Elenco de Dublagem - Séries

Knight Rider

Super Máquina

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Mário Monjardim/ Newton da Matta

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

“A Super Máquina – Um voo de sombras ao mundo perigoso de um homem que não existe. Michael Knight – Um jovem solitário em uma cruzada para defender as causas do inocentes, dos desamparados, dos fracos e oprimidos em um mundo de criminosos que sobrepõem a lei.”

A Dublagem

Nos anos 1980, a televisão mundial vivia a era dourada dos heróis motorizados, e nenhuma produção simbolizou isso melhor do que Knight Rider, conhecida no Brasil como A Super Máquina. Misturando ação policial, ficção científica e carisma de sobra, a série apresentou ao público um dos duos mais icônicos da cultura pop: Michael Knight e seu parceiro tecnológico, o carro falante K.I.T.T..


No Brasil, a história da chegada de A Super Máquina é quase tão curiosa quanto as aventuras de seu protagonista — e envolve disputas de emissoras, contratos milionários e uma dublagem que se tornaria lendária.


 

Negociações de bastidores: da Globo ao SBT

Inicialmente, a Rede Globo demonstrou interesse em adquirir os direitos da série, que estava sendo produzida pela Universal Studios e criada por Glen A. Larson — o mesmo produtor de Galactica, O Guerreiro do Futuro e Magnum P.I.. Entretanto, a Universal impôs uma condição: a compra deveria incluir toda a primeira temporada e a segunda, que ainda estava em produção. A Globo considerou o investimento alto e desistiu do negócio.

Foi então que a TVS (atual SBT), sob o comando de Silvio Santos, aproveitou a oportunidade. A emissora não apenas comprou A Super Máquina, mas também fechou um contrato de exclusividade com a Universal Studios, garantindo o direito de exibir uma série de filmes e produções televisivas do estúdio.

A série estreou primeiro na Rede Record, em 1983, e rapidamente se tornou um sucesso entre crianças, jovens e adultos. No ano seguinte, passou a ser exibida pelo SBT, onde consolidou sua fama definitiva no Brasil.
As três primeiras temporadas foram exibidas pela Record, enquanto a última ficou sob responsabilidade do SBT — um arranjo raro na televisão brasileira, mas que ajudou a ampliar o alcance da série.


 

A essência de Knight Rider

Na trama, Michael Knight (interpretado por David Hasselhoff) é um ex-policial dado como morto e recrutado por uma fundação secreta chamada FLAG (Foundation for Law and Government). Sob uma nova identidade, ele passa a combater o crime com a ajuda de K.I.T.T. (Knight Industries Two Thousand), um carro superinteligente, blindado e equipado com inteligência artificial, sarcasmo e senso de humor.

O conceito — “um homem que não existe em um mundo cheio de perigos” — capturou a imaginação do público. Cada episódio misturava perseguições, tiroteios, conspirações e, claro, o charme do protagonista aliado à personalidade espirituosa do carro.

A série manteve um equilíbrio entre ficção futurista e ação televisiva acessível, tornando-se um dos maiores sucessos da década de 1980.


 

A dublagem da Herbert Richers: vozes que fizeram história

No Brasil, a série recebeu uma dublagem primorosa pelos estúdios Herbert Richers, no Rio de Janeiro — referência máxima em qualidade e expressão vocal na época. A direção foi feita por Newton da Matta e nos episódios finais recebeu o comando de Mário Monjardim, dois nomes lendários do ofício, responsáveis por imprimir naturalidade e emoção às versões nacionais.

O papel de Michael Knight foi entregue ao inconfundível Júlio Chaves, em uma das atuações mais marcantes de sua carreira. Sua voz deu ao herói o tom ideal de coragem e simpatia, aproximando-o do público brasileiro.
Ao seu lado, José Santa Cruz interpretou Devon Miles, o mentor e diretor da FLAG, com a seriedade e a elegância que o papel pedia.

Já o icônico K.I.T.T. teve duas vozes ao longo da série: começou com André Filho, cuja interpretação equilibrava humor e sofisticação, e depois passou a ser dublado pelo lendário Isaac Bardavid, que deu ao carro um tom mais grave e paternal — uma verdadeira assinatura sonora.

Entre as vozes femininas, Fátima Mourão dublou Bonnie Barstow nas primeiras temporadas, sendo posteriormente substituída por Ângela Bonatti, enquanto April Curtis, a engenheira que substituiu Bonnie temporariamente, foi interpretada por Vera Miranda.

Na quarta temporada, o elenco de vozes ganhou também Nizo Neto, dublando RC3 (Reginald Cornelius III), o novo aliado de Michael.

O resultado foi uma dublagem vibrante e coesa, que manteve o tom aventuresco da série sem perder o humor e a leveza. Em muitos lares brasileiros, A Super Máquina é lembrada até hoje mais pela dublagem de Júlio Chaves e pelo timbre inconfundível de K.I.T.T. do que pelas vozes originais.


 

Uma série que nunca saiu da pista

Após sua exibição original, A Super Máquina percorreu uma longa estrada nas telas brasileiras.

Na TV a cabo, os episódios foram exibidos pelo antigo canal USA (atual Universal Channel), da Globosat, entre março de 1996 e novembro de 1998, com seis reprises completas.

Posteriormente, o Canal 21 trouxe o seriado de volta entre maio de 2001 e setembro de 2002, embora fora de ordem e com alguns episódios ausentes.

A produção também foi mostrada pelo canal Sci-Fi e, a partir de 2013, voltou à TV aberta pela Rede Brasil, conquistando uma nova geração de fãs nostálgicos.

O sucesso e o carinho do público foram tão grandes que a série inspirou reboots, filmes e versões modernas, incluindo uma tentativa de continuação nos anos 2000, mas nenhuma delas conseguiu igualar o charme e o equilíbrio da série original.


 

O herói e o carro que falavam a nossa língua

Mais do que uma simples série de ação, A Super Máquina deixou um legado cultural duradouro. Ela consolidou o mito do “herói solitário com uma máquina inteligente” e abriu caminho para outras produções que misturaram tecnologia e humanidade.

No Brasil, marcou uma era de televisão em que as séries dubladas se tornavam fenômenos nacionais, e onde os estúdios como Herbert Richers eram sinônimo de qualidade e emoção.

A voz de Júlio Chaves ainda ecoa como símbolo de heroísmo e carisma, enquanto o ronco metálico de K.I.T.T., acompanhado pela voz grave de Bardavid ou André Filho, continua a despertar nostalgia entre os fãs.
Mais de quarenta anos depois, o carro falante e o homem que não existia continuam vivos — não apenas na memória, mas no som inconfundível de uma dublagem que fez história.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

3 Replies to “

  1. Excelente post. Lembro bem do sucesso dessa série na década 80s, o que a molecadinha (eu incluso) compravam de carrinhos da supermáquina, da estrela naquela época, foi uma enormidade. Outras séries de sucesso que também geraram brinquedos, os helicópteros Trovão Azul e, a ainda mais moderna Águia de Fogo, e a pick-up de Duro na Queda. Bons tempos da TV.

  2. A ordem dos dubladores do Kitt está invertida. Isaac Bardavid dublou as primeiras 3 temporadas, o Andre Filho dublou a 4a e última.

  3. Pingback: TKR, Time do Futuro (1997) | DB - Dublagem Brasileira

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