Saved by the Bell
Galera do Barulho
- de 20/08/1989 a 22/05/1993.
- 4 temporadas (90 episódios).
- NBC Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal










Aparições Recorrentes






Outros


A Dublagem
Quando a série Saved by the Bell desembarcou no Brasil com o título Uma Galera do Barulho, ela trouxe consigo o frescor de uma comédia colegial norte-americana que falava diretamente com o público jovem dos anos 90.
Originalmente exibida nos Estados Unidos entre 1989 e 1993, a série retratava a rotina de amigos no ensino médio da fictícia Bayside High School, com muito humor, travessuras e problemas típicos da adolescência.
A turma da Bayside em cena
A série nasceu como um spin-off de Good Morning, Miss Bliss e ganhou corpo próprio ao colocar os estudantes no centro da história.
Produzida pela NBC e ambientada na California, em Bayside High, a narrativa acompanha os estudantes Zack Morris, A.C. Slater, Screech, Kelly Kapowski, Jessie Spano e Lisa Turtle — cada um representando um arquétipo adolescente: o artista do colégio, o atleta, o nerd, a líder de torcida, a intelectual engajada e a patricinha fashion.
Em cada episódio, os personagens vivenciam desde os dilemas leves do dia-a-dia (como paqueras, festas, trotes, baladas) até questões mais sérias: uso de drogas, bebidas, bullying, questões familiares e separações dos pais.
A leveza da estrutura sitcom permite rir junto com as travessuras de Zack e companhia, mas também gera identificação com os conflitos adolescentes. A produção investia em humor simples, locações escolares clássicas (salão de festas, ginásio, corredor), figurinos coloridos e interações em ritmo ágil, pensadas para manter o público jovem conectado.
Chegada e trajetória no Brasil: “uma galera” de sucesso
No Brasil, a estreia ocorreu em 27 de fevereiro de 1994, aos domingos, pela SBT às 11h30 — e, já no ano seguinte foi transferida para os sábados às 21h15. A transmissão brasileira se tornaria um fenômeno de nostalgia e marcou toda uma geração de telespectadores.
Quando a SBT trouxe Uma Galera do Barulho para sua grade, havia pouco conteúdo voltado especificamente para o público adolescente no horário de domingo ou sábado. A série apareceu como alternativa divertida, leve e com apelo para jovens e famílias. Logo de início, o público se identificou com a turma da Bayside, mesmo com a ambientação americana — as situações escolares pareciam universais.
Porém, em dezembro de 1995 a emissora chegou a cancelar o título, gerando a ira de jovens em todo o país que protestaram — “não pintaram a cara nem saíram às ruas, mas fizeram o maior escarcéu.” como relata jornais da época.
Diante da pressão, o SBT voltou atrás e reinseriu a série em 20 de janeiro — e em abril de 1996 ela ganhou uma nova janela: exibição diária às 15h25. O uso desse horário indicava que a emissora via o programa como um “coringa” para elevar audiência em faixas mais baixas. Contudo, naquele mesmo ano a série saiu definitivamente da TV brasileira.
Dublagem brasileira: vida própria à versão nacional
A dublagem de Uma Galera do Barulho recebeu tratamento cuidadoso pela histórica casa de dublagem Herbert Richers, que era referência no Brasil para séries importadas. Esse trabalho foi fundamental para adaptar o humor, expressões e gírias da geração 90 ao português brasileiro, criando uma “versão nacional” que soava natural ao público adolescente da época.
Zack Morris de Mark-Paul Gosselaar ganhou no Brasil a voz de Reynaldo Buzzoni; A.C. Slater (Mario López) foi dublado por Paulo Vignolo; o Screech (Dustin Diamond) contou com Luiz Sérgio Vieira; Kelly Kapowski (Tiffani Thiessen) teve voz de Adriana Torres; Jessie Myrtle Spano (Elizabeth Berkley) foi interpretada por Taciana Fonseca; Lisa Turtle (Lark Voorhies) recebeu Ana Lúcia Menezes; e o diretor Richard Belding, vivido por Dennis Haskins, ganhou Marco Antônio Costa na versão brasileira.
Mais que simplesmente traduzir falas, a dublagem adaptou jargões, piadas de contexto escolar americano e referências culturais para algo que funcionasse no Brasil. As risadas, os trotes, o “vibe” colegial foram trabalhados no estúdio como se fosse uma produção brasileira — o que ajudou o jovem telespectador a se enxergar nos corredores da Bayside High, ainda que distantes geograficamente.
A fluidez da voz, os timbres, a escolha dos locutores conhecidos e a sincronização aproximada fizeram que a dublagem se tornasse parte indissociável da lembrança da série no Brasil.
Da Bayside High ao coração do Brasil
O legado de Uma Galera do Barulho é mais profundo do que se imagina. Ela não apenas divertiu milhares de adolescentes, mas ajudou a definir o formato de sitcom no Brasil para esse público: escola, amigos, risadas, mas com pitadas de assunto sério — de certa forma antecipando formatos que viriam depois.
Na cultura pop brasileira dos anos 90, a expressão “galera do barulho” passou a evocar grupos de jovens irreverentes, divertidos, que faziam barulho de forma positiva. A série ofereceu modelos de amizade, conflito, humor que permaneceram em vídeos-memória de gerações. Mesmo anos depois de sair do ar, ela ainda é citada em reportagens nostálgicas, reencontros de fãs e especiais de TV.
Por fim, a dublagem brasileira, o carinho com a tradução, a ambientação brasileira na cabeça do público, tudo isso faz com que a série não seja apenas importada: ela se tornou, de certo modo, uma produção que viveu no imaginário brasileiro. E, para quem viveu os anos 90 e ligava a TV no domingo ou no sábado para ver a turma da Bayside, a lembrança persiste — risadas, zoações, corredores do colégio, diretor bravo, trotes e amizade. E isso não se apaga tão fácil.









