Wheelie and The Chopper Bunch
Carangos e Motocas
- 07/09/1974 a 30/10/1975.
- 1 temporada (13 episódios – 39 segmentos).
- Hanna-Barbera Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Ângela Bonatti
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






A Dublagem
Em meio ao sucesso do cinema com o simpático Herbie — o Fusca com alma da Disney —, a Hanna-Barbera não perdeu tempo: em 1974, lançou sua própria versão motorizada e carismática para a televisão. Assim nasceu Wheelie and the Chopper Bunch, um desenho onde todos os personagens são veículos antropomorfizados — de fusquinhas apaixonados a motocicletas encrenqueiras — e os humanos sequer existem. A ideia era simples, visualmente divertida e tinha tudo para agradar: perseguições, piadas visuais e um protagonista que falava com a buzina.
O desenho estreou em setembro daquele ano na rede NBC, com episódios curtos de cerca de seis minutos que eram exibidos em trios — totalizando 39 segmentos em 13 episódios.
Amor sobre rodas e confusão motorizada
O personagem-título é Wheelie, um fusquinha vermelho de olhos azuis, simpático, determinado, mas com uma peculiaridade: ele não falava. Em vez disso, se comunicava através de mensagens no para-brisa e sons de buzina.
Um charme à parte, Wheelie era completamente apaixonado por Rota, uma conversível amarela graciosa, que claramente bebia da fonte da Penélope Charmosa. Os dois só queriam viver seu romance automobilístico, mas havia um obstáculo com rodas: a gangue da motocicleta Turma do Chapa.
A gangue era formada por quatro membros: o valentão Chapa, o atrapalhado Confuso, o risonho Risada e o rebelde Avesso. Juntos, tentavam sabotar o namoro de Wheelie e conquistar Rota, mas os planos invariavelmente falhavam — com direito a perseguições, trapalhadas e lições no final. Confuso ainda arrematava com sua frase clássica: “Eu disse, eu lhe disse!”
De Herbie ao Lupu Limpim: a trajetória no Brasil
Carangos e Motocas estreou no Brasil em 1975, dentro da faixa de desenhos da Rede Globo, exibido de segunda a sexta às 17h45. O desenho aproveitava o embalo do sucesso de Herbie nos cinemas, especialmente com a estreia de As Novas Aventuras do Fusca, também em 1974, e se beneficiava da simpatia que o Fusca já tinha conquistado nas ruas brasileiras.
Em 1978, passou a ser exibido pela TV Bandeirantes, diariamente às 18h20, em uma grade que também incluía o golfinho Flipper. No início dos anos 1980, seguiu nas manhãs da Band, até ser adquirido pela Rede Manchete em 1986, para integrar o programa infantil Lupu Limpim Clapla Topo.
Já nos anos 1990, a série foi reapresentada nas manhãs de sábado da TV Record, ocasião em que recebeu uma redublagem, com pequenas mudanças nos nomes dos personagens — a Turma do Chapa virou “Bando do Motocão”.
Recentemente, a série teve reprise pelo canal Boomerang, preservando seu lugar na memória dos fãs de clássicos animados.
Um trabalho cuidadoso sobre quatro rodas
A dublagem original brasileira foi feita nos estúdios da Herbert Richers, com direção de Ângela Bonatti, e reuniu um time de vozes conhecido por seu trabalho em animações da Hanna-Barbera. Como Wheelie não falava, sua voz foi mantida do original, mas os demais personagens foram dublados com energia e humor característicos da época.
Maralise Tartarine emprestou charme a Rota Ree, enquanto a gangue teve vozes muito marcantes: Jorgeh Ramos como Chapa, Ionei Silva como Avesso, Carlos Marques como Risada e Cleonir dos Santos como Confuso, que brilhou com seu bordão repetido no encerramento de cada plano frustrado da gangue.
A dublagem soube adaptar o tom leve e cômico da série para o público brasileiro, com vocabulário acessível e ritmo certeiro, o que ajudou a firmar a presença de Carangos e Motocas na memória da geração que cresceu nos anos 70 e 80.
Um carrinho que ainda buzina na memória
Apesar de curta, Carangos e Motocas conseguiu marcar seu espaço entre os desenhos mais lembrados da Hanna-Barbera por contas das inúmeras reprises. O visual divertido, o conceito de um mundo só de veículos e a simplicidade das tramas fizeram com que a série fosse facilmente assimilada pelas crianças — ainda mais em um país onde o Fusquinha da Volkswagen era o carro mais presente nas ruas.
A ideia de dar vida, sentimentos e rivalidades a veículos em miniatura foi um acerto da Hanna-Barbera, antecipando o tipo de abordagem que décadas depois seria retomado em franquias como Carros, da Pixar. Carangos e Motocas pode até ter sido deixado de lado nas coletâneas oficiais do estúdio, mas seu lugar no coração do público está garantido — afinal, há coisas que só um fusquinha vermelho apaixonado é capaz de nos ensinar.













