Hana No Ko Runrun
Angel - A Menina das Flores

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Felipe Di Nardo e Potiguara Lopes
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
MAGA
DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:
Televisão (TVS)
Elenco Principal




Aparições Recorrentes






A Dublagem
Em meio à explosão dos animes nos anos 1980, poucos títulos combinaram tanta ternura visual com delicadeza temática quanto Angel, a Menina das Flores. Conhecido no original como Hana no Ko Runrun, o anime marcou a infância de muitos brasileiros com seu tom poético e personagens cativantes.
Mas para que a magia florescesse de verdade por aqui, foi fundamental o trabalho feito pela dublagem nacional, que ajudou a fincar raízes no coração de quem acompanhou essa aventura floral. Esta é a história do anime, da sua trajetória no Brasil e, principalmente, da dublagem que deu voz à sua protagonista.
Um Anime Florido de Emoção
Criado pela Toei Animation e baseado num mangá de mesmo nome, Hana no Ko Runrun estreou na TV japonesa em 1979. Com apenas 50 episódios e um longa-metragem lançado em 1980, a obra segue as aventuras de Angel, uma garota descendente de seres mágicos do planeta Estrela Floral, enviada à Terra com a missão de encontrar a lendária Flor das Sete Cores — símbolo da união, esperança e paz.
Durante sua jornada pela Europa, Angel conta com a ajuda de dois animais falantes, Katy (uma gata) e Ubaldo (um cão), além do misterioso Felipe, que surge sempre nos momentos de maior perigo. A história, recheada de metáforas sobre a natureza, amizade e pureza infantil, encanta por seu lirismo e pela construção suave, tão característica dos primeiros mahou shoujo (garotas mágicas).
A Chegada ao Brasil: Um Culto em Silêncio
O anime desembarcou no Brasil no início dos anos 1980, exibido primeiramente pela TV Record, que por razões comerciais não chegou a exibir a série até o fim. Posteriormente, migrou para a TVS (futura SBT), onde ganhou mais visibilidade e até uma abertura em português com canção de Mário Lúcio de Freitas, interpretada por Sarah Regina e a Turminha Zig Zag. Ainda assim, a exibição novamente foi incompleta.
Foi apenas na TV Corcovado, no Rio de Janeiro, que os telespectadores puderam ver Angel até o fim — sob o título alternativo de Angélica. Mesmo sem o mesmo sucesso de Candy Candy ou Heidi, a série encontrou um nicho fiel de admiradores e se tornou uma espécie de pérola esquecida da televisão infantil brasileira.
A Dublagem da MAGA: Uma Voz para o Encantamento
A versão brasileira foi realizada pela MAGA, estúdio paulista de Marcelo Gastaldi, e contou com direção de Felipe Di Nardo e Potiguara Lopes — este último responsável pelos episódios finais. Apesar das condições técnicas limitadas da época, o elenco escalado entregou uma performance emocionalmente convincente e cheia de carinho pelo material original.
Telma Lúcia assumiu a protagonista com doçura e segurança. Sua interpretação dava a Angel a pureza de uma criança e, ao mesmo tempo, a coragem de quem carrega o destino de um povo. Dividindo os estúdios com Telma, estavam nomes de peso da dublagem paulista: Deise Celeste como a carinhosa Katy, José Soares dando vida ao divertido Ubaldo, e Márcia Gomes, em performance dupla como a vilã Malícia e também como narradora dos episódios.
O elenco ainda contou com participações de Marta Volpiani como a Rainha, José Marques como o Vovô, e outros nomes menos identificados, cujas vozes continuam ecoando nas lembranças de quem acompanhou a série. A dublagem da MAGA seguiu o estilo da casa: calorosa, direta e com adaptação cuidadosa das emoções centrais da história. Mesmo sem muitos recursos de edição ou mixagem, o resultado final permanece comovente.
Um Anime Que Ainda Perfuma a Memória
Apesar de nunca ter sido relançado oficialmente em DVD ou streaming no Brasil, Angel – A Menina das Flores permanece viva entre colecionadores, fãs da dublagem clássica e estudiosos da animação japonesa. O anime tem reaparecido em redes sociais e fóruns especializados, onde a dublagem brasileira é frequentemente elogiada pela sensibilidade, sobriedade e ternura. A canção de abertura em português, por sua vez, continua sendo compartilhada como uma memória afetiva potente.
Angel é uma lembrança de tempos em que os desenhos infantis se permitiam ser contemplativos, delicados e lentos. É também um símbolo da época de ouro da dublagem brasileira, quando cada voz parecia escolhida a dedo, e cada entonação carregava um cuidado artesanal.
Mais do que buscar uma flor mágica, Angel nos ensinou que o verdadeiro milagre está no caminho, nas sementes de amizade que plantamos — e, claro, nas vozes inesquecíveis que nos contaram essa história.














