Elenco de Dublagem - Desenhos

Jikū Tantei Genshi-kun - 時空 探偵 ゲンシクン

Flint, o Detetive do Tempo

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Waldir de Oliveira

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Marshmallow

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

A Dublagem

No final dos anos 90, a indústria de animes já vivia um momento de saturação criativa. A fórmula de Dragon Ball e, sobretudo, de Pokémon se tornara um atalho para garantir audiência e brinquedos licenciados.

Foi nesse cenário que surgiu Flint – O Detetive do Tempo (Jikuu Tantei Genshi-kun), exibido no Japão entre 1º de outubro de 1998 e 24 de junho de 1999, com apenas 43 episódios produzidos pelo estúdio Group Tac.

A série nunca escondeu suas intenções: capturar a atenção da molecada fissurada em monstrinhos e aventuras mirabolantes. Mas, ao invés de brilhar, acabou se tornando um daqueles fósseis animados que o tempo não conseguiu preservar com glória.


 

Pré-história com sabor de déjà vu 

A trama mistura ficção científica, comédia e o eterno apelo das criaturinhas colecionáveis. No século XXV, os irmãos Sara e Tony descobrem fósseis curiosos e os levam ao tio cientista, Dr. Goodman.

Usando um “desfossilizador”, ele devolve à vida o pequeno homem das cavernas Flint e seu mascote Getalong. O pai do garoto, porém, acaba preso em forma de machadinha falante — que se torna tanto arma quanto conselheiro.

Flint logo se integra à Polícia do Tempo, encarregado de caçar os vilões Petra Fina, Dino e Mite, que viajam por diferentes eras recolhendo estranhas criaturas conhecidas como “Time Shifters”.

Entre idas e vindas ao passado, Flint, sua família improvisada e o mascote robótico Pterry enfrentam a ameaça do enigmático Senhor Obscuro, que pretende reescrever o curso da história.

 

Viagem no tempo até a Globo 

Antes de chegar às TVs brasileiras, Flint passou pelos Estados Unidos, onde recebeu adaptações pesadas: nomes ocidentalizados, músicas substituídas e até uma abertura constrangedora. Essa versão americanizada foi a que desembarcou por aqui em 2001, dentro da programação da Fox Kids. O canal reprisava o anime de forma exaustiva, chegando a exibi-lo quatro vezes por dia, numa tentativa quase desesperada de popularizar a série.

Entre 2001 e 2003, a Fox insistiu em manter Flint na grade, mas o público nunca abraçou o título com entusiasmo. Houve até episódios exibidos discretamente na Globo, em horários ocultos, mas nada que rendesse repercussão. O destino de Flint foi se perder em meio a tantas outras produções oportunistas da época, lembrado mais pelas reprises infinitas do que por alguma cena memorável.


 

Vozes que resistem ao tempo 

Se a série tropeçava em quase todos os aspectos, a dublagem brasileira ao menos conseguiu dar uma dignidade inesperada. Realizada no estúdio Marshmallow, sob direção de Waldyr de Oliveira, a adaptação de vozes trouxe um elenco sólido e carismático que conseguiu injetar vida onde a animação falhava.

Carlos Falat, na pele de Flint, transmitia bem a ingenuidade infantil e a energia esfomeada do garoto das cavernas, com seu falsete de garotinho, muito capriuchado. Rita Almeida e César Terranova, como Sara e Tony, equilibravam os diálogos com naturalidade, funcionando como os “pés no chão” da equipe.

A vilã Petra Fina, dublada por Lúcia Helena Azevedo, ganhou uma interpretação carregada de exagero cômico. Esse trabalho recebeu em 2003 a indicação do Prêmio Yamato de Melhor Atriz Coadjuvante, 

Até personagens secundários como o mascote Getalong (na voz de ??) e o pterodáctilo Pterry (Ivo “Tatu” Roberto) recebiam um tratamento cuidadoso, garantindo carisma mesmo às criaturas mais desengonçadas.

 Muitos que hoje lembram de Flint no Brasil recordam menos da animação e mais das vozes marcantes que a acompanharam.


O fóssil animado 

Rever Flint – O Detetive do Tempo hoje é como abrir uma cápsula do tempo da virada do milênio: um produto fabricado sob medida para lucrar em cima da febre dos monstrinhos, mas sem a originalidade que marcou os grandes clássicos das décadas anteriores.

Seu legado não está em inovações ou personagens inesquecíveis, mas no retrato de uma fase em que a indústria japonesa apostava mais em fórmulas fáceis do que em criatividade.

No Brasil, Flint virou sinônimo de “anime que passava sem ninguém ligar muito”. Foi exaustivamente reprisado, mas raramente comentado. Sobrevive, portanto, como um fóssil da televisão infantil — lembrado com certo constrangimento, mas também com a nostalgia de quem cresceu zapeando pela Fox Kids.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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