Elenco de Dublagem - Séries

Three's Company

Um é Pouco, Dois é Bom e Três é Demais

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Telecine

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Lançada nos EUA em 1977, Three’s Company rapidamente se tornou um fenômeno de audiência graças à fórmula de comédia física, mal-entendidos e ao carisma de John Ritter.

No Brasil, a série chegou nos anos 80 pela TV Manchete, ganhando título de Um é Pouco, Dois é Bom e Três é Demais — e um lugar no imaginário popular das reprises. A série marcou a virada para uma comédia de situação que combinava farça, situações de flerte e gag físico em tempos em que a censura e os códigos sociais ainda limitavam outras formas de humor mais diretas. 


 

Cozinha do riso

Criada por Don Nicholl, Michael Ross e Bernie West, Three’s Company foi adaptada livremente da britânica Man About the House e consolidou-se como sitcom de palco multicâmera, com ritmo rápido e cenas curtas feitas para provocar gargalhadas e manter o público ligado.

O trio original — Jack (John Ritter), Janet (Joyce DeWitt) e Chrissy (Suzanne Somers) — formava o núcleo central das confusões, enquanto personagens coadjuvantes como os Ropers e, depois, Ralph Furley (Don Knotts) ampliavam a galeria de arquétipos cômicos. A escrita explorava mal-entendidos sexuais e convenções sociais (o subterfúgio de Jack fingir ser gay para morar com duas mulheres é o motor contínuo da série), além de muita comédia física, especialmente no desempenho de Ritter.

Ao longo das temporadas a rotatividade de personagens (saída de Somers em 1981 e as substituições por Jenilee Harrison e Priscilla Barnes) mostrou como uma sitcom tem de se reinventar para se manter sólida. 


 

As vozes por trás do riso 

Quando Um é Pouco, Dois é Bom e Três é Demais chegou ao Brasil, o estúdio Telecine ficou responsável por um dos trabalhos de dublagem mais simpáticos e afinados do período. Traduzir o ritmo ágil e as situações de comédia física da série exigia precisão e um elenco que entendesse o tom de humor leve, cheio de mal-entendidos e reviravoltas.  O resultado foi uma dublagem que não apenas acompanhou o texto original, mas acrescentou uma dose toda brasileira de ritmo e musicalidade à série.

O protagonista Jack Tripper, vivido por John Ritter, ganhou voz por Nelson Batista, um dublador de timbre expressivo, bem humorado e natural que captou com perfeição o jeito atrapalhado e carismático do personagem. Mais tarde, Rodney Gomes assumiu o papel, mantendo o mesmo espírito divertido e despretensioso, mostrando o cuidado do estúdio em preservar a essência do personagem mesmo em uma troca de voz — algo essencial para o público que já havia se afeiçoado à versão brasileira.

A amiga Janet Wood, interpretada por Joyce DeWitt, foi dublada por Nair Amorim, que imprimiu à personagem uma mistura de sensatez e doçura, equilibrando a energia de Jack e Chrissy nas confusões do apartamento. Já Chrissy Snow, vivida por Suzanne Somers, recebeu a voz de Maria da Penha, que soube traduzir o humor ingênuo e o jeito leve da personagem sem cair na caricatura — um trabalho de sutileza que garantiu o riso espontâneo e a empatia do público brasileiro.

Os senhores do prédio, Stanley e Helen Roper, também ganharam vida com interpretações marcantes. José Santa Cruz, dono de uma das vozes mais conhecidas da dublagem nacional, trouxe a Stanley o sarcasmo e a rabugice cômica típicos do personagem de Norman Fell, equilibrando o mau humor com uma cadência irresistivelmente divertida. Glória Ladany, por sua vez, deu à Helen Roper uma presença cheia de ironia e charme, transformando as reclamações conjugais e os olhares de tédio da personagem em momentos hilários e inesquecíveis.

 

Uma série esquecida

Rever Three’s Company hoje é um exercício duplo: entender como o humor se amarra em contextos culturais e reconhecer o papel do trabalho de dublagem em tornar esse humor acessível (ou às vezes problemático) para outro público.

A dublagem brasileira não é apenas tradução técnica: é uma arte de performance que, no caso desta sitcom, ajudou a construir o sorriso das gerações que a assistiram em português. E, como toda tradição artística, merece ser estudada e documentada — inclusive com os créditos e vozes que, ao longo de reprises e versões, foram dando corpo em português aos três amigos que dividiam um apartamento em Santa Monica.

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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