Justice League of America
Associação dos Justiceiros da América
- 1967.
- 1 temporadas (3 episódios).
- Filmation Associates.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Waldyr Santana
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:
Televisão (TVS)
Elenco Principal




Outros
A Dublagem
Muito antes de se tornar um gigante do cinema, o universo compartilhado da DC Comics já dava seus primeiros passos — e tropeços — nas telas da televisão. Em 1967, Associação dos Justiceiros da América levou ao ar três curtas animados com alguns dos maiores heróis da editora, sob a batuta criativa (e um tanto econômica) da Filmation. Mas foi no Brasil, anos depois, que esse time de super-heróis ganhou novos uniformes… sonoros. E que vozes!
Uma série breve, mas cheia de energia
Produzida pela Filmation Associates como parte do bloco The Superman/Aquaman Hour of Adventure, a animação Associação dos Justiceiros da América trazia aventuras curtas, com cerca de seis minutos, protagonizadas por uma formação enxuta da equipe. Nada de Batman ou Mulher-Maravilha por aqui — os nomes em destaque eram Super-Homem, Gavião Negro, Relâmpago (Flash), Atômico (Atom) e Homem de Verde (Lanterna Verde).
A primeira adaptação para a televisão de um herói da DC Comics produzida pela Filmation foi lançada em 1966 para a rede americana CBS, com as Aventuras do Super Homem intercaladas com as do Superboy. A partir daí, com o sucesso alcançado pela animação, o estúdio resolveu trazer mais duas temporada, dessa vez incluindo outros heróis de sucesso da editora.
As duas temporadas seguintes contaram com 16 episódios cada. Na segunda o desenho foi renomeado para The Superman/Aquaman Hour of Adventure acrescentando, além das aventuras solo dos heróis Gavião, Relâmpago, Atômico, Homem de Verde, história reunindo tais personagens, casos de Os Jovens Titãs e a Associação dos Justiceiros da América. Cada título ganhou três episódios com cerca de 6 minutos.
Os episódios tinham estrutura simples: vilões genéricos, narração empolgada, e a tradicional moralidade heroica dos anos 60. Sem arcos longos ou grandes revelações, o foco era a ação em ritmo acelerado, com soluções sempre engenhosas e absolutamente definitivas em poucos minutos. Ainda assim, o formato plantava a semente de algo maior — um embrião da Liga da Justiça que décadas depois seria reimaginado com todo o peso que merece.
A chegada ao Brasil: entre o Aquaman e a Mara Maravilha
A estreia brasileira aconteceu em 1978 pela TVS, como parte da sessão Aquaman, transmitida diariamente às 13h30. Essa faixa incluía também curtas solos de outros personagens da DC e episódios antigos do próprio Aquaman. A exibição durou pouco — até 1979 —, mas marcou uma geração que viu, pela primeira vez, tantos heróis reunidos no mesmo programa.
O retorno mais duradouro aconteceu em 1984, novamente pelo SBT, agora com o nome Associação dos Justiceiros da América já popularizado nos blocos infantis da emissora. Os curtas passaram a integrar a programação de sucessos como o Show Maravilha, apresentado por Mara Maravilha, e permaneceram no ar até 1989.
A dublagem: nomes estranhos, vozes inesquecíveis
A dublagem brasileira foi realizada pela Herbert Richers, sob direção de Waldyr Sant’anna, que também emprestou sua voz à narração, com a autoridade de quem está apresentando um épico mitológico. Foi ele quem ajudou a dar o tom solene e empolgado da série, típico dos anos 60, com frases impactantes e ritmo heroico.
O elenco de vozes reunia veteranos da dublagem carioca: Jorgeh Ramos como um Super-Homem firme e paternal, Mário Monjardim em dose dupla como o Homem de Verde e o impetuoso Relâmpago, Orlando Prado como o Atômico (The Atom), e Édson Silva no papel do determinado Gavião. Cada voz trazia personalidade própria e ajudava a diferenciar heróis que, na narrativa, tinham tempo de tela limitado.
Mas o que realmente ficou para a história foi o tratamento dado à adaptação. Como ainda não havia diálogo entre os estúdios de dublagem e a Editora Abril (responsável pelas revistas da DC no Brasil na época), muitos nomes foram traduzidos de forma literal ou adaptados criativamente. O Lanterna Verde, por exemplo, virou “Homem de Verde”. A Kriptonita virou “Kriptoniti” e o Flash tornou-se o Relâmpago. O resultado foi uma dublagem que, embora tecnicamente sólida, destoava fortemente do vocabulário já estabelecido nos quadrinhos.
A leitura dos títulos também merece destaque, com Ricardo Mariano Dublasievicz no comando das vinhetas de abertura — nome conhecido por dar vida a créditos de inúmeras produções animadas da época. Sua leitura, empolgada e radiofônica, combinava perfeitamente com a estética pulp da Filmation.
Identidade própria
A Associação dos Justiceiros da América teve vida curta em tela, com apenas três episódios sob esse rótulo. Ainda assim, o material virou peça de culto entre colecionadores, especialmente graças à dublagem brasileira. As vozes da Herbert Richers garantiram um ar de solenidade e ação que, apesar das liberdades na adaptação, fez a alegria de muitas manhãs e tardes no SBT.















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