Elenco de Dublagem - Desenhos

Foofur

Foofur

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Quando Foofur desembarcou no Brasil, trouxe junto um sopro de novidade: um bloodhound azul, magrelo e gentil que, com sua turma, transformava uma antiga mansão no cenário de aventuras com humor miolo-mole e comentários marotos sobre “gente grande” tentando mandar nos bichos.

A estreia veio acompanhada de uma dublagem feita no Brasil pela Herbert Richers, que ajudou o público infantil a adotar Foofur e companhia em tempo recorde. 


 

Uma mansão, uma matilha e um humor à la HB

Produzido pela Hanna-Barbera em parceria com a SEPP International, Foofur foi ao ar nos EUA pela NBC entre 1986 e 1988 — fase em que o estúdio investia em comédias de turma com identidades visuais fortes.

A criação é associada ao cartunista Phil Mendez (o mesmo nome por trás de Kissyfur), e a premissa é cristalina: Foofur herda (de forma meio torta) uma mansão em Willowby, percebe que casa grande demais não enche a alma, e resgata os amigos do canil para viverem juntos — sempre driblando humanos enxeridos e encrencas do cotidiano. 

O charme está nos tipos: Louis, o bulldogue durão de bom coração; Annabell, a sheepdog romântica; Hazel e Fritz-Carlos, casal “de fino trato” com nariz empinado; Fencer, um gato entusiasta das artes marciais; e Rocki, a sobrinha esperta do protagonista.

Cada episódio costura pequenas confusões domésticas com perseguições cartunescas e “golpes de gênio” improvisados — a fórmula clássica HB com ritmo de sitcom, reforçada por trilhas leves e piadinhas que funcionam tanto para criança quanto para quem está de olho nas entrelinhas. 


 

“Deu teto”: a chegada e a trajetória de Foofur no Brasil

A estreia brasileira aconteceu nas férias de julho de 1989, dentro do Xou da Xuxa na Rede Globo, vitrine que catapultou diversos desenhos.

O horário e o empacotamento ajudaram a série a pegar — a ponto de voltar em fita VHS alguns anos depois, rebatizada como Foofur e seu Bando pela distribuidora Mundo Mágico (selo infantil da extinta Mundial Filmes), já com nova dublagem.

No finzinho da década, o desenho reapareceu na RedeTV! (1999–2000), acompanhando a fase de formação da emissora e mantendo viva a lembrança do cão azul entre a garotada que acordava cedo nos fins de semana. 


 

A Primeira Dublagem

A dublagem da Herbert Richers — a da estreia na Globo — foi decisiva para “amansar” a ironia do texto original e aproximar Foofur do humor brasileiro. André Luiz Chapéu deu ao protagonista um timbre amável, com um sorriso permanente na voz, que casava com a ideia de “chefe de bando” sem pose de mandachuva.


 

Por que Foofur ficou?

Foofur não teve a onipresença de outros títulos da Hanna-Barbera, porém deixou uma marca afetiva sólida por três razões. Primeiro, a figura do “cão azul gentil” que resiste a despejos e impostores sem perder a elegância; é fácil torcer por alguém que prefere arrumar a casa (e a turma) a “ganhar no grito”. Segundo, a série ajudou a consolidar, no Brasil, a ponte Globo–VHS–manhãs de outra emissora, um ciclo de vida típico dos desenhos oitentistas que prolongou a memória de muita gente. Terceiro, as duas dublagens ofereceram portas de entrada diferentes e igualmente válidas — a da TV, mais “brincalhona de auditório”; a do vídeo, mais objetiva e ritmada — reforçando o arquétipo do grupo que é família porque escolheu ser família.

Não à toa, Foofur segue aparecendo em listas e guias nostálgicos, e volta e meia ressurge em catálogos digitais mundo afora, mantendo vivo esse cantinho azul da Hanna-Barbera.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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