The Atom
O Atômico
- 1967.
- 1 temporadas (3 episódios).
- Filmation Associates.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:
Televisão (TVS)
O Desenho
No universo audiovisual da DC Comics dos anos 1960, nem só de deuses e milionários vivia a animação. Entre relâmpagos, voos e tridentes, havia também espaço para um herói da ciência — discreto no tamanho, mas imenso no impacto. Produzido pela Filmation Associates em 1967, The Atom chegou ao Brasil com o nome de O Atômico, e, como tantos personagens do estúdio, conquistou seu lugar nos corações do público graças à poderosa dublagem brasileira.
O programa reunia curtas de vários heróis da DC, alternando personagens como Gavião, Homem de Verde, Os Titãs , o Relâmpago e a Associação dos Justiceiros da América. A exibição durou até o ano seguinte.
O herói que cabia em uma gota d’água
Em meio ao bloco The Superman/Aquaman Hour of Adventure, o Atômico surgiu em três episódios curtos, com cerca de seis minutos cada, exibidos originalmente pela rede CBS. As histórias eram simples e diretas, com tramas que colocavam o herói frente a vilões genéricos, sempre resolvendo os impasses com lógica científica e golpes precisos em miniatura.
O protagonista era Ray Palmer, um físico nuclear que, graças a um experimento com matéria encolhida, desenvolvia a habilidade de alterar sua altura e peso ao nível subatômico — e, de quebra, conseguia “voar” montado em moléculas de ar. A estética era típica da Filmation: poucos quadros de animação, cenários reciclados e trilha sonora dramática. Ainda assim, havia charme em ver um herói vencer usando o cérebro antes do soco.
Além de seus episódios-solo, o Atômico também aparecia ocasionalmente ao lado de outros personagens da DC no trio de histórias chamadas Associação dos Justiceiros da América, o que lhe dava um pouco mais de tempo de tela e interação em grupo com Super-Homem, Gavião, Relâmpago e Homem de Verde.
A chegada ao Brasil: entre blocos e batidas nostálgicas
O Atômico chegou ao Brasil em 1978, dentro do bloco Aquaman, exibido pela TVS nas tardes de segunda a sexta, às 13h30. A programação reunia os curtas do herói dos mares e de outros personagens da DC. O sucesso foi modesto e a exibição durou apenas até o ano seguinte.
No entanto, foi a partir de 1984, com o fortalecimento da grade infantil do SBT, que o personagem retornou de vez. Apareceu em programas como o Show Maravilha, apresentado por Mara Maravilha, e se manteve no ar até o final da década de 1980, sempre em meio a outras animações queridas pelo público.
A dublagem: quando ciência e carisma andam juntos
A dublagem brasileira ficou a cargo do estúdio Herbert Richers, sob direção de Waldyr Sant’anna, que também emprestava sua voz à narração dos episódios. Sua entonação grandiosa transformava o início de cada aventura em um verdadeiro prólogo heroico. O tom empolgado, com pausas milimetricamente dramáticas, ajudava a criar a ilusão de que o espectador estava prestes a assistir a um épico — ainda que em poucos minutos.
No papel do Atômico, Orlando Prado trouxe uma performance segura e simpática, com um timbre que equilibrava autoridade científica e leveza juvenil. Sua voz casava com a proposta do personagem: um herói que não precisava ser imponente para soar importante. Prado foi uma escolha precisa, e seu trabalho ajuda a explicar por que essa versão do herói continua tão vívida na memória coletiva.
E como era de se esperar na época, o nome The Atom foi traduzido diretamente para O Atômico. Isso aconteceu porque, nos anos 70, os estúdios de dublagem não mantinham diálogo com editoras como a EBAL ou, depois, a Abril, responsáveis pelas versões em quadrinhos. Assim, nomes como “Lanterna Verde” viravam “Homem de Verde”, “Flash” se tornava “Relâmpago”, e “Átomo” virava “Atômico” — uma liberdade criativa que, curiosamente, acabou gerando uma identidade própria entre os telespectadores brasileiros.
O crédito da leitura dos títulos era de Ricardo Mariano Dublasievicz, sempre presente em produções do período, e sua marca vocal se tornou um ícone das aberturas animadas da TV brasileira.
Pequeno em tamanho, grande na lembrança
Mesmo com apenas três episódios, O Atômico conquistou um lugar cativo nas memórias nostálgicas dos fãs da DC no Brasil. A dublagem da Herbert Richers, com seus talentos vocais inconfundíveis, foi fundamental para esse impacto — provando que não importa o tamanho do herói, mas sim a força de quem o interpreta.
Com sua voz firme e simpática, sua animação modesta, mas cheia de charme, e sua presença recorrente nos blocos infantis do SBT, o Atômico segue sendo lembrado com carinho — uma miniatura poderosa da Era de Ouro da dublagem brasileira.










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