Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

The New Adventures of Superman

As Aventuras do Super-Homem

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Waldyr Sant’anna

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:

Televisão (TVS)

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

Participações

Outros

A Dublagem

Antes mesmo da capa vermelha ganhar as telas do cinema com Christopher Reeve, o maior herói da Terra já dava seus voos na televisão brasileira — e em português. A animação As Aventuras do Super-Homem, produzida pela Filmation entre 1966 e 1969, encontrou no Brasil não apenas audiência fiel, mas também um time de dubladores que soube traduzir heroísmo, ação e carisma com talento e originalidade. Esta é a história por trás das vozes que deram identidade nacional ao Homem de Aço.


 

Krypton à la Filmation: Quando tudo começou

Produzida entre 1966 e 1969 pelo lendário estúdio Filmation, As Aventuras do Super-Homem seguiu o sucesso da série de TV estrelada por George Reeves, mas com liberdade criativa própria. A animação dividia episódios com personagens como Superboy e o jovem Krypto, mas era a figura adulta do herói — já como repórter do Planeta Diário — quem carregava a série. Com traços simples, narrativa objetiva e vilões clássicos como Lex Luthor e Brainiac, os episódios de cerca de 6 minutos cumpriam o que prometiam: ação direta ao ponto.


 

A chegada ao Brasil

O desenho animado chegou ao Brasil inicialmente pela TV Globo, ainda nos anos 70, mas foi na TVS (atual SBT) que consolidou seu sucesso. Com exibições regulares durante os anos 80, a série se fixou no imaginário de gerações que cresceram ouvindo as aventuras do herói entre telejornais e programas infantis. Curiosamente, a dublagem foi preservada com cuidado — tornando-se uma das mais longevas da era pré-cabo.


 

Vozes com Superpoderes: A dublagem clássica da Herbert Richers

É impossível lembrar da versão brasileira sem ouvir, em pensamento, Guálter de França proclamando “Para o alto e avante!”. Sua voz marcante definiu o tom do herói com uma elegância austera, mas acessível. Waldyr Sant’anna, então diretor de dublagem nos estúdios Herbert Richers, montou um elenco afinado para cada figura da redação do Planeta Diário ou dos vilões de Metrópolis.

Edna Mayo deu à Lois Lane um equilíbrio entre coragem e charme, enquanto Armando Casella fazia de Lex Luthor uma ameaça com ares de cientista louco. Dário de Castro entregava jovialidade ao inquieto Jimmy Olsen, e André Luís “Chapéu” era o enérgico e exigente Perry White. Na narração, o próprio José Santana emprestava solenidade ao anunciar cada nova ameaça intergaláctica, quase como se lesse as páginas de uma mitologia moderna.

E mais: vilões como Brainiac (com voz de João Francisco Turelli), o travesso Mytzplik (Dario Lourenço), o cômico Brincalhão (Paulo Pereira) e o místico Bruxo (Mário Monjardim) ganhavam personalidade única com atuações precisas.


 

Por que essa dublagem ficou para sempre

O sucesso da versão brasileira de As Aventuras do Super-Homem está na simplicidade somada ao carisma. A dublagem não apenas traduziu os diálogos — ela recriou o universo do Super-Homem para os brasileiros. A série pode não ter tido a profundidade narrativa dos filmes ou das séries mais modernas, mas sua identidade sonora se tornou referência: o Super-Homem de Guálter de França é, para muitos, tão memorável quanto os atores que o viveram nas telonas.

O bordão “Para o alto e avante!”, que se tornou um mantra da cultura pop, foi eternizado na versão dublada, influenciando gerações e ganhando homenagens em outras dublagens do personagem no Brasil. O trabalho da Herbert Richers, especialmente nesse título, é um testemunho do poder que uma boa dublagem tem de transformar uma simples animação em um clássico absoluto.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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