Knight Rider
Super Máquina
- de 26/09/1982 a 04/04/1986.
- 4 temporadas (90 episódios)..
- Glen A. Larson Productions e MCA/Universal.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Mário Monjardim/ Newton da Matta
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


Outros


“A Super Máquina – Um voo de sombras ao mundo perigoso de um homem que não existe. Michael Knight – Um jovem solitário em uma cruzada para defender as causas do inocentes, dos desamparados, dos fracos e oprimidos em um mundo de criminosos que sobrepõem a lei.”
A Dublagem
Nos anos 1980, a televisão mundial vivia a era dourada dos heróis motorizados, e nenhuma produção simbolizou isso melhor do que Knight Rider, conhecida no Brasil como A Super Máquina. Misturando ação policial, ficção científica e carisma de sobra, a série apresentou ao público um dos duos mais icônicos da cultura pop: Michael Knight e seu parceiro tecnológico, o carro falante K.I.T.T..
No Brasil, a história da chegada de A Super Máquina é quase tão curiosa quanto as aventuras de seu protagonista — e envolve disputas de emissoras, contratos milionários e uma dublagem que se tornaria lendária.
Negociações de bastidores: da Globo ao SBT
Inicialmente, a Rede Globo demonstrou interesse em adquirir os direitos da série, que estava sendo produzida pela Universal Studios e criada por Glen A. Larson — o mesmo produtor de Galactica, O Guerreiro do Futuro e Magnum P.I.. Entretanto, a Universal impôs uma condição: a compra deveria incluir toda a primeira temporada e a segunda, que ainda estava em produção. A Globo considerou o investimento alto e desistiu do negócio.
Foi então que a TVS (atual SBT), sob o comando de Silvio Santos, aproveitou a oportunidade. A emissora não apenas comprou A Super Máquina, mas também fechou um contrato de exclusividade com a Universal Studios, garantindo o direito de exibir uma série de filmes e produções televisivas do estúdio.
A série estreou primeiro na Rede Record, em 1983, e rapidamente se tornou um sucesso entre crianças, jovens e adultos. No ano seguinte, passou a ser exibida pelo SBT, onde consolidou sua fama definitiva no Brasil.
As três primeiras temporadas foram exibidas pela Record, enquanto a última ficou sob responsabilidade do SBT — um arranjo raro na televisão brasileira, mas que ajudou a ampliar o alcance da série.
A essência de Knight Rider
Na trama, Michael Knight (interpretado por David Hasselhoff) é um ex-policial dado como morto e recrutado por uma fundação secreta chamada FLAG (Foundation for Law and Government). Sob uma nova identidade, ele passa a combater o crime com a ajuda de K.I.T.T. (Knight Industries Two Thousand), um carro superinteligente, blindado e equipado com inteligência artificial, sarcasmo e senso de humor.
O conceito — “um homem que não existe em um mundo cheio de perigos” — capturou a imaginação do público. Cada episódio misturava perseguições, tiroteios, conspirações e, claro, o charme do protagonista aliado à personalidade espirituosa do carro.
A série manteve um equilíbrio entre ficção futurista e ação televisiva acessível, tornando-se um dos maiores sucessos da década de 1980.
A dublagem da Herbert Richers: vozes que fizeram história
No Brasil, a série recebeu uma dublagem primorosa pelos estúdios Herbert Richers, no Rio de Janeiro — referência máxima em qualidade e expressão vocal na época. A direção foi feita por Newton da Matta e nos episódios finais recebeu o comando de Mário Monjardim, dois nomes lendários do ofício, responsáveis por imprimir naturalidade e emoção às versões nacionais.
O papel de Michael Knight foi entregue ao inconfundível Júlio Chaves, em uma das atuações mais marcantes de sua carreira. Sua voz deu ao herói o tom ideal de coragem e simpatia, aproximando-o do público brasileiro.
Ao seu lado, José Santa Cruz interpretou Devon Miles, o mentor e diretor da FLAG, com a seriedade e a elegância que o papel pedia.
Já o icônico K.I.T.T. teve duas vozes ao longo da série: começou com André Filho, cuja interpretação equilibrava humor e sofisticação, e depois passou a ser dublado pelo lendário Isaac Bardavid, que deu ao carro um tom mais grave e paternal — uma verdadeira assinatura sonora.
Entre as vozes femininas, Fátima Mourão dublou Bonnie Barstow nas primeiras temporadas, sendo posteriormente substituída por Ângela Bonatti, enquanto April Curtis, a engenheira que substituiu Bonnie temporariamente, foi interpretada por Vera Miranda.
Na quarta temporada, o elenco de vozes ganhou também Nizo Neto, dublando RC3 (Reginald Cornelius III), o novo aliado de Michael.
O resultado foi uma dublagem vibrante e coesa, que manteve o tom aventuresco da série sem perder o humor e a leveza. Em muitos lares brasileiros, A Super Máquina é lembrada até hoje mais pela dublagem de Júlio Chaves e pelo timbre inconfundível de K.I.T.T. do que pelas vozes originais.
Uma série que nunca saiu da pista
Após sua exibição original, A Super Máquina percorreu uma longa estrada nas telas brasileiras.
Na TV a cabo, os episódios foram exibidos pelo antigo canal USA (atual Universal Channel), da Globosat, entre março de 1996 e novembro de 1998, com seis reprises completas.
Posteriormente, o Canal 21 trouxe o seriado de volta entre maio de 2001 e setembro de 2002, embora fora de ordem e com alguns episódios ausentes.
A produção também foi mostrada pelo canal Sci-Fi e, a partir de 2013, voltou à TV aberta pela Rede Brasil, conquistando uma nova geração de fãs nostálgicos.
O sucesso e o carinho do público foram tão grandes que a série inspirou reboots, filmes e versões modernas, incluindo uma tentativa de continuação nos anos 2000, mas nenhuma delas conseguiu igualar o charme e o equilíbrio da série original.
O herói e o carro que falavam a nossa língua
Mais do que uma simples série de ação, A Super Máquina deixou um legado cultural duradouro. Ela consolidou o mito do “herói solitário com uma máquina inteligente” e abriu caminho para outras produções que misturaram tecnologia e humanidade.
No Brasil, marcou uma era de televisão em que as séries dubladas se tornavam fenômenos nacionais, e onde os estúdios como Herbert Richers eram sinônimo de qualidade e emoção.
A voz de Júlio Chaves ainda ecoa como símbolo de heroísmo e carisma, enquanto o ronco metálico de K.I.T.T., acompanhado pela voz grave de Bardavid ou André Filho, continua a despertar nostalgia entre os fãs.
Mais de quarenta anos depois, o carro falante e o homem que não existia continuam vivos — não apenas na memória, mas no som inconfundível de uma dublagem que fez história.





















Excelente post. Lembro bem do sucesso dessa série na década 80s, o que a molecadinha (eu incluso) compravam de carrinhos da supermáquina, da estrela naquela época, foi uma enormidade. Outras séries de sucesso que também geraram brinquedos, os helicópteros Trovão Azul e, a ainda mais moderna Águia de Fogo, e a pick-up de Duro na Queda. Bons tempos da TV.
A ordem dos dubladores do Kitt está invertida. Isaac Bardavid dublou as primeiras 3 temporadas, o Andre Filho dublou a 4a e última.