Shane
Shane
- de 10/09/1966 a 10/12/1966.
- 1 temporada (17 episódios).
- Titus Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
TV Cinesom
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal




Outros


A Dublagem
A série Shane – derivada do clássico western escrito por Jack Schaefer em 1949 e do filme de 1953 – desembarcou no Brasil com expectativas e particularidades que a tornaram uma obra cult para os fãs de faroeste.
No original norte-americano, exibida pela American Broadcasting Company (ABC) entre 10 de setembro e 31 de dezembro de 1966, foi protagonizada por David Carradine no papel-titular.
De todos os aspectos que tornam Shane memorável entre os aficionados pelo gênero, a dublagem brasileira – realizada pela saudosa AIC Dublagens de São Paulo – assume papel de destaque para quem assistiu à época.
Herança do faroeste clássico
A série foi concebida como uma extensão televisiva da vibe do livro de Jack Schaefer e do filme homónimo (no Brasil intitulado Os Brutos Também Amam). Produzida pela Titus Productions, sob supervisão de Herschel Daugherty e Gary Nelson, contou com 17 episódios de aproximadamente uma hora cada.
O enredo se centra em Shane, um pistoleiro errante que aceita trabalhar na fazenda da viúva Marian Starett e seu filho Joey, para ajudar a protegê-los das investidas de um barão da terra chamado Rufe Ryker. A trama combina elementos de redenção pessoal, lealdade e conflito territorial, remetendo fortemente à dinâmica clássica de faroeste: o herói trazido para restaurar alguma ordem numa fronteira selvagem.
Apesar da força do conceito, a série não logrou grande audiência nos EUA e foi cancelada após essa única temporada, o que não impediu que adquirisse status de raridade entre os aficionados.
Chegada e trajetória no Brasil: um caminho não linear
No Brasil, a estreia ocorreu apenas em 4 de agosto de 1970, na terça-feira às 20h50, através da TV Excelsior Canal 9 de São Paulo. Mesmo tendo sido interrompida após apenas dois meses devido ao encerramento da emissora (30 de setembro de 1970), a série retornaria posteriormente pela TV Record Canal 7 com a exibição de sua íntegra em 1973.
A TV Record exibiu a série completa, proporcionando aos brasileiros finalmente acompanhar todos os 17 capítulos.
Esse hiato e a relativa obscuridade fizeram com que a série conquistasse um público restrito e cult – não existia a massificação dos canais a cabo ou streaming como hoje.
A distribuição da exibição, em horário nobre ou de fim de tarde, e a limitação de canais na época, contribuíram para que Shane fosse vista como uma pérola perdida do faroeste televisivo.
Vozes que deram alma: a dublagem brasileira da AIC
Quando falamos da dublagem brasileira de Shane, é impossível não destacar o trabalho primoroso da AIC Dublagens de São Paulo. O elenco se mostra extremamente bem escalado: Shane (dublado por Hugo de Aquino) revela um personagem contido, mas valente e ternurento nas cenas com Joey. A voz de Hugo consegue transmitir a introspecção de Shane, seu passado marcado e sua entrega protetora.
Joey, interpretado por Maria Inês, ganhou uma voz delicada e certeira para o menino que olha para Shane como figura quase paterna – a entonação dela casa lindamente com a inocência e a admiração de Joey. Marion (Isaura Gomes) surge irrepreensível como essa jovem viúva forte, dividida entre o medo de perder o que lhe resta e a necessidade de lutar pela família – a voz de Isaura traz certeza e fragilidade ao mesmo tempo. E o destaque acaba recaindo sobre o Sr. Ryker, dublado por João Ângelo, que imprime agressividade, opressão e uma autoridade quase palpável ao vilão: cada frase sai com força suficiente para transmitir que Ryker não é apenas ambicioso, mas intimidador.
Mais do que simples tradução, o trabalho da AIC conseguiu adaptar o texto original ao português com naturalidade, ajustar as vozes às identidades dos personagens e criar versões que se mantêm hoje como referências de dublagem de qualidade. A emissão de emoções – o silêncio tenso de Shane, a coragem escondida de Marion, o medo e a admiração de Joey, a truculência de Ryker – transparecem na versão brasileira com elegância.
Esse tipo de dublagem ajuda a explicar por que, mesmo com pouco destaque de produção, a série permaneceu na memória de quem assistiu.
Marcas duradouras de uma série de faroeste
Embora Shane tenha tido uma vida curta na televisão norte-americana, seu legado persiste. Para o público brasileiro, a série funciona como um exemplo de faroeste televisivo bem realizado, com personagens bem desenhados, conflito moral e cenas de tensão mais sutis do que o habitual tiroteio constante.
A versão dublada elevou o material, transformando-o em memória afetiva para quem acompanhou nos anos 70. Além disso, Shane mantém relevância para os estudiosos do gênero faroeste, demonstrando como o conceito de herói errante pode migrar do cinema para a TV, e como a recepção internacional – no Brasil, por exemplo – segue ritmos próprios. Isso abre pistas para entender como produções estrangeiras eram exibidas, adaptadas e interiorizadas no Brasil de meados do século XX.












