The Addams Family
A Família Addams
- de 18/09/1963 a 08/04/1966.
- 2 temporadas (64 episódios).
- Filmways.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo (1ª Temp.) e Dublavídeo (2ª Temp.)
MÍDIAS:
Televisão e DVD
Elenco Principal


















Outros



A Dublagem
Na década de 1960, em meio a uma televisão ainda em preto e branco, estreava um seriado que viria a se tornar uma das maiores referências do humor mórbido e da sátira familiar: A Família Addams.
Inspirada nos quadrinhos criados por Charles Addams, a produção da NBC mostrava uma família excêntrica que adorava o bizarro, o assustador e tudo aquilo que fugia da normalidade. Sua abertura, marcada pelo inconfundível estalo de dedos, atravessou gerações e fincou o programa na memória coletiva.
No Brasil, a série desembarcou em 1965 pela TV Rio e logo ganhou dublagem, recurso essencial para aproximar o público de personagens tão estranhos quanto fascinantes. A adaptação de vozes e nomes foi decisiva para o carisma que a obra exerceu por aqui, criando uma identidade própria que, em muitos casos, superou a referência original.
Entre Túmulos e Gargalhadas
A origem da série remonta aos cartuns de Charles Addams, publicados desde 1937 em revistas norte-americanas. Até então, os personagens não possuíam nomes fixos, sendo apenas figuras excêntricas de um clã que vivia em um casarão gótico cercado de criaturas inusitadas.
Quando o produtor David Levy decidiu adaptar a ideia para a TV, pediu ao próprio Charles que nomeasse seus excêntricos moradores. Assim nasceram Gomez, Morticia, Wednesday, Pugsley, Uncle Fester e companhia.
Exibida entre 1964 e 1966, a série teve duas temporadas e 64 episódios, produzidos pela Filmways. Gravada em preto e branco, compensava a falta de cor com uma cenografia exuberante: a mansão dos Addams misturava elementos de museu de horrores e parque de diversões, criando um cenário que era, ao mesmo tempo, macabro e cômico.
O enredo explorava a inversão de valores — enquanto as famílias tradicionais buscavam normalidade, os Addams celebravam o mórbido. Covas e Mortiça viviam uma paixão intensa, os filhos se divertiam com experimentos perigosos, o Tio Funéreo trazia bizarrices, e até o mordomo Lacraio, com seu clássico “Chamoooou?”, se tornava um ícone de humor. O resultado foi uma comédia singular, que competiu até com a série rival “Os Monstros”, da CBS, mas garantiu um espaço eterno na cultura pop.
Do Castelo ao Quintal Tropical
No Brasil, a estreia ocorreu em 1º de agosto de 1965, pela TV Rio. O seriado logo caiu no gosto dos espectadores, exibido sempre às 21h dos domingos.
Mais tarde, passou por diversas emissoras: a Globo transmitiu o programa durante boa parte dos anos 1970, sempre em horários infantis e vespertinos; na década de 1980, a TV Record tentou reviver a exibição; e já nos anos 2000, canais como Nickelodeon, Multishow e Rede Brasil levaram novamente a família mórbida às telinhas.
Essa constante reaparição revela não apenas o apelo nostálgico, mas também a capacidade da série de dialogar com novas gerações, mantendo viva sua essência estranha e divertida.
Uma Nova Voz Para o Velho Castelo – A Redublagem Brasileira
Com a retomada de A Família Addams no início dos anos 2000, especialmente na exibição pelo canal Nickelodeon e nos lançamentos em DVD, a série ganhou uma nova roupagem sonora. A responsabilidade ficou a cargo de dois estúdios de peso: a Álamo, que cuidou da primeira temporada, e a Dublavídeo, responsável pela segunda.
Foi um trabalho de resgate histórico, já que boa parte da dublagem original da Dublasom Guanabara se perdeu ao longo das décadas. No entanto, como toda redublagem, ela trouxe novas interpretações, novas entonações e também uma adaptação dos nomes, que se alinharam aos filmes dos anos 90, modificando parte da memória afetiva dos fãs mais antigos.
