The Animals of Farthing Wood
Os Animais do Bosque dos Vinténs

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo
MÍDIAS:
Televisão (TV Cultura)
















Aparições Recorrentes
















Outros


A Dublagem
Lançado originalmente no Reino Unido pela Cosgrove Hall e transmitido entre 1993 e 1999 no Brasil, Os Animais do Bosque dos Vinténs conquistou um público fiel com sua trama delicada e profunda. A série animada, com temática ambiental e traço dramático, se destacou entre os desenhos infantis por abordar a luta de um grupo de animais desalojados por humanos em busca de um novo lar.
No Brasil, encontrou na TV Cultura seu espaço ideal — e ganhou vida em português graças à dublagem da Álamo, que se tornou referência para quem cresceu acompanhando a emocionante travessia desses personagens.
Produção e enredo: uma animação que respeita a infância
Criada com um traço clássico e um roteiro corajoso, Os Animais do Bosque dos Vinténs (título original: The Animals of Farthing Wood) não subestimava seu público infantil. A série apresentava os animais como protagonistas de uma saga épica, em que enfrentam perigos, perdas e dilemas éticos enquanto procuram um novo lar após seu bosque natal ser destruído pelo avanço humano.
Longe dos clichês dos desenhos convencionais, a narrativa abraçava a morte, o medo e a solidariedade como elementos fundamentais da jornada dos personagens. Esse tom realista e emocional exigia uma dublagem que respeitasse a complexidade da história — e foi exatamente isso que a versão brasileira conseguiu entregar.
Chegada ao Brasil: o impacto na TV Cultura
Os Animais do Bosque dos Vinténs estreou na programação da TV Cultura no dia 6 de dezembro de 1993. A emissora, conhecida por sua curadoria de conteúdos educativos e culturais, raramente exibia animações internacionais com grande alcance, mas fez dessa produção uma exceção marcante.
O desenho permaneceu em exibição até 1999, tornando-se presença constante na rotina de muitos jovens brasileiros. A série formava uma rara convergência entre entretenimento e reflexão, e mesmo sem jamais alcançar os holofotes de canais comerciais, permaneceu no imaginário coletivo de uma geração.
Infelizmente, a terceira temporada jamais foi exibida pela emissora, deixando os fãs sem a conclusão da saga dos animais. Ainda assim, a história construída até então foi suficiente para garantir à obra um status cult.
Dublagem brasileira: a Álamo dá voz ao bosque
A dublagem da série ficou a cargo do estúdio Álamo, referência em São Paulo, que entregou um trabalho à altura da proposta original: contido, delicado e emocionalmente sincero. Embora a direção de dublagem não esteja creditada, o elenco escalado garantiu interpretações consistentes, equilibradas e memoráveis.
O Sr. Raposa, líder do grupo, foi dublado com firmeza e sensibilidade por Élcio Sodré, que transmitia a autoridade e os dilemas morais do personagem com naturalidade. Ao seu lado, Vanessa Alves interpretou a Sra. Raposa com calor maternal e presença serena, reforçando o núcleo emocional da história.
A Coruja, dublada por Maximira Figueiredo, se destacava com uma voz grave e pausada que dava o tom de sabedoria ancestral, enquanto Eudes Carvalho emprestava serenidade e nobreza ao Texugo, conselheiro confiável do grupo. O sempre racional Sapo, vivido por Francisco Bretas, e a prática Topeira, com voz de Nair Silva, completavam um elenco central harmônico e expressivo.
Personagens secundários e eventuais, como os Raposas Azuis (dublados por Fábio Tomazini e Zayra Zordan), os Coelhos (Paulo Porto e Márcia Regina), e os Faisões (Marcelo Campos e Patrícia Scalvi), também foram dublados com cuidado, dando uniformidade ao conjunto. A interpretação da Cobra por Neuza Azevedo oferecia um contraste sombrio e ameaçador ao grupo, enquanto Ricardo Nóvoa se destacava como a ardilosa Doninha, com uma voz mais aguda e sarcástica.
A presença de vozes conhecidas do público da época, como Wendel Bezerra, Carlos Falat, Lúcia Helena Azevedo e Sérgio Cavalcanti, colaborava para aproximar ainda mais os personagens do espectador brasileiro. A leitura dos títulos ficou a cargo de Nano Filho, com a abertura mantendo um tom respeitoso e introdutório que casava com o espírito da série.
Um bosque inesquecível
Mesmo sem a popularidade massiva de outras animações, Os Animais do Bosque dos Vinténs permanece na lembrança daqueles que o acompanharam. A série abordava temas como desmatamento, perda, união e ética de forma orgânica e respeitosa, algo raro no conteúdo infantil.
A dublagem da Álamo desempenhou um papel fundamental nesse legado. Com interpretações equilibradas e comprometidas com o espírito original da série, ela garantiu que a versão brasileira fosse não apenas fiel, mas também emocionalmente tocante.
É por isso que, mesmo décadas depois, a memória dessa dublagem ainda ecoa entre os fãs — como um sussurro das árvores que um dia abrigaram os corajosos habitantes do bosque dos Vinténs.


























