Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

The Superman/Aquaman Hour of Adventure

Gavião

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Waldyr Sant’anna

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:

Televisão (TVS)

Elenco Principal

Participações

Outros

A Dublagem

Antes de ser lembrado como um integrante coadjuvante da Liga da Justiça, o Gavião já alçava voo próprio na televisão americana dos anos 1960. Em 1967, dentro da leva de animações da Filmation inspiradas nos heróis da DC Comics, ele ganhou sua própria série — com armamento alienígena, asas metálicas e um carisma que só cresceria com o tempo. E no Brasil, foi a dublagem da Herbert Richers que garantiu ao herói voador um lugar no imaginário das crianças dos anos 1980.


 

O Gavião em voo solo

Produzido pela Filmation Associates como parte do bloco The Superman/Aquaman Hour of Adventure, o desenho do Gavião (Hawkman) integrava uma antologia de segmentos animados estrelados por heróis da DC Comics, como Relâmpago, Atômico, Homem de Verde, história reunindo tais personagens, casos de Os Jovens Titãs e a Associação dos Justiceiros da América. O Gavião ganhou três episódios dentro desse pacote, com aventuras rápidas, intensas e recheadas de gadgets interestelares.

Na trama, o herói Thanagariano aparecia como uma espécie de policial intergaláctico, alternando entre a ação em planetas distantes e o combate ao crime na Terra. Seu parceiro recorrente era o Professor Barnes, espécie de consultor científico humano, mas os verdadeiros destaques ficavam por conta das batalhas contra vilões exóticos, muitas vezes com planos mirabolantes, monstros gigantes e armadilhas tecnológicas — tudo envolto na estética pulp que marcava as produções da Filmation.


 

A chegada ao Brasil: das tardes infantis aos heróis da TVS

No Brasil, o Gavião chegou em 1978, incluído na sessão Aquaman, exibida diariamente às 13h30 pela TVS. Era um bloco infantil que reunia diversos episódios da Filmation com os heróis da DC, alternando os segmentos conforme a programação. A série foi retirada do ar no ano seguinte, mas o herói retornaria em 1984, quando os curtas voltaram a ser exibidos em meio a programas como o Show Maravilha, apresentado por Mara Maravilha, no SBT.

Esse resgate o tornaria, mesmo com poucos episódios, uma figura marcante para quem cresceu nos anos 80 — e não foi pela ação ou pelo visual… mas pela voz.


 

A dublagem: uma voz que voa alto

A dublagem foi realizada pela Herbert Richers, sob direção de Waldyr Sant’anna, que também assinou a narração dos episódios com o tom épico e solene que já se tornara sua marca registrada em produções do estúdio. Era ele quem anunciava com entusiasmo as missões do herói alado, muitas vezes mais emocionantes pela entonação do que pela simplicidade da animação.

O Gavião foi interpretado por Édson Silva, que deu ao personagem uma voz firme, confiável e heroica, à altura da mitologia construída em torno de sua origem extraterrestre. Era uma voz que trazia maturidade sem parecer sisuda, e que conseguia dar dimensão ao personagem, mesmo em roteiros com tempo limitado e enredos acelerados.

O elenco de apoio era enxuto, e muitos coadjuvantes e antagonistas recebiam vozes variadas, seguindo o padrão econômico da época. Mas a leitura de títulos, feita por Ricardo Mariano Dublasievicz, dava à série um acabamento profissional, com vinhetas declamadas como se fossem manchetes de jornal interplanetário.


 

Traduções literais e charme improvisado

Assim como outros segmentos da Superman/Aquaman Hour, a dublagem brasileira de Gavião enfrentou o desafio de adaptar termos ainda pouco familiares ao público. Com a Editora Abril (ou qualquer outro braço da DC no Brasil) distante do processo, tradutores e diretores tomavam liberdades — como a tradução literal de nomes, expressões ou elementos dos quadrinhos.

Não havia, por exemplo, uma preocupação editorial com a coerência entre quadrinhos e animação. O resultado, embora anacrônico sob os padrões atuais, é parte do charme da era: dublagens que criavam universos paralelos próprios, com seus próprios termos, inflexões e ritmos narrativos.


 

Um legado que ressoa em ecos distantes

Com apenas três episódios, o desenho Gavião foi um voo breve, mas com força o bastante para marcar uma geração. Sua dublagem, carismática e comprometida, garantiu que a figura do herói alado permanecesse viva na memória afetiva de quem acompanhava a programação da TVS e depois do SBT.

Hoje, revisitar esses episódios é reencontrar não apenas uma animação artesanal, mas um exemplo do valor histórico da dublagem brasileira — que soube dar alma até aos voos mais curtos.

 

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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