Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

Smurfs

Smurfs

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Mário Monjardim

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão/ VHS/ DVD/ TV Paga

Elenco Principal

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco tão completo desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.

Aparições Recorrentes

Outros

Há muitos e muitos anos no coração da floresta, havia uma vila escondida onde moravam minúsculas criaturas. Chamavam-se a si mesmos de Smurfs. Eram muito bons!

Mas existia também o Gargamel, um feiticeiro perverso. Ele era muito mal.

Gargamel – Orlando Drummond:

Oh! Eu Odeio os Smurfs!Odeio vocês, eu vou pegar todos vocês,
nem que seja a última coisa
que eu farei…ha ha ha ha!
Eu pego vocês, algum dia eu
encontro a vila de vocês e
vocês vão se arrepender!

A floresta ainda existe e se prestarem atenção vocês ouvirão os gritos do Gargamel.

Gargamel – Orlando Drummond:
Eu pego vocês!

Se vocês forem bonzinhos conseguirão dar uma olhadinha
nos Smurfs!

A Dublagem

Pequenos, azuis, divertidos e cheios de personalidade: Os Smurfs conquistaram gerações ao redor do mundo e deixaram uma marca profunda na cultura pop. Criados a partir das HQs belgas de Peyo, os personagens foram adaptados com maestria para a televisão e logo encontraram morada cativa nos lares brasileiros.

O carisma dos Smurfs, somado a um enredo simples e cativante, encantou o público infantil e atravessou décadas com relevância surpreendente. No Brasil, a história de sua exibição envolve canais, programas consagrados e, especialmente, dublagens que se tornaram memoráveis.

 

Um mundo azul: produção e enredo do desenho

Criados em 1958 por Pierre Culliford, mais conhecido como Peyo, Os Smurfs nasceram nos quadrinhos como coadjuvantes, mas logo tomaram protagonismo e passaram a brilhar com identidade própria. A adaptação para a televisão veio pelas mãos do estúdio Hanna-Barbera em 1981, nos Estados Unidos, transformando as criaturinhas azuis em um fenômeno internacional.

A vila dos Smurfs é um universo encantado onde cada habitante possui uma personalidade própria e é nomeado por ela: Ranzinza, Desastrado, Gênio, Vaidoso, entre muitos outros. Liderados pelo sábio Papai Smurf, eles vivem em harmonia na floresta, enfrentando desafios pontuais – muitos deles causados pelo vilão Gargamel e seu gato Cruel, sempre à espreita.

A série mistura humor, aventura e valores como amizade, empatia e cooperação, o que a torna atemporal e cativante para públicos de todas as idades.


 

De domingo ao Xou: a trajetória no Brasil

A estreia de Os Smurfs no Brasil aconteceu em 25 de julho de 1982, na Rede Globo, em um horário nobre para o público infantil: domingos ao meio-dia. A partir de 1984, o desenho passou a ser exibido dentro do programa Balão Mágico, o que ampliou ainda mais seu alcance entre os pequenos telespectadores.

Com o encerramento do Balão Mágico, os Smurfs ganharam nova casa em 1986 no Xou da Xuxa, onde permaneceram até o início dos anos 1990, consolidando sua popularidade junto à geração que cresceu com a Rainha dos Baixinhos.

Nos anos seguintes, a série foi exibida pelo Cartoon Network (1993–1996) e mais tarde pelo canal Boomerang, entre 2004 e 2005, sempre reavivando a nostalgia da primeira fase. Já no século XXI, o desenho foi resgatado por novas plataformas e canais. Entre 2012 e 2017, voltou ao ar pelo canal Gloob, atingindo uma nova geração. Em seguida, passou a figurar em serviços de streaming como YouTube (2015), Netflix (2019–2022), Bandplay (2023) e +SBT (2024), sempre se mantendo acessível a velhos e novos fãs.


 

Vozes que ficaram na memória: a dublagem brasileira

Nenhum sucesso de animação se consolida no Brasil sem uma dublagem à altura – e Os Smurfs contaram com um trabalho que, para muitos, se tornou insubstituível. A primeira e mais adorada versão brasileira foi produzida pela Herbert Richers, lendário estúdio de dublagem do Rio de Janeiro.

Por questões de acervo e preservação, no entanto, alguns episódios dessa dublagem original foram perdidos e outros jamais chegaram a ser dublados. Isso levou à realização de uma nova dublagem nos anos 2000, desta vez pela Dublavídeo, estúdio paulista que assumiu o desafio de redublar a série por completo. Essa nova versão passou a ser utilizada nas exibições do Gloob, bem como no lançamento oficial em DVD pela Sony. Embora com estilo distinto da Herbert Richers, a dublagem da Dublavídeo entregou um trabalho competente e padronizado, com destaque para a consistência nas vozes e a cobertura integral da série.

Posteriormente, quando a série foi relançada em DVD pela Spectra, uma nova adaptação foi feita pela Lexx, que praticamente manteve o mesmo elenco da Dublavídeo, promovendo pouquíssimas mudanças.

