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Sítio do Picapau Amarelo – Dublagem não, vozes originais!

A adaptação de Monteiro Lobato para desenho animado tinha vozes como ponto de partida.


Depois de muito sucesso na televisão brasileira com os seriados adaptados da obra de Monteiros Lobato para a TV Tupi, Bandeirantes, Cultura e Rede Globo, os personagens do Sítio do Picapau Amarelo acabaram ganhando uma série animada, realizada inteiramente no Brasil.

Produzida pela Rede Globo e pela Mixer, a animação estreou na televisão pela emissora de Roberto Marinho no dia 7 de janeiro de 2012. Também foi exibida pelo Cartoon Network a partir de 15 de abril do mesmo ano e no Boomerang em 2015. A partir de 2016, Sítio do Picapau Amarelo ganhou o horário dos sábados pela manhã e no período da noite às 22h.

A produtora Mixer já tinha concebido Escola pra Cachorro, quando chegou às suas mãos a oportunidade de realizar uma versão animada dos personagens de maior sucesso da literatura infantil brasileira. A direção foi de Humberto Avelar, e Rodrigo Castilho se encarregou do desenvolvimento da produção.

Melissa Garcia, especialização em vozes originais.

Os desenhos ficaram a cargo de Bruno Okada, que acabou sendo escolhido após alguns testes com vários ilustradores. Okada trabalhou com a técnica “animação de recortes”, a mesma do desenho A Mansão Foster Para Amigos Imaginários, que consiste em utilizar personagens, objetos e cenários recortados de materiais como papel, cartão, tecido ou mesmo fotografias. Cada episódio da série levou cinco semanas para ficar pronto e foram escritos com base tanto nos livros de Monteiro Lobato quanto em roteiros originais. Os 26 primeiros episódios são baseados na obra “Reinações de Narizinho”. Segundo Tiago Mello, diretor executivo da Mixer, o maior desafio foi transformar histórias de 40 minutos na TV em episódios de 11 minutos, tempo médio da animação. “A partir de trechos do livro, a gente foi criando os episódios. “Eu queria ser muito fiel ao Monteiro Lobato e à alma daqueles livros”, afirma o roteirista Rodrigo Castilho.


As histórias não continham nenhum tipo de violência, mas contava com bastante ação. Os resquícios escravocratas de referência a personagens negros como Tia Nastácia, não foram inseridos nos episódios. Outra mudança foi na forma como os personagens utilizam o pó de pirlimpimpim, já que no original eles aspiravam o pó e “viajavam” e na versão animada ele cobria a tela inteira de uma cena e teletransportava os personagens para o outro local. O cantor Gilberto Gil recriou o tema de abertura do Sítio do Picapau Amarelo usado na versão de 1977, só que com mais velocidade. O diretor Humberto Avelar comenta: “A gente teve uma conversa e ele quis fazer o tema mais uma vez. Ele dobrou o ritmo e a velocidade que costuma fazer.

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Vozes como ponto de partida.


Diferente da dublagem onde o profissional dessa área coloca sua voz sobre a de outro com um idioma diferente, o trabalho realizado na gravação de vozes do Sítio partiu do zero.

As gravações foram realizadas em São Paulo no estúdio Ultrassom e contou com a direção de voz e de elenco de Melissa Garcia, profissional que se especializou em direção de vozes originais. Melissa recebeu o convite enquanto estava em Atlanta fazendo um curso exatamente sobre “vozes originais” com o profissional Bob Bergen, mais conhecido por sua atuação no personagem Gaguinho.

Dubladores do desenho

Melissa, escalou o elenco e gravou com ele os diálogos que em seguida eram mandados para os ilustradores para que só aí ganhassem movimentos.
As vozes muitas vezes serviam de inspiração para a equipe de animadores. Exemplo disso é que num dos episódios a Emília era rodada pelo Visconde e teria que sair tonta, mas a atriz Isabella Guarnieri não conseguia na ocasião chegar a uma voz que parecesse tonta, vindo em seguida a sugestão da diretora para que ela balançasse o corpo como uma minhoquinha a fim de alcançar o tom almejado. “Parece que os animadores ouviram de alguma forma, pois a Emília veio animada como uma minhoquinha”, comenta Melissa.
No estúdio acompanhando o trabalho de vozes havia apenas um diretor geral, a equipe de animadores jamais acompanhou o processo. Para eles, no entanto, seguiam de cada fala dois ou três versões, para que tivessem uma liberdade de escolha.

O diretor da produção afirma que, depois de alguns testes, preferiu que crianças fizessem as vozes desses três personagens infantis. “As vozes de crianças deram uma autenticidade ao desenho”, comentou Avelar. No elenco estavam Isabella Guarnieri, filha do dublador Tatá Guarnieri, que interpretou a boneca de pano Emília; Larissa Manoela e Luiza ienes Rosa deram vozes para Narizinho, Vyni Takahashi, Pedro Volpato e Renato Cavalcanti fizeram o Pedrinho, Patrícia Scalvi foi a Tia Nastácia, César Marchetti era o Visconde de Sabugosa, Hugo Picchi o Rabicó e Gessy Fonseca criou a voz de Dona Benta, personagem que já tinha feito em um programa de rádio de 1943, chegando a conhecer Monteiro Lobato na ocasião.

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Para interpretar Emília, Isabella se dedicou bastante. “Estudei para pegar o jeito dela. O que mais gostei foram as expressões e as reações da personagem”, diz a menina, que já tinha lido obras de Monteiro Lobato. Já Larissa Manoela, que anos mais tarde consolidaria sua carreira como atriz do SBT, comentou que assistir às reprises do seriado na televisão a ajudou muito criar a voz da Narizinho.

As crianças apesar de desempenharem a função pela primeira vez, levaram muito a sério o trabalho, mas nada que os impedisse de nas horas vagas se divertirem.

Para o público, Melissa Garcia deixa o alerta: vozes originais é algo diferente de dublagem”.

ELENCO DE DUBLAGEM


Emília Isabella Guarnieri

Narizinho Larissa Manoela
Luiz Telles

Pedrinho Vyni Takahashi
Pedro Volpato
Renato Cavalcanti

Visconde César Marchetti

Saci Fernanda Bock

Dona Benta Gessy Fonseca

Tia Nastácia Patrícia Scalvi

Cuca Alessandra Araújo

Rabicó Hugo Picchi
Izaías Correia
Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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