Small Wonder
Super Vicky
- de 07/09/1985 a 20/05/1989
- 4 temporada (96 episódios).
- 20th Century Fox Television.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Neuza Azevedo
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
BKS
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Aparições Recorrentes




Outros


A Dublagem
Nos anos 80, a televisão brasileira foi invadida por sitcoms americanas que se tornaram parte da memória afetiva de quem acompanhava as tardes e noites em frente à TV.
Entre elas, uma chamou a atenção de maneira especial: Super Vicky, exibida originalmente nos Estados Unidos como Small Wonder.
Do laboratório para a sala de estar
Criada por Howard Leeds e produzida pela 20th Century Fox Television, Small Wonder foi transmitida entre 1985 e 1989, contabilizando 96 episódios divididos em quatro temporadas. Embora não tivesse um orçamento grandioso, a série encontrou seu espaço por meio de uma ideia criativa: imaginar o impacto de uma androide em uma família suburbana americana.
A pequena V.I.C.I. (Voice Input Child Identicant), interpretada por Tiffany Brissette, foi projetada pelo engenheiro Ted Lawson (Dick Christie). Disfarçada como uma garotinha de 10 anos, Vicky passou a viver com Ted, sua esposa Joan (Marla Pennington) e o filho do casal, Jamie (Jerry Supiran). Enquanto a vizinhança acreditava que Vicky era uma criança como qualquer outra, situações hilárias surgiam da dificuldade da androide em se adaptar ao comportamento humano, sempre levada ao pé da letra em suas interpretações.
Entre os destaques do elenco estava Emily Schulman, que deu vida à tagarela Harriet Brindle, vizinha apaixonada por Jamie. Seu desempenho rendeu prêmios no Young Artist Award, confirmando o carisma das atuações, mesmo em uma produção considerada por críticos posteriores como uma comédia de baixo orçamento.
A trajetória no Brasil
A série estreou no Brasil em 27 de março de 1987, dentro do programa Sessão Comédia, na Rede Globo, e rapidamente conquistou o público com a história de uma menina nada comum: uma androide com coração humano.
Nos anos 90, o seriado ganhou novo fôlego ao ser exibido pela Rede Record, agora diariamente no bloco Tarde Maior, às 15h. Depois, migrou para as madrugadas, até desaparecer da grade em 1995. Sua chegada também foi marcada por uma dublagem brasileira que se tornou clássica, aproximando ainda mais os personagens do público nacional. O sucesso fez com que o programa fosse mantido até 1990, quando passou a integrar a programação de domingo pela manhã.
A série também foi reprisada pelo Canal Fox e, mais tarde, pela Band, no bloco Band Kids (2009), e depois aos sábados à noite.
As vozes que deram vida à androide
Uma das maiores forças de Super Vicky no Brasil foi, sem dúvida, o trabalho de dublagem. Realizada pela BKS, com tradução de Gilberto Baroli e direção de Neuza Azevedo, a versão brasileira conseguiu imprimir ainda mais personalidade aos personagens, tornando-os próximos e familiares ao público.
A androide Vicky ganhou voz através da atriz Sandra Campos, que encontrou o tom exato para equilibrar a neutralidade robótica e a doçura infantil. Sua interpretação foi fundamental para o impacto da personagem: não soava como uma criança comum, mas também não era fria como uma máquina. Esse equilíbrio fez com que os brasileiros se afeiçoassem rapidamente à pequena androide, transformando sua voz em uma das mais marcantes da dublagem nacional nos anos 80.
O patriarca da família, Ted Lawson, interpretado por Dráusio de Oliveira, transmitia com clareza o tom paternal e protetor do engenheiro criador de Vicky. Sua dublagem ajudava a reforçar a seriedade do personagem, mas sem perder o toque de humor que permeava as situações familiares; já Neuza Azevedo fez a matriarca Joan Lawson que ganhou uma suavidade acolhedora, com uma cadência maternal que contrastava de forma interessante com as trapalhadas de Vicky e a energia do filho Jamie.
Falando em Jamie, Wendel Bezerra foi o responsável por dar vida ao garoto. Com energia, malícia infantil e uma entonação sempre viva, ele soube captar o espírito do personagem, que frequentemente explorava as habilidades da androide para se livrar de tarefas ou se meter em confusão. Esse trabalho precoce de Wendel, que mais tarde se tornaria um dos dubladores mais renomados do país (conhecido por Goku e Bob Esponja, entre outros), já mostrava a versatilidade que marcaria sua carreira.
Já a vizinha intrometida Harriet Brindle, na voz de Cecília Lemes, ganhou uma personalidade ainda mais carismática. Cecília, que mais tarde também se consagraria como dubladora de personagens icônicos, soube dar à personagem o tom de menina chata e apaixonada de um jeito quase irresistível. Sua entonação aguda e expressiva reforçava o humor das cenas em que Harriet tentava atrapalhar a vida de Jamie.
Os personagens secundários também receberam vozes marcantes: Denise Simonetto (Bonnie Brindle), Márcia Gomes (Reggie Williams) e Flávio Dias (Brandon Brindle), entre outros, completaram o quadro de dubladores, mostrando a consistência da adaptação.
Assim, enquanto nos Estados Unidos Small Wonder foi vista como uma sitcom de produção modesta, no Brasil Super Vicky se transformou em um sucesso afetivo em grande parte graças ao talento de seus dubladores, que souberam transformar uma simples comédia em um clássico nostálgico da TV.
O legado de Super Vicky
Apesar de ter sido alvo de críticas duras anos depois — chegando a ser apontada pela USA Today e pela BBC como uma das piores sitcoms já produzidas —, Super Vicky se tornou um verdadeiro ícone da TV nostálgica.
No Brasil, ela marcou toda uma geração que cresceu acompanhando as trapalhadas da pequena androide e se divertiu com sua tentativa de se tornar “humana”. Hoje, a série é lembrada não apenas por sua proposta curiosa, mas também pelo trabalho de dublagem brasileiro, que foi fundamental para fixar suas falas e bordões na memória coletiva.
Mais do que um seriado de baixo orçamento, Super Vicky é uma cápsula do tempo dos anos 80, lembrando-nos de uma época em que as tardes de televisão eram povoadas por sitcoms leves, divertidas e cheias de imaginação.