Com o tempo, a dublagem da Dublavídeo acabou se tornando a mais usada e difundida por ter coberto todos os episódios, sendo adotada nas versões disponibilizadas em YouTube, Netflix, Bandplay e +SBT. Mesmo assim, para muitos fãs, o carinho permanece voltado à dublagem original da Herbert Richers, considerada por muitos como a mais marcante e afetiva.


 

A dublagem clássica da Herbert Richers

Muito antes de plataformas digitais, DVDs e canais por assinatura dominarem a distribuição dos desenhos animados, foi na televisão aberta que Os Smurfs fincaram raízes profundas no imaginário brasileiro. E o responsável direto por esse impacto cultural foi o trabalho realizado pela Herbert Richers, sob a direção do mestre Mário Monjardim. Essa dublagem, feita nos anos 1980, é considerada por muitos fãs como a versão definitiva, não apenas pela nostalgia, mas pela qualidade artística que envolvia interpretação, direção e escolhas vocais icônicas.

A dublagem da Herbert Richers estreou no Brasil em 1982, quando o desenho passou a ser exibido nas manhãs de domingo da Rede Globo. Com o passar dos anos, integrou programas clássicos como o Balão Mágico e o Xou da Xuxa, alcançando milhões de lares e marcando uma geração inteira com suas vozes inconfundíveis.

No centro da aldeia azul estava o Papai Smurf, dublado com imponência serena por Sílvio Navas, cuja voz grave e paternal transmitia sabedoria e autoridade sem jamais soar distante. Aliás, aqui Navas consegue impor seu talento fazendo além do patriarca o Smurf Fazendeiro e o Vaidoso, todos com falsetes bem diferentes.

O vilão Gargamel também se tornou uma figura inesquecível graças à interpretação cômica e debochada de Orlando Drummond, que conseguiu equilibrar perfeitamente ameaça e atrapalhação, fazendo dele um dos vilões mais queridos da TV.

Entre os Smurfs, cada voz parecia escolhida a dedo. O Gênio teve a inteligência e o ar esnobe muito bem definidos por Garcia Júnior, enquanto a Smurfette, na voz suave de Adalmária Mesquita, representava graça e doçura, com um toque de mistério típico da única mulher da aldeia durante boa parte da série. O Desastrado, um dos mais populares, ganhou o tom certo de leveza e ingenuidade com Mário Jorge de Andrade, criando uma identificação imediata com o público infantil.

Outros destaques são incontestáveis: Júlio Chaves como o Prático e o Preguiça, sempre com dicção clara e segura; Nelson Batista como o enérgico Robusto; e o próprio Mário Monjardim, que além de dirigir, também deu vida ao mal-humorado Ranzinza, ao comilão Fominha, e até ao bizarro Cruel. Sua versatilidade era tamanha que seus personagens nunca soavam repetidos, cada um com personalidade vocal distinta.

A dublagem ainda revelou nomes que mais tarde brilhariam em outras produções, como Selton Mello, que emprestou sua jovem voz ao Alfaiate, e Viviane Farias, como a pequena Sassete. O elenco de apoio também era composto por veteranos e talentos emergentes, todos sob a batuta competente de Monjardim, que sabia extrair o melhor de cada ator em um estúdio que foi símbolo de excelência no audiovisual brasileiro.

Apesar de não ter conseguido completar a dublagem de todos os episódios – muitos se perderam ou jamais foram dublados –, a versão da Herbert Richers ficou marcada como a mais cultuada pelos fãs, sendo lembrada com carinho e até reverenciada como parte da infância de milhões de brasileiros. Não por acaso, até hoje há campanhas pedindo o resgate do material original, e trechos que sobrevivem circulam nas redes como verdadeiros tesouros da memória afetiva.

A voz dos Smurfs na Herbert Richers não foi apenas uma dublagem: foi um fenômeno cultural, um elo entre gerações e um exemplo de como o talento brasileiro conseguiu dar nova vida a uma série estrangeira, tornando-a ainda mais próxima do coração do público nacional.

 

Smurfando o coração dos brasileiros

Mais do que um desenho animado de sucesso, Os Smurfs tornaram-se ícones pop reconhecidos mundialmente. Ao longo das décadas, ganharam brinquedos, jogos, álbuns de figurinhas, filmes e adaptações em CGI, mas foi na sua forma original que marcaram gerações.

No Brasil, o legado dos Smurfs está intimamente ligado à infância dos anos 80 e 90. Para muitos, os episódios vistos no Xou da Xuxa ou no Balão Mágico representam uma época dourada da televisão infantil, quando personagens animados faziam parte da rotina diária das famílias. As vozes brasileiras contribuíram para essa familiaridade e para o sucesso duradouro da série.

Mesmo após tantos anos, os Smurfs continuam sendo referência de pureza, coletividade e alegria. Seu legado está vivo tanto na memória nostálgica quanto no acesso fácil proporcionado pelas novas mídias. A aldeia azul pode ser pequena, mas o impacto que causou é imenso – e definitivamente smurfante.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

2 Replies to “

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