Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

The Green Lantern

O Homem de Verde

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Waldyr Sant’anna

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

DUBLAGEM USADA NAS MÍDIAS:

Televisão (TVS)

Elenco Principal

Participações

Outros

A Dublagem

Em 1967, a Filmation levou para a TV americana o herói esmeralda em uma série de apenas três episódios curtos, exibidos originalmente dentro do bloco The Superman/Aquaman Hour of Adventure. E foi assim, com histórias rápidas e ação direta, que o Homem de Verde (como foi batizado no Brasil) conquistou uma legião de fãs por aqui — especialmente graças à dublagem brasileira da Herbert Richers.


 

Três episódios, infinitas possibilidades

O desenho protagonizado por Hal Jordan, o Lanterna Verde da era de prata dos quadrinhos, foi um dos vários curtas produzidos pela Filmation para compor o pacote de aventuras da DC Comics nas manhãs da CBS. Os episódios duravam cerca de seis minutos e traziam o herói enfrentando ameaças intergalácticas com a ajuda de seu fiel parceiro Kairo, um alienígena sagaz de pele azul e gestos exagerados.

O roteiro não se aprofundava em dramas pessoais ou grandes reviravoltas. A estrutura era simples: ameaça aparece, Hal transforma o anel em alguma engenhoca verde brilhante e vence o vilão com um misto de criatividade e coragem. Os Guardiões do Universo também faziam aparições pontuais, reforçando o papel do herói como patrulheiro cósmico — mesmo que tudo parecesse acontecer em dois ou três cenários reciclados. Com a limitação de orçamento e recursos da Filmation, o charme estava mais na inventividade do que na fluidez da animação.


 

Brasil: onde o lanterna virou homem

O personagem chegou à televisão brasileira pela primeira vez em 1978, dentro do bloco Aquaman, transmitido diariamente pela TVS (futura SBT), às 13h30. Ali, entre os curtas do herói dos mares e de outros personagens como Relâmpago, Gavião, Atômico, Os Titãs e a Associação dos Justiceiros da América, o Homem de Verde ganhou espaço — e fãs. A exibição durou pouco nessa fase inicial, encerrando-se no ano seguinte.

No entanto, o verdadeiro impacto veio a partir de 1984, quando o personagem retornou ao ar dentro da programação infantil do SBT. Presente em programas como o Show Maravilha, apresentado por Mara Maravilha, o desenho seguiu cativando o público até o final da década, mesmo com sua curta duração e ritmo apressado.


 

A dublagem: vozes que fazem a luz brilhar

A versão brasileira foi realizada pela Herbert Richers, com Waldyr Sant’anna na direção e também na narração, com sua voz firme e solene, que anunciava cada episódio como se estivesse abrindo as portas do cosmos. Sua narração é lembrada como um dos maiores trunfos da dublagem brasileira da época.

O herói titular foi interpretado por Miguel Rosenberg, que emprestou a Hal Jordan um tom de heroísmo sereno e autoridade responsável, com a voz de quem sabe que salvar o universo é apenas mais uma tarefa do dia. O parceiro Kairo ganhou vida com Waldir Fiori, trazendo um sotaque ligeiramente cômico, mas funcional — ajudando a equilibrar o tom grandioso da série com uma pitada de leveza. E o Guardião do Universo, figura de sabedoria e liderança, foi dublado com gravidade por Magalhães Graça.

Como era comum na época, o nome “Lanterna Verde” foi traduzido literalmente como “Homem de Verde”, já que os estúdios de dublagem ainda não mantinham relação próxima com as editoras brasileiras que publicavam os quadrinhos. Isso gerou um vocabulário próprio nas versões para TV, em que a liberdade criativa falava mais alto do que a padronização.


 

Um herói de luz eterna, em traços de fita magnética

Mesmo com apenas três episódios, o Homem de Verde deixou uma marca poderosa entre os fãs da animação clássica. Sua presença em blocos televisivos recheados de super-heróis foi pequena em tela, mas gigante no imaginário dos anos 80.

E a dublagem — com suas vozes icônicas e suas escolhas de tradução hoje curiosas — foi responsável por transformar aquele herói alienígena de poucas poses em um personagem familiar para milhares de brasileiros. O Lanterna Verde pode ter sido chamado de Homem de Verde, mas sua essência, no fim, era a mesma: alguém que, armado com vontade e coragem, podia enfrentar qualquer escuridão — com a força da imaginação.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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