Nesta versão, Covas voltou a ser chamado de Gomez, mas sua interpretação na voz de Marcelo Pissardini não deixou de carregar um ar debochado e apaixonado, ainda que com um registro mais contido que o explosivo Mário Monjardim da primeira dublagem. Já Mortícia, vivida pela delicada voz de Cecília Lemes, ganhou um tom sereno, carregado de elegância sombria, transmitindo uma sofisticação moderna que agradou bastante aos espectadores mais jovens.
O icônico Tio Funéreo, que nesta redublagem recebeu o nome de Tio Chico, foi interpretado por Carlos Silveira, que construiu uma figura ao mesmo tempo caricata e divertida, sem perder a estranheza fundamental do personagem. O mordomo, por sua vez, apareceu agora como Tropeço, com a voz grave de César Marchetti, que deu ainda mais imponência ao famoso “Chamoooou?”.
Entre os jovens Addams, Flora Paulita conseguiu imprimir a doçura fria e ao mesmo tempo travessa de Vandinha, mantendo a personagem como um dos pontos altos da série. O mesmo ocorreu com Raphael Ferreira, que dublou Feioso com uma naturalidade leve, trazendo vida ao eterno cúmplice das maluquices da irmã. Já a Vovó Addams, agora na voz de Zayra Zordan, ganhou um tom ainda mais caricatural, acentuando sua aura de bruxa simpática e esquisita.
Apesar de ser tecnicamente muito bem executada, essa redublagem gerou discussões entre fãs. Muitos preferiam a irreverência abrasileirada da Dublasom Guanabara, com nomes como Covas, Mortiça e Lacraio, enquanto outros destacavam a fidelidade da nova versão aos filmes e materiais posteriores, que já popularizavam nomes como Gomez, Mortícia e Tropeço. De um lado, havia nostalgia; de outro, a necessidade de unificar a marca “Addams” para novas gerações.
Assim, a redublagem de A Família Addams acabou tendo papel duplo: por um lado, reacendeu o contato de jovens brasileiros com a série clássica, tornando-a mais próxima do universo dos filmes dos anos 90; por outro, manteve viva a eterna discussão sobre o valor das primeiras dublagens, mostrando como as vozes que escutamos moldam, para sempre, a forma como lembramos dos personagens.
Herdeiros das Sombras
Mais de meio século após sua estreia, A Família Addams segue como um dos maiores símbolos da cultura pop. O seriado lançou personagens que extrapolaram a TV, virando filmes, desenhos animados, musicais da Broadway e até novas séries contemporâneas, como Wandinha, da Netflix.
O estilo gótico-cômico criado nos anos 60 mostrou-se atemporal, capaz de dialogar tanto com o humor leve das décadas passadas quanto com o olhar moderno para o excêntrico e o diferente.
No Brasil, o legado tem um sabor ainda mais especial graças à dublagem. A criatividade dos estúdios nacionais ao adaptar nomes e vozes criou uma versão “abrasileirada” da família que até hoje ressoa na memória dos fãs.
Assim, entre estalos de dedos, castelos sombrios e risadas mórbidas, A Família Addams permanece como uma celebração do estranho — lembrando a todos que, às vezes, o que foge da normalidade pode ser muito mais divertido.
abrasileirou os nomes, assim tínhamos uma família composta por Covas e sua mulher Mortiça, o Tio Funéreo, o mordomo Lacraio, além do Coisa e das crianças Feioso e Vandinha.
Em 1969 os direitos de transmissão do seriado foram adquiridos pela Rede Globo, onde passou a ocupar o horário das 17h30, de segunda à sexta-feira. Na década de 1970 a série continuou na Globo, sendo exibida sempre às tardes dentro de faixas como Show das Cinco, Globinho e Globo Cor Especial. Ficou na emissora até 1977.
A série só retornou em 1982 pela TV Record sendo levada ao ar diariamente às 14h30, mas ficou apenas um ano em exibição.
Quando foi exibida pelo canal Nickelodeon dentro do bloco Nick at Nite, em 2006, recebeu uma redublagem realizada pela Álamo, a mesma utilizada em DVD quando esses foram lançados no Brasil. Na nova dublagem os nomes dos personagens passaram a ser os mesmos usados nos filmes dos anos 90, também já usados no desenho de 1973, assim o casal virou Gomez e Mortícia, Fester virou Tio Chico e Lurch passou a ser chamado de Tropeço. Os demais mantiveram a primeira tradução.
Também foi mostrada pelo Multishow com legendas e pela Rede Brasil com a redublagem.






