Cover Up
Retrato Falado
- de 22/09/1984 a 06/04/1985.
- 1 temporada (22 episódios).
- 20th Century Fox Television.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Ângela Bonatti
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal




Aparições Recorrentes


Outros
A Dublagem
Quando estreou nos Estados Unidos em setembro de 1984, Cover Up rapidamente chamou a atenção por misturar dois universos aparentemente distantes: o glamour da fotografia de moda e o suspense do mundo da espionagem.
No Brasil, a série ganhou o título de Retrato Falado e chegou em 1985 pela TV Globo, com uma primorosa dublagem realizada pela Herbert Richers.
Entre Lentes e Armas
Criada por Glen A. Larson, nome por trás de sucessos como A Super Máquina e Manimal, Retrato Falado era centrada em Danielle Reynolds (Jennifer O’Neill), uma fotógrafa que, após o assassinato do marido, descobre que ele não era apenas o homem refinado que aparentava ser, mas sim um agente secreto. Determinada a desvendar a verdade, ela recruta Mac Harper (Jon-Erik Hexum), ex-soldado do Vietnã, para ajudá-la.
A trama se desenrolava em missões ao redor do mundo, onde Dani e seu modelo-parceiro mantinham a fachada da moda enquanto enfrentavam criminosos internacionais, conspirações e ameaças contra cidadãos americanos.
No dia 12 de outubro de 1984, durante um intervalo de filmagem, Hexum descarregou e recarregou várias vezes um revólver Magnum 44. O ator, durante um momento de brincadeira, colocou o revólver em sua têmpora, pois aparentemente não sabia que os peritos usavam – para selar a arma – papéis e enchimento plástico e que esse enchimento era expelido para fora do tambor do revólver com força suficiente para causar sérios ferimentos em disparos de curto alcance. 6 dias depois foi anunciada sua morte cerebral.
A morte trágica de Jon-Erik Hexum levou à entrada de Antony Hamilton como o agente Jack Striker, alterando os rumos da série. Apesar do carisma dos novos episódios, a atração foi encerrada em 1985, com apenas 22 episódios no total.
Danielle Reynolds foi vivida pela linda atriz Jennifer O’Neill. Seus pais estavam no Rio de Janeiro quando de seu nascimento em 20 de Fevereiro de 1948 (neta de um presidente de banco brasileiro, Jennifer é filha de Oscar O’Neill – empresário de ascendência irlandesa e espanhola – e Irene Freda, uma típica inglesa dona de casa).
Das Noites de Terça às Madrugadas
A estreia de Retrato Falado no Brasil aconteceu primeiro com a exibição do longa-metragem que deu origem à série, dentro do Supercine. Depois, a partir do dia 25 de Junho de 1985 começou a ser transmitida pela TV Globo nas noites de terça-feira, às 21h40, dentro da faixa Terça Nobre.
A Globo chegou a exibi-la em outros dias e horários, passando por quintas-feiras e, mais tarde, pelas madrugadas de sexta em 1988, antes de sair da programação da emissora.
Nos anos 90, a série ganhou sobrevida em outras emissoras: foi reprisada pela TV Manchete em 1995, no horário das 21h45, e também passou pela Record nos anos 2000, provando que ainda havia espaço para o charme e a adrenalina de Dani Reynolds e sua equipe.
Vozes que Imortalizaram Personagens
Se a produção original já tinha seu brilho, foi na versão brasileira que Retrato Falado encontrou sua identidade definitiva para o público nacional.
A dublagem foi realizada pelo estúdio Herbert Richers, um verdadeiro império da adaptação audiovisual nos anos 70 e 80, responsável por aproximar gerações inteiras de produções estrangeiras.
A direção ficou a cargo de Ângela Bonatti, uma das pioneiras mulheres no comando da dublagem no Brasil. Seu olhar sensível e rigoroso ajudou a construir versões fiéis e emocionantes dos personagens. Adalmária Mesquita emprestou sua voz a Jennifer O’Neill, trazendo à protagonista Dani Reynolds a mistura de força e vulnerabilidade que a personagem exigia. Júlio Chaves, na pele vocal de Jon-Erik Hexum (Mac Harper), deu vida ao carisma e à energia do personagem, reforçando sua presença marcante nos primeiros episódios. Quando Antony Hamilton assumiu o posto de parceiro de Dani, coube a Márcio Seixas (o eterno “Batman” da dublagem) imprimir sua voz grave e firme a Jack Striker, oferecendo ao público um contraste forte em relação ao estilo de Harper.
Darcy Pedrosa, como Henry Towler (Richard Anderson), trouxe seriedade e autoridade, equilibrando a equipe com uma performance vocal que transmitia confiança. E até a leitura do título “Retrato Falado”, feita por Ricardo Mariano Dublasievicz, tornou-se um elemento marcante da adaptação brasileira.
Memória, Vozes e Emoção
Apesar de sua curta duração, Retrato Falado deixou marcas profundas. Parte disso se deve à tragédia envolvendo Jon-Erik Hexum, que acabou eternizado como um ícone de talento interrompido precocemente. Outra parte está na força de Jennifer O’Neill, atriz que, curiosamente, nasceu no Rio de Janeiro e já carregava uma conexão especial com o público brasileiro.
Nizo Neto emprestou sua voz ao assistente Rick, sendo um dos seus primeiros personagens fixos em seriados com alguma relevância.
Mas, no Brasil, a memória afetiva da série se construiu também — e talvez principalmente — pelo trabalho da dublagem. Foi a habilidade de Ângela Bonatti e sua equipe que permitiu a identificação imediata dos telespectadores com Dani, Mac, Striker e Towler, transformando personagens estrangeiros em figuras próximas e queridas.
Assim, Retrato Falado não foi apenas mais uma série de ação dos anos 80: foi também um exemplo da força cultural da dublagem brasileira, que não apenas traduz palavras, mas também recria experiências, emoções e memórias para o público nacional.







