Elenco de Dublagem - Séries

Urutoraman Tiga - ウルトラマンティガ

Ultraman Tiga

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Marco Ribeiro

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Audio News

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

A Dublagem

Ultraman Tiga (ウルトラマンティガ, Urutoraman Tiga) é um marco moderno na franquia Ultra: produzido pela Tsuburaya Productions e exibido originalmente no Japão entre 1996 e 1997, a série trouxe um visual renovado, múltiplas formas de combate e uma narrativa que revitalizou o gênero tokusatsu.

No Brasil, Tiga conquistou uma geração entre o final dos anos 1990 e meados dos anos 2000 — uma trajetória irregular, marcada por exibições incompletas, relançamentos e uma dublagem que, embora não tenha sido exibida em todos os momentos, deixou marca entre fãs do segmento. 


 

Como Tiga nasceu

Ultraman Tiga surge após um hiato significativo na franquia: sua estreia em 1996 foi recebida como uma tentativa bem-sucedida de renovar a estética e a mitologia dos Ultraman clássicos.

Com 52 episódios e filmes complementares, a série mistura elementos de ficção científica, drama humano e batalhas de efeito prático — características do tokusatsu — e apresenta Daigo Madoka como o herói humano que se funde com uma estatueta ancestral para se tornar Ultraman Tiga. A série se destaca por introduzir formas de combate distintas (Multi, Power e Sky Type) e por colocar no centro do conflito não apenas monstros gigantes, mas mitos antigos, profecias e dilemas morais. 

No arco dramático principal, a GUTS (unidade de defesa terrestre) investiga estranhos artefatos e profecias — e encontra, literalmente, a chave para que Daigo se transforme e defenda a humanidade. O antagonista maior, Ghatanothoa, simboliza uma ameaça primordial que ressurge para testar a coragem e a fé coletiva: a vitória não é só física, é também simbólica, ligada à luz que vive no coração das pessoas. Essa mistura de ação e mitologia conferiu à série apelo emocional além das coreografias de batalha.


 

A chegada e trajetória no Brasil

A circulação de Ultraman Tiga no Brasil foi fragmentada, mas significativa. A série chegou ao país por volta de 1999, através da distribuidora Mundial Filmes, e em 2000 ganhou espaço na Rede Record dentro do programa infantil Eliana & Alegria — exibição, contudo, que não completou toda a temporada naquele momento, o que gerou frustração entre telespectadores que acompanhavam a trama.

Anos depois, em 2005, a Rede 21 exibia a série completa para o público brasileiro, dando a muitos fãs a chance de ver o final e os filmes relacionados. Esses dados e datas aparecem em registros de fãs e páginas de arquivo sobre a divulgação da série no Brasil. 

Essa trajetória reflete tanto o potencial do produto (uma franquia com apelo internacional) quanto as dificuldades do mercado televisivo brasileiro daquela época: horários infantis, blocos temáticos e decisões editoriais nem sempre favoreceram a exibição integral de séries importadas. Ainda assim, a reapresentação em canais alternativos — ou em formatos domésticos e digitais posteriormente — ajudou a manter a memória da série viva entre colecionadores e nostálgicos. 


 

Vozes da luz: a dublagem brasileira 

Quando Ultraman Tiga desembarcou no Brasil em 1999, através da distribuidora Mundial Filmes, um dos pontos que definiriam sua recepção seria o trabalho de dublagem. Confiado ao estúdio Audio News, no Rio de Janeiro, o projeto foi dirigido por Marco Ribeiro, um dos nomes mais respeitados da área. Coube a ele a tarefa de conduzir o elenco e dar o peso dramático necessário a uma produção que não era apenas mais um tokusatsu, mas uma renovação de toda a franquia Ultraman.

A escolha de Eduardo Borghetti para dar voz a Daigo Madoka, o protagonista que se transforma em Ultraman Tiga, revelou-se acertada. Borghetti conseguiu transmitir a dualidade do personagem: o jovem inicialmente inseguro e sonhador, que aos poucos descobre em si a força para assumir o legado da luz. Sua interpretação foi contida nos momentos de fragilidade, mas intensa nas cenas em que Daigo precisava afirmar sua coragem diante do desconhecido.

Outro destaque da dublagem foi Mabel Cezar como a capitã Megumi Iruma. A atriz emprestou à personagem um tom firme, autoritário e ao mesmo tempo maternal, equilibrando liderança e sensibilidade. Em um gênero onde muitas vezes as figuras de comando se tornam caricatas, a interpretação de Mabel trouxe profundidade e humanidade à capitã da GUTS.

A equipe de campo da série também foi marcada por vozes que hoje são facilmente reconhecidas pelos fãs de dublagem. Sérgio Stern, como o cientista Seiichi Munakata, trouxe a seriedade e o peso de um pesquisador que carrega responsabilidades imensas sobre os ombros. Já Hamilton Ricardo deu vida ao engenhoso e divertido Masami Horii, equilibrando momentos de humor e de tensão sem nunca perder a naturalidade.

No papel de Tetsuo Shinjoh, Ettore Zuim imprimiu leveza e descontração, funcionando como contraponto às tensões da trama. Thiago Fagundes, dublando Jun Yazumi, mostrou um timbre jovem que reforçava a energia do personagem. E Marisa Leal, com sua voz marcante, completava o elenco como Rena Yanase, transmitindo emoção e proximidade em todas as falas.

O resultado desse conjunto foi uma dublagem que manteve a força do original japonês, mas ao mesmo tempo dialogava com o público brasileiro dos anos 2000. Era um tempo em que blocos infantis e programas de auditório dependiam muito da familiaridade criada pela dublagem, e a equipe da Audio News conseguiu transformar Ultraman Tiga em algo próximo, quase íntimo, para o público jovem.

Infelizmente, esse trabalho não pôde ser ampliado para o sucessor, Ultraman Dyna. A série chegou a entrar em fase de testes de dublagem na Audio News, mas, com a saída de Tiga da grade da Record, o projeto foi cancelado. Ainda assim, a dublagem brasileira de Ultraman Tiga permanece como um registro afetivo de qualidade, lembrada até hoje pelos fãs não apenas pela série em si, mas pelas vozes que ajudaram a torná-la memorável.


 

O legado de Tiga: luz que permanece

Ultraman Tiga não foi apenas um produto de sua época: tornou-se referência para as gerações que cresceram vendo monstros e heróis enfrentarem dilemas humanos. A série ajudou a renovar o interesse por tokusatsu fora do Japão, inspirou remakes espirituais e ganhou reexibições e homenagens ao longo das décadas.

No Brasil, apesar dos percalços de programação, a marca deixou saudade e um mercado de fãs ativos que preservam episódios, filmes, dublagens e memórias em fóruns, grupos e eventos. 

O legado também é técnico: a ideia de um herói com múltiplas formas e a combinação de drama humano com efeitos práticos acabaram influenciando produções posteriores e ajudaram a consolidar Tiga como um dos Ultramens mais lembrados pela inovação estética e pela carga narrativa. Para muitos, sua mensagem sobre coragem, sacrifício e a luz interior permanece tão relevante quanto nas primeiras exibições. 

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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