Elenco de Dublagem - Desenhos

The New Adventures of Flash Gordon

Flash Gordon

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Carmen Sheila

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Cinevídeo

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Participações

Outros

A Dublagem

Em plena era dourada da animação televisiva, Flash Gordon voltou a conquistar o público no final dos anos 1970 graças à produtora Filmation, que decidiu resgatar o clássico herói dos quadrinhos de Alex Raymond em uma versão animada repleta de ação, ficção científica e heroísmo.

Lançada originalmente entre 22 de setembro de 1979 e 6 de novembro de 1982, a série — cujo título completo é The New Adventures of Flash Gordon — contou com duas temporadas e 32 episódios, sendo exibida pela NBC nos Estados Unidos.

A produção nasceu do sucesso estrondoso de Star Wars (1977), que reacendeu o interesse do público por aventuras espaciais. Filmation e King Features Syndicate uniram forças para criar uma série que fosse, ao mesmo tempo, uma homenagem e uma atualização do universo clássico de Flash Gordon. O resultado foi uma das animações mais elogiadas do estúdio, reconhecida até hoje por sua fidelidade ao espírito original dos quadrinhos e pela qualidade de sua animação — um marco entre as produções de televisão da época.


 

Dos Quadrinhos ao Cosmos 

Em The New Adventures of Flash Gordon, acompanhamos o herói terrestre Flash Gordon, sua parceira Dale Arden e o cientista Dr. Hans Zarkov em uma jornada rumo ao planeta Mongo, onde enfrentam o impiedoso tirano Ming, o Impiedoso. A trama mistura ficção científica com aventura e até pitadas de fantasia, mostrando os protagonistas unindo forças com povos alienígenas, como: Thun, Rei Vultan e o príncipe Barin, de Arboria, para formar uma resistência contra o domínio de Ming.

Curiosamente, o projeto começou como um longa-metragem animado para TV, mas o sucesso do material levou a NBC a transformá-lo em série semanal. Houve mudanças relevantes: o roteiro original se passava durante a Segunda Guerra Mundial e incluía um subenredo envolvendo Hitler e armas de Ming — elementos cortados na adaptação final. Mesmo assim, o resultado impressionou pela profundidade dos personagens e pela narrativa contínua, algo raro em desenhos da época.


 

Do Espaço à Sessão Aventura 

No Brasil, Flash Gordon estreou pela Rede Globo, dentro da tradicional Sessão Aventura, no início dos anos 1980, com dublagem da Herbert Richers. Aproveitando o lançamento do longa-metragem Flash Gordon (1980), estrelado por Sam J. Jones e com trilha sonora do Queen, a emissora utilizou justamente a música da banda britânica nas chamadas de exibição do desenho — um toque de modernidade que encantou a audiência. O desenho também ganhou espaço no programa infantil Balão Mágico, consolidando sua presença junto ao público jovem da época. 

Na era da TV a cabo, foi redescoberto pelos canais Cartoon Network, Locomotion e Boomerang, já com uma nova dublagem do estúdio Cinevídeo. Mais tarde, chegou ao SBT, mantendo a redublagem carioca. Dessa forma a dublagem original, realizada pela Herbert Richers, acabou se perdendo. Quando lançado em DVD pela Focus Filmes, recebeu uma terceira dublagem, feita em São Paulo pelo estúdio Mastersound.


 

As Vozes da Galáxia 

A primeira e mais marcante versão brasileira de Flash Gordon veio do lendário estúdio Herbert Richers, no Rio de Janeiro, sob a direção do mestre Mário Monjardim e exibida pela Rede Globo no início dos anos 80.

No final dos anos 1990 e início dos 2000, uma nova geração de fãs brasileiros teve a chance de redescobrir Flash Gordon, pelo canal Boomerang, agora com uma redublagem realizada pelo estúdio Cinevídeo, sob direção da experiente Carmen Sheila. Essa nova versão trouxe uma roupagem moderna às vozes e um trabalho técnico de grande qualidade, respeitando o espírito aventureiro e o tom épico da produção original.

A dublagem da Cinevídeo teve o mérito de equilibrar fidelidade e renovação. Enquanto a Herbert Richers havia marcado época com seu elenco clássico, a Cinevídeo trouxe um novo time de vozes que, sem perder o tom heroico e dramático da trama, conseguiu imprimir naturalidade e emoção aos personagens.

Duda Espinoza assumiu o papel do carismático herói Flash Gordon, conferindo à voz um vigor jovial e destemido que casava perfeitamente com a energia do personagem. Ao seu lado, Nádia Carvalho emprestou elegância e firmeza à repórter Dale Arden, enquanto Jorge Vasconcellos deu vida ao sempre racional e inquieto Dr. Hans Zarkov, o cientista que acompanha Flash em suas jornadas interplanetárias.

Entre os vilões, o destaque vai para Ionei Silva, que interpretou com maestria o tirano Imperador Ming, dotando-o de uma voz imponente e sombria que transmitia perfeitamente o autoritarismo e a frieza do personagem. Carmen Sheila também participou ativamente da produção, dublando a Princesa Aura, filha de Ming, nas duas temporadas da série. Sua atuação soube capturar as nuances da personagem — ora aliada, ora inimiga —, equilibrando sensualidade e bravura com sutileza.

Do lado dos aliados, a dublagem brasileira trouxe nomes igualmente memoráveis. Mário Cardoso emprestou força e nobreza ao Rei Thun, líder dos Homens-Leão, enquanto Clécio Souto interpretou o carismático Príncipe Barin, príncipe de Arboria. Carlos Seidl, por sua vez, trouxe imponência e humor à voz de Vultan, o rei dos Homens-Falcão, reafirmando seu talento para papéis de personagens poderosos e enérgicos. Entre os coadjuvantes e participações especiais, também se destacaram Nair Amorim como a Rainha Fria, Sônia Ferreira como Desira, Geisa Vidal como Azura e Myriam Thereza como Undina, todas figuras femininas que enriqueceram o universo colorido e místico de Mongo.

A qualidade da redublagem da Cinevídeo é notável tanto pelo cuidado técnico quanto pela direção de vozes. A mixagem e sincronização, realizadas com capricho, garantiram que as vozes se encaixassem perfeitamente na animação — um desafio considerável, visto o ritmo dinâmico e os efeitos sonoros típicos da produção original.

Hoje, a redublagem da Cinevídeo é lembrada com carinho por fãs e dubladores como um exemplo de trabalho bem executado — uma ponte entre o passado glorioso da animação e a modernização do audiovisual brasileiro. Com vozes marcantes, direção cuidadosa e respeito à obra original, essa versão reafirmou o legado de Flash Gordon como uma das aventuras mais icônicas da ficção científica animada.

 

A Marca Interplanetária de Flash Gordon

Mais de quatro décadas após sua estreia, Flash Gordon continua sendo uma referência fundamental no universo da animação e da ficção científica televisiva. A série da Filmation é lembrada tanto por seu visual expressivo quanto por sua narrativa adulta e coerente, que influenciou futuras produções do gênero.

No Brasil, o desenho se tornou um ícone nostálgico de gerações que cresceram assistindo à Sessão Aventura e ao Balão Mágico, reconhecendo instantaneamente a voz de Márcio Seixas ecoando como o herói das estrelas. As múltiplas dublagens ao longo das décadas mostram o poder duradouro do personagem, que permanece vivo em novas mídias, coleções e memórias.

Entre batalhas cósmicas, tiranos interplanetários e amores que atravessam galáxias, Flash Gordon segue lembrado como um verdadeiro campeão da aventura animada — um legado que brilha, como seu herói, em meio às estrelas.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.