban um herói cibernético carregado de emoção. Sua interpretação conseguia equilibrar a dureza metálica do policial de aço com a vulnerabilidade humana do homem ferido, algo que se tornou um dos pilares da memória afetiva da série.
Ao lado dele, Lúcia Helena como Kyoko Enokida trouxe uma mistura de firmeza e sensibilidade, uma parceira que transmitia lealdade e humanidade no meio de batalhas quase sempre marcadas pela frieza tecnológica. Já Rosana Peres, vivendo a pequena Ayumi, conseguia dar ternura e inocência às cenas, contrastando com o tom sombrio da luta contra Biolon. Era justamente essa doçura que humanizava o herói, lembrando ao espectador que, por trás da armadura, havia alguém ainda conectado ao afeto e à vida comum.
Entre os aliados, Francisco Bretas interpretava Muramatsu com naturalidade e imponência, enquanto Élcio Sodré emprestava energia vibrante a Ryu Hayakawa, reforçando o espírito de ação da trama. Robson Raga também se destacou como Yanagida, conferindo ao personagem uma cadência própria, que o diferenciava dos demais policiais da série.
No núcleo dos vilões, a força da dublagem brasileira era igualmente perceptível. João Paulo Ramalho deu ao Dr. Jean Marrie Giba uma entonação sombria e perturbadora, que se encaixava perfeitamente ao visual grotesco do personagem. Ao seu lado, Márcia Gomes marcou presença como Madogarbo, interpretando a vilã com tons que alternavam sedução e crueldade, uma dualidade que prendia a atenção.
A nova dublagem da DuBrasil
Em 2011, quando a Focus Filmes lançou Jiban em DVD, incluiu os episódios 51 e 52 com dublagem que nunca haviam sido dublados no Brasil, dessa forma contratou a DuBrasil para realizar o trabalho de adaptação das duas histórias.
Para esse trabalho da Dubrasil, alguns ajustes foram inevitáveis. A ausência de Laranjeira, falecido em 1993, levou Figueira Júnior a assumir o protagonista. Embora a diferença fosse perceptível, houve cuidado em preservar o timbre heroico de Naoto. Luciana Baroli substituiu Rosana Garcia com suavidade, mantendo o tom infantil de Ayumi sem perder a doçura da personagem.
Dr. Janmarrier antes dublado por João Ramalho recebeu a voz de César Emílio, Madogarbo foi trocada de Márcia Gomes para Zodja Pereira. A leitura de título que na Álamo foi de Carlos Alberto Amaral na Dubrasil ficou a cargo de Gilberto Rocha Júnior.
O resultado dessas duas fases é curioso: de um lado, o peso nostálgico da Álamo; de outro, a tentativa respeitosa da Dubrasil em dar continuidade à saga. No fim, o que se mantém é a constatação de que a dublagem brasileira foi decisiva para que Jiban se tornasse não apenas mais um herói importado, mas um verdadeiro ícone para toda uma geração.
O legado metálico de Jiban
Mais de três décadas depois, Jiban segue lembrado como um dos heróis mais carismáticos da era Manchete. Sua rápida chegada ao Brasil, a trama que mesclava drama policial e ficção científica, a dublagem marcante e até mesmo as lacunas de exibição ajudaram a criar uma aura de culto em torno da série.
Ele pode ter nascido como uma resposta apressada a Robocop, mas encontrou vida própria. Para os brasileiros, Jiban não era apenas “mais um Metal Hero”: era o policial de aço que falava a nossa língua, que fazia pantomimas ao fim dos episódios e que deixou um vazio quando sua história parou no meio.
Hoje, entre relançamentos em DVD, streaming e eventos de cultura pop que celebram o tokusatsu, Jiban continua a patrulhar a memória de quem cresceu diante da tela. Um herói de aço, mas com coração humano — e com um espaço eterno na televisão brasileira.































