Elenco de Dublagem - Séries

Urutoraman

Ultraman

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

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ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Cinecastro

MÍDIAS:

Televisão

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A Dublagem

Ultraman estreou no Japão em 17 de julho de 1966, produzido pela Tsuburaya Productions, com 39 episódios, permanecendo no ar até 9 de abril de 1967.

Foi uma das primeiras séries tokusatsu de super-heróis transmitidas em cores no Japão, seguindo o sucesso de Ultra Q. A narrativa principal gira em torno do agente Shin Hayata (Susumu Kurobe), seu encontro fatídico com um monstro alienígena, a fusão com Ultraman para salvar sua vida, e a missão de proteger a Terra de monstros e invasores espaciais.

No Brasil, Ultraman chegou ainda nos anos 1960, mas sua jornada foi longa, cheia de idas e vindas, diferentes emissoras, versões de dublagem, retomadas nostálgicas etc. Ele se tornou parte da infância de muitos, ainda que às vezes apagado pelo sucesso de obras similares ou de outros heróis importados. 


 

Monstros, Mistério e Ciência

Ultraman foi idealizado como evolução de Ultra Q, combinando os elementos de ficção científica, monstros (“kaiju”), aventura e ética de heróis. A produção aproveitou técnicas de efeitos especiais relativamente avançadas para a televisão da época, com trajes, miniaturas, cenários feitos para dar escala, explosões, etc. A estrutura dos episódios mesclava monster-of-the-week com momentos de moralidade, dilemas humanos, o cotidiano dos membros da Patrulha Científica, etc. 

O enredo se sustenta na união entre o humano Hayata e Ultraman, permitindo ao herói agir escondido, enquanto a Patrulha Científica investiga ameaças. Há vários monstros icônicos (Baltan, Red King, Gomora, Zetton, etc.), cada episódio costuma introduzir uma nova ameaça ou problema que mistura ficção, fantasia e ciência popular. Ultraman tem poderes como o Spacium Ray, voo, super força, entre outros, e também limitações — por exemplo o Timer Colorido (ou Color Timer) que sinaliza que suas reservas de energia estão se esgotando.


 

Exibições, reexibições e momentos-chave

No Brasil, Ultraman estreou no dia 8 de março de 1968, na TV Tupi de Recife. Desde então, foi televisionado em diferentes épocas — anos 70, 80, 1996 e 2001 — passando por várias emissoras: TV Tupi, TV Record, TVS (atual SBT), TV Corcovado, Rede Bandeirantes, Rede Manchete, CNT e Rede Brasil de Televisão.

Na Tupi, a série permaneceu em exibição durante anos dentro do programa Clube do Capitão Aza, sendo uma das principais atrações da grade infantil.

Em 1971, foi lançada a série O Regresso de Ultraman, que apresentava Ultraman Jack e seu alter ego Hideki Go. Nessa época, surgiu uma grande confusão entre os telespectadores: como ambas as séries eram exibidas alternadamente, muitos acreditavam que se tratava do mesmo herói, confundindo Hayata (o hospedeiro do primeiro Ultraman) com Hideki Go.

Com o fechamento da TV Tupi em 1980, a série retornou pela TVS e repetiu o sucesso entre o público. Sua última exibição nessa fase ocorreu em 1986, como uma das atrações do programa de jogos eletrônicos TV Powww!, apresentado por Mara Maravilha e Charles Myara, entre outros.

Já em 1996, a produção ganhou uma nova dublagem feita pela BKS e foi lançada em Home Video pela distribuidora RESERVA/Intermovies. Contudo, apenas doze fitas VHS foram lançadas. Nesse mesmo ano, a série foi reprisada pela Rede Manchete, mas com exibição curta e incompleta.

Em 2001, a obra retornou à televisão através da CNT. Mais tarde, em 2014, voltou a ser exibida pela Ulbra TV de Porto Alegre e também pela Rede Brasil de Televisão, em São Paulo.

Por fim, em dezembro de 2020, o canal Loading anunciou a aquisição de Ultraman e mais dez séries da franquia, prometendo novas dublagens para exibição. Entretanto, antes que os planos se concretizassem, a emissora encerrou toda a sua programação, encerrando também a possibilidade desse retorno inédito.


 

Vozes, adaptações e nostalgias

A dublagem brasileira de Ultraman, realizada pelo estúdio Cinecastro no final da década de 1960, foi fundamental para consolidar a série entre o público infantil. Os dubladores não apenas emprestaram suas vozes, mas também deram personalidade aos personagens, criando uma identidade própria para o herói e sua equipe no Brasil.

Milton Rangel dublou o protagonista Shin Hayata/ Ultraman. Seu timbre grave e firme conferia autoridade e heroísmo, diferenciando claramente a figura humana do guerreiro de Nebula M-78. A fusão de Rangel com o personagem ajudava a criar um elo emocional entre espectador e herói, dando à transformação um peso ainda maior.

Jefferson Duarte, ao interpretar o Capitão Muramatsu, construiu um tom de liderança equilibrado e respeitoso. Sua voz transmitia segurança e disciplina, fundamentais para o papel de comandante da Patrulha Científica, mas sem perder a humanidade necessária em momentos de dúvida ou vulnerabilidade.

