Wiseguy
O Homem da Máfia
- de 16/09/1987 a 08/12/1990.
- 4 temporada (75 episódios).
- Stephen J. Cannell Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


Aparições Recorrentes













Outros
A Dublagem
Entre as muitas séries policiais que marcaram os anos 1980, poucas conseguiram equilibrar drama, ação e profundidade emocional como Wiseguy, conhecida no Brasil como O Homem da Máfia.
Produzida por Stephen J. Cannell Productions, a série estreou nos Estados Unidos em 16 de setembro de 1987 e seguiu até 8 de dezembro de 1990, totalizando quatro temporadas e 75 episódios.
O diferencial de Wiseguy era sua estrutura narrativa em “arcos”, cada um cobrindo várias semanas e contando uma história completa de infiltração policial. Isso lhe dava um tom quase cinematográfico — uma raridade na TV da época. O protagonista, Vinnie Terranova, interpretado por Ken Wahl, era um agente do FBI infiltrado em organizações criminosas, obrigado a viver entre dois mundos: o da lei e o do crime. Ao seu redor, personagens complexos e moralmente ambíguos compunham uma trama que questionava lealdade, identidade e corrupção em todas as esferas.
Do submundo americano às telas brasileiras
No Brasil, O Homem da Máfia chegou em janeiro de 1989, quando a Rede Globo estreou a série em sua programação noturna. O público brasileiro, já acostumado com policiais clássicos, se surpreendeu com a abordagem mais sombria e realista de Wiseguy, que se distanciava do formato procedural tradicional e mergulhava em longas histórias de infiltração.
A emissora exibiu as três primeiras temporadas, todas com dublagem realizada nos estúdios da Herbert Richers, no Rio de Janeiro. Essa versão marcou época, especialmente por sua qualidade de tradução e o trabalho cuidadoso das vozes, que ajudaram a transmitir o peso dramático da trama sem perder o ritmo tenso da narrativa.
Durante os anos 1990, a série voltou ao ar pela TV Record, ainda com a mesma dublagem. Quando o canal Sony Entertainment Television passou a exibir Wiseguy, incluiu também a quarta temporada inédita — mas sem versão dublada, já que essa fase nunca foi dublada no Brasil, encerrando o ciclo da Herbert Richers na terceira temporada.
Entre a lei e o crime: a essência da história
A série acompanhava Vincent “Vinnie” Terranova, um jovem agente que, após cumprir uma pena de prisão simulada, retorna à ativa infiltrando-se em redes criminosas. Sua missão: desmantelar de dentro grandes organizações do submundo americano. O problema é que Vinnie começa a criar vínculos com as pessoas que deveria destruir — mafiosos, empresários e até amigos —, gerando dilemas morais cada vez mais intensos.
Seu superior e mentor, Frank McPike (interpretado por Jonathan Banks, o futuro Mike Ehrmantraut de Breaking Bad), atua como o contato de Vinnie, mantendo-o equilibrado entre o dever e a consciência. O resultado é uma série de ritmo denso, marcada por atuações brilhantes e roteiros que exploravam a linha tênue entre o certo e o errado.
Ecos do submundo: a dublagem brasileira
A versão brasileira de O Homem da Máfia é lembrada até hoje pelos fãs como uma das mais sólidas dublagens da Herbert Richers, combinando vozes poderosas e interpretações maduras que respeitavam o tom sombrio da produção.
Ricardo Schnetzer, na voz de Vinnie Terranova (Ken Wahl), deu vida a um protagonista complexo, oscilando entre o idealismo e a desesperança. Sua entonação firme, mas emocional, capturava perfeitamente o conflito interno do agente infiltrado. Ao lado dele, Orlando Prado dublava o veterano Frank McPike (Jonathan Banks) com sobriedade e autoridade, criando uma das duplas mais equilibradas da dublagem nacional.
O carismático Daniel “Salva-Vidas” Burroughs (Jim Byrnes) ganhou voz através de Júlio Cézar Barreiros, que trouxe leveza e humanidade ao personagem, equilibrando o peso dramático da série com momentos mais espirituosos. Entre os vilões, Sonny Steelgrave (Ray Sharkey) foi interpretado por Sérgio Galvão, que imprimiu uma energia vibrante e ameaçadora — um dos grandes acertos da dublagem.
Outros nomes também brilharam na versão brasileira: Paulo Pinheiro deu voz ao Padre Peter Terranova, figura moral da série, enquanto Nelly Amaral interpretou Carlotta Terranova Aiuppo, mãe do protagonista, com emoção e calor familiar. Dario Lourenço emprestou sua voz ao poderoso Don Rudy Aiuppo, e Miriam Thereza dublou a elegante e misteriosa Amber Twine (Patti D’Arbanville). O elenco ainda contou com Garcia Júnior como John Henry Raglin (Tony Denison), reforçando a força vocal característica da Herbert Richers.
A leitura dos títulos ficou a cargo de Ricardo Mariano Dublasievicz, presença habitual nas aberturas do estúdio, marcando o início de cada episódio com sua voz inconfundível.
É notório o cuidado com a sonoridade e o equilíbrio das vozes — um padrão de qualidade que a Herbert Richers mantinha em suas séries de ação e drama. Essa dublagem, ao mesmo tempo intensa e precisa, ajudou O Homem da Máfia a conquistar o público adulto brasileiro, tornando-se um marco da televisão dublada dos anos 80 e 90.
Uma série à frente de seu tempo
O Homem da Máfia não foi apenas mais uma série policial — foi uma obra que antecipou a complexidade moral que se tornaria marca das produções modernas. Antes mesmo de The Sopranos ou Breaking Bad, Wiseguy já explorava a ambiguidade de um protagonista dividido entre dois mundos.
No Brasil, o trabalho impecável da Herbert Richers garantiu que essa densidade dramática fosse compreendida e apreciada, ajudando a consolidar o gosto nacional por séries policiais com alma e narrativa contínua.
Mais de três décadas depois, O Homem da Máfia ainda é lembrada como uma produção ousada e emocional, que mostrou que até no submundo do crime há espaço para humanidade — e para uma dublagem que fez história.



















