Ark II
Ark II
- de 11/11/1976 a 18/12/1976.
- 1 temporada (15 episódios).
- Filmation Associates.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Luíz Manoel
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Telecine
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal




Outros


“Por milhões de anos a Terra foi fértil e rica, aí a poluição e os detritos começaram a cobrar seu preço. A civilização caiu em ruínas.
Este é o mundo do século XXV. Sobrou apenas um punhado de cientistas, homens que têm lutado para reconstruir o que foi destruído.
Esta é a conquista deles: a Ark II, um depósito móvel de conhecimento científicos, manobrado por um tripulação de jovens altamente treinados. Sua missão: trazer a esperança de um novo futuro à humanidade.”


A Dublagem
Quando estreou em 11 de setembro de 1976 pela rede CBS, a série Ark II parecia ousada para seu tempo. Criada por Martin Roth e produzida pela Filmation Associates, ela foi pensada para o público infantil, mas trazia uma narrativa sombria: um futuro pós-apocalíptico devastado pela Terceira Guerra Mundial.
Exibida em apenas quinze episódios de trinta minutos, encerrando-se em dezembro do mesmo ano, a produção não alcançou grande sucesso nos Estados Unidos, mas deixou sua marca pelo tom educativo, as lições de moral no fim de cada episódio e pelo esforço de inserir elementos de ficção científica realistas em meio à fantasia televisiva dos anos 70.
Entre desertos e esperança: o enredo de um futuro improvável
A história de Ark II se passava no século XXV, em um planeta arrasado e quase irreconhecível. As cidades haviam desaparecido, a tecnologia se perdera e a humanidade sobrevivia em pequenas comunidades primitivas espalhadas por terras áridas. Nesse cenário de desolação, acompanhávamos um grupo de jovens cientistas que se tornavam a última esperança para restaurar a paz e o conhecimento no mundo. Liderado por Jonah, ao lado de Ruth, Samuel e o chimpanzé Adam, o time partia em expedições para ajudar vilarejos em perigo, ensinar valores de solidariedade e tentar reconstruir a civilização a partir de pequenos gestos. Era uma ficção científica que misturava aventura com um forte conteúdo moral, típico da Filmation, que já vinha de animações com lições educativas.
Um dos elementos mais memoráveis de Ark II era o imenso veículo-laboratório que dava nome à série. Diferente das maquetes e efeitos de câmera usados em tantas produções da época, o Ark II era real, construído em fibra de vidro sobre o chassi de um caminhão de lixo. Seu visual lembrava um motorhome espacial, mas sua condução não era nada simples: a posição das janelas dificultava a visão do motorista, tornando perigosa a direção em ambientes mais densos ou à noite. Mesmo assim, a imponência do veículo, cheio de compartimentos e equipamentos, dava um ar de credibilidade à ficção.
Dentro dele, havia ainda o Roamer, um pequeno carro auxiliar que podia sair do interior do laboratório móvel. Apesar do visual futurista, tratava-se de um modelo real, baseado em um Brubaker Box, um carro produzido nos anos 70 a partir do chassis de um Fusca. Seu design, com portas deslizantes e linhas arredondadas, acabou se tornando um precursor do conceito de minivan que ganharia espaço anos depois.
Mas talvez o elemento mais surpreendente fosse o Jet Jumper, uma mochila voadora usada pelos personagens. Embora parecesse um truque de efeitos especiais, o equipamento existia de verdade, fruto de experimentos da NASA. Vê-lo em funcionamento na televisão infantil dos anos 70 era praticamente assistir a um vislumbre de tecnologia experimental aplicada à ficção.
Do sucesso tímido à vida longa nas reprises
Nos Estados Unidos, Ark II foi exibida em apenas uma temporada, mas ganhou reprises constantes pela própria CBS durante anos, sustentando uma vida útil maior do que seu lançamento inicial faria supor. No Brasil, a série estreou em 1977 pela TV Record, exibida nas noites de segunda-feira ao lado de Minha Amiga Flicka. Permaneceu pouco tempo no ar, saindo da grade em 1978. Porém, em 1987, o SBT resgatou a atração e a levou novamente ao público brasileiro, agora em noites de quarta-feira ao lado de Shazam! e também aos domingos dentro do Programa Silvio Santos. O retorno garantiu a Ark II um reconhecimento maior por parte de quem havia crescido com as séries de aventura e fantasia exibidas na TV aberta.
Vozes que deram vida à esperança: a dublagem brasileira de Ark II
No Brasil, a dublagem de Ark II foi realizada pelo renomado estúdio Herbert Richers, conhecido por adaptar diversos clássicos da televisão americana para o público brasileiro. A direção de dublagem ficou a cargo de Luíz Manoel, que soube capturar a seriedade e o tom aventureiro da série, equilibrando a tensão de um mundo pós-apocalíptico com a leveza necessária para atrair o público infantil.
Os personagens principais receberam vozes marcantes que ajudaram a definir suas personalidades para o público brasileiro. Nilton Valério deu vida a Jonah, líder do grupo e guia moral da série, transmitindo tanto a autoridade quanto a empatia do personagem. Nair Amorim, na voz de Ruth, trouxe um equilíbrio entre coragem e humanidade, tornando a personagem compreensível e inspiradora para crianças e adolescentes.
Já Júlio Chaves, interpretando Samuel, transmitiu o caráter leal e racional do cientista, complementando a dinâmica do grupo de protagonistas. A narração da abertura, conduzida por Arlênio Lívio, ajudava a contextualizar cada episódio, reforçando o clima de aventura e suspense, e dando ao público brasileiro uma porta de entrada clara para o universo futurista da série.
Esse cuidado com uma boa dublagem fez com que a série se mantivesse coesa, mesmo com elementos de ficção científica tão avançados para a época. A dublagem de Ark II é lembrada até hoje por fãs como um dos pontos que contribuíram para tornar a série acessível e emocionante, transformando uma produção americana pouco conhecida em um clássico cult para o público brasileiro.
Ficção científica esquecida
Ark II nunca foi um fenômeno de audiência, tampouco se tornou um clássico absoluto do gênero. Ainda assim, a produção merece destaque por tentar inserir no universo infantil dos anos 70 temas como devastação ambiental, responsabilidade social e reconstrução da civilização, tudo dentro de uma embalagem de aventura e esperança.
Seus veículos reais, seu tom educativo e a ousadia de mostrar um futuro arruinado, mas ainda sujeito a ser salvo por valores humanos, transformaram a série em uma curiosidade preciosa da televisão. Para muitos fãs brasileiros que a conheceram nas tardes e noites do SBT, Ark II permanece como um símbolo da época em que a ficção científica ainda podia ser ingênua, mas carregava consigo um propósito de ensinar e inspirar.