Já Domício Costa, como Mitsuhiro Ide, trouxe leveza e comicidade ao personagem. Ide era o cientista curioso e às vezes atrapalhado, e a entonação de Costa reforçava esse contraste entre o lado técnico e a inocência do alívio cômico da série. Isso ajudava a balancear o clima de aventura e tensão constante. Maurício Barroso, na pele de Daisuke Arashi, ofereceu uma interpretação mais robusta, com voz firme que traduzia a impulsividade e coragem do personagem. 

Sônia de Moraes, dublando Akiko Fuji, foi responsável por dar ternura e sensibilidade à única mulher da Patrulha Científica. Sua voz equilibrava doçura e profissionalismo, representando a força feminina em um grupo majoritariamente masculino, sem jamais cair em estereótipos caricatos; já Luiz Manoel, ao dublar o garoto Isamu Hoshino, conseguiu manter um tom juvenil e ingênuo, essencial para aproximar o público infantil. 

Por fim, Isaac Bardavid, como o Professor Iwamoto, emprestou sua voz grave e carregada de autoridade ao cientista. Seu estilo inconfundível, que marcaria tantas outras dublagens ao longo da carreira, transmitia sabedoria e seriedade, fazendo do professor uma figura de respeito dentro da narrativa.

Cada um desses dubladores deixou sua marca não apenas nas personagens, mas também na memória afetiva de gerações. A dublagem da Cinecastro não foi uma simples tradução: foi uma recriação que deu vida brasileira a Ultraman e sua Patrulha Científica.

O estilo da dublagem da CineCastro tinha características que muitos fãs lembram com carinho: adaptação de falas não literais, inserção de narração para ligar cenas, mudança ou suavização de certos efeitos sonoros ou expressões, às vezes pequenas censuras implícitas, alterações de nomes de monstros ou locais para que ficassem mais “acessíveis” para o público brasileiro. Por exemplo, na dublagem, o alienígena Baltan tem sua pronúncia adaptada (“Bal-tân”), nomes de locais são mudados levemente etc. O momento da transformação de Hayata em Ultraman, que no original japonês pode ser mais breve ou pouco explicado, ganha uma narração ou frase-chave na versão CineCastro: “Sempre que estiver em perigo, use a Cápsula Beta e você se transformará no Ultraman.” 

Mais tarde, nos anos 1990, houve uma redublagem feita pelo estúdio BKS, na parceria com emissoras como a Rede Manchete, e com distribuição em partes por VHS. Muitos fãs, entretanto, criticam essa nova versão: reclamam de vozes que não “casavam” com as personagens como na dublagem antiga, da perda de certas expressões, da sonoridade menos envolvente, da locução diferente, etc. A nostalgia pela versão original ainda é muito forte entre os que cresceram com ela. 

Outro aspecto importante: em cada exibição, a dublagem costuma ser “reapresentada” com cortes ou adaptações para a censura da época, silêncio em cenas de monstros ou reações fortes, ajustes de áudio, possivelmente por qualidade de fita ou master, ou pelas exigências de transmissão (ruído, sincronização). A versão CineCastro, por exemplo, às vezes cortava ou suprimia gritos ou sons de monstros para suavizar ou enfatizar cenas. 

Essas decisões de tradução/adaptação/dublagem moldaram como os brasileiros entendiam a série, quais falas ficaram famosas (“Sempre que estiver em perigo…”) e ajudaram a criar um laço emocional forte com a obra. A dublagem antiga é vista até hoje como referência de qualidade e “alma” de Ultraman no Brasil.


 

Muito além do raio Spacium

Ultraman no Brasil ultrapassou o papel de simples programa de entretenimento para crianças. Ele é parte de um imaginário de heróis importados, daqueles que misturam fantasia, ficção científica e ética protetora do planeta. Muitos dos que assistiram de jovens guardam lembranças afetivas não só dos monstros e transformações, mas do som da dublagem, das vozes e da maneira como se dizia “Ultraman” em português.

O sucesso da série abriu caminho para outras obras japonesas semelhantes (Ultraseven, O Regresso de Ultraman, Spectroman, etc.), ajudou a sustentar o interesse por tokusatsu no Brasil, e influenciou colecionismo, merchandising (brinquedos, bonecos), fanzines, encontros de fãs, reprises, relançamentos, etc. 

Além disso, Ultraman foi incorporado à cultura pop brasileira: citações, memórias nostálgicas, memes, etc. A dublagem antiga é frequentemente elogiada pelas comunidades de fãs, redes sociais, fóruns, pela fidelidade emocional mais do que por fidelidade literal ao original. A versão CineCastro é cultuada. 

Também há o legado material: lançamentos em VHS, DVD, box completos atrasados, tentativas de reposição da série em diferentes formas. E um reconhecimento da importância da franquia pela Tsuburaya Productions — em 2025, por exemplo, durante a Licensing Expo, marcou-se os 60 anos de Ultraman com homenagens. 

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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