Don Dorakyura
Don Drácula
- de 28/05/1979 a 10/12/1979.
- 1 temporada (8 episódios).
- Tezuka Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Telecine
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal












Outros


A Dublagem
m 1983, o Brasil conhecia um vampiro muito peculiar: charmoso, atrapalhado e absolutamente irresistível para o público infantil. Estreando em 14 de junho no programa Clube da Criança, da Rede Manchete, o anime Don Drácula caiu nas graças da garotada em tempo recorde. O sucesso foi imediato e duradouro — mesmo com apenas 8 episódios produzidos pela Tezuka Productions, o desenho passou três anos seguidos no ar na emissora, frequentemente reprisado em atrações como o Circo do Carequinha e a Sessão Animada.
Ao lado de títulos como Pirata do Espaço e Super Aventuras, Don Drácula ajudou a pavimentar o terreno fértil dos animes no Brasil — ainda na década de 1980, quando o termo “anime” nem era popular por aqui.
Do criador de Astro Boy à telinha da Manchete
Criado por Osamu Tezuka, o “deus do mangá”, Don Drácula teve uma vida curta, porém intensa na televisão japonesa, sendo exibido entre maio e dezembro de 1979. A série acompanhava o Conde Drácula, que decide deixar a Transilvânia e se mudar para o Japão com sua filha adolescente, Sangria, e o serviçal Igor. Lá, tenta manter a pose aristocrática e seduzir belas mulheres… mas é constantemente atrapalhado pelo caçador de vampiros Professor Rip Von Helsing, por Blonda, sua eterna pretendente rejeitada, e por outras confusões do cotidiano.
O humor pastelão, a estética cartunesca e o ritmo acelerado tornaram a série irresistível para o público brasileiro — que recebeu essa joia japonesa com entusiasmo digno de um festival de monstros.
Dublagem com Sotaque de Estrela
A versão brasileira de Don Drácula foi dublada pelo estúdio Telecine, do Rio de Janeiro, e é até hoje considerada uma das mais criativas e carismáticas dublagens da década de 1980. A direção ágil, as vozes caricatas e a liberdade cômica nas adaptações de texto fizeram desta dublagem um marco afetivo para quem cresceu com a Manchete ligada no fim de tarde.
No papel-título, o grande destaque: Paulo Pinheiro, geralmente reservado a personagens coadjuvantes e dublagens discretas, brilhou como Don Drácula, com uma interpretação grandiosa, histriônica e hilária. Foi, para muitos, o grande momento de sua carreira como dublador.
Miriam Ficher, jovem e versátil, emprestou à doce Sangria uma voz graciosa e expressiva — um tipo de papel que a acompanharia por toda a carreira. Já a incontrolável Blonda, mulher obcecada por Don Drácula, foi interpretada com perfeição pela radioatriz Neyda Rodrigues, dona de uma voz poderosa que marcou época também nas narrações dos disquinhos infantis coloridos da Continental.
O elenco se completava com veteranos de peso: Ayrton Cardoso como o fanático e destrambelhado Professor Von Helsing, Henrique Ogalla como o morcego tagarela Yasubee, Antônio Patiño como o Inspetor da polícia e Hélio Alves no papel de Igor. Para completar o charme da dublagem, a leitura de título era feita por Arlênio Lívio, com seu tom cerimonioso e cheio de personalidade.
Vida Curta, Mordida Profunda
Mesmo com apenas 8 episódios, Don Drácula teve uma exibição duradoura no Brasil. Entre 1983 e 1986, figurou na grade da Rede Manchete, ganhando novas plateias e reprisando incansavelmente. Em 1994, voltou à televisão pela CNT, dentro do programa Tudo Por Brinquedo, apresentado por Mariane — alcançando uma nova geração e reforçando seu status de cult.
O desenho permanece até hoje como uma joia rara da era de ouro dos animes na TV brasileira, lembrado por seu humor excêntrico, sua estética única e sua dublagem absolutamente encantadora.